Projeto prevê receita de R$ 32,3 bilhões, estabelece prioridades para o orçamento estadual e incorpora novas regras para emendas parlamentares obrigatórias

A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) aprovou, nesta quarta-feira (21), o Projeto de Lei nº 286/2026, que estabelece as diretrizes para a elaboração do Orçamento Estadual de 2027. A proposta prevê receita total de R$ 32,3 bilhões, despesas de R$ 32,7 bilhões e um déficit primário estimado em R$ 1,6 bilhão.
A votação ocorreu em sessão extraordinária, após a análise da matéria por uma comissão especial. O texto foi aprovado com seis emendas, incluindo alterações relacionadas à execução obrigatória de emendas parlamentares individuais e ao cálculo dos orçamentos dos Poderes e órgãos estaduais.
O projeto segue agora para análise do Poder Executivo. A aprovação da LDO representa uma etapa do planejamento orçamentário, mas não equivale à aprovação do orçamento definitivo para o próximo ano.
Receita prevista para 2027 chega a R$ 32,3 bilhões
O projeto encaminhado pelo governo estadual à Assembleia em abril apresenta as estimativas de receitas e despesas para o exercício financeiro de 2027.
A receita total projetada é de R$ 32,3 bilhões. Desconsiderando receitas financeiras e operações de crédito, que somam aproximadamente R$ 2,5 bilhões, a receita primária prevista fica em R$ 29,7 bilhões.
Do lado das despesas, a estimativa total é de R$ 32,7 bilhões. Excluindo juros, encargos e amortização da dívida pública, as despesas primárias alcançam R$ 31,4 bilhões.
Com esses valores, o Executivo trabalha com uma previsão de déficit primário de aproximadamente R$ 1,6 bilhão.
O déficit primário ocorre quando as despesas primárias previstas superam as receitas primárias, sem considerar os custos financeiros da dívida pública.
Trata-se de uma projeção para o próximo exercício, e não de um resultado fiscal já registrado.
Educação, segurança e infraestrutura estão entre as prioridades
A proposta da LDO estabelece as áreas consideradas prioritárias para a elaboração do Orçamento Estadual de 2027.
Entre elas estão agricultura e meio ambiente, desenvolvimento econômico e turismo sustentável, educação, esporte e cultura, além de políticas de emprego, trabalho e renda.
O documento também contempla infraestrutura, proteção social, direitos humanos, redução das desigualdades, segurança pública e justiça.
Essas diretrizes deverão orientar a definição dos programas e a distribuição dos recursos na futura Lei Orçamentária Anual (LOA).
A inclusão de uma área entre as prioridades, entretanto, não significa que todos os projetos relacionados a ela já tenham recursos específicos assegurados.
Os valores destinados a cada programa serão detalhados na proposta orçamentária anual.
Emendas parlamentares obrigatórias entram nas regras de 2027
Uma das principais alterações aprovadas pelos deputados foi a adequação da LDO ao novo modelo de emendas parlamentares individuais de execução obrigatória.
A mudança está relacionada à Emenda Constitucional nº 120/2026, promulgada em outubro, que tornou impositivas as emendas individuais apresentadas pelos deputados estaduais.
Com a nova regra, as indicações parlamentares passam a ter execução obrigatória, observadas as exigências legais, técnicas e orçamentárias.
O modelo também incorpora critérios de transparência, fiscalização e rastreabilidade dos recursos, em atendimento às determinações do Supremo Tribunal Federal (STF).
A proposta pretende conferir maior previsibilidade à aplicação das verbas indicadas pelos parlamentares, sem dispensar os mecanismos de controle dos gastos públicos.
Cálculo do orçamento dos Poderes também será alterado
Outra emenda aprovada modifica o critério utilizado para calcular os orçamentos dos Poderes e órgãos estaduais.
Pela alteração, o cálculo deixará de utilizar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) como referência e passará a considerar um percentual sobre a Receita Corrente Líquida (RCL).
A base de cálculo utilizará a receita apurada entre julho de 2025 e junho de 2026.
A mudança estabelece um novo parâmetro para a definição dos recursos destinados aos órgãos abrangidos, considerando a capacidade de arrecadação do Estado.
O comunicado da Assembleia não detalha os percentuais específicos que serão aplicados a cada Poder ou órgão.
Comissão especial analisou seis emendas
Antes da votação em plenário, o PL 286/2026 passou pela análise de uma comissão especial, que teve como relator o deputado Mazinho dos Anjos (MDB).
O colegiado aprovou parecer favorável à proposta, incorporando seis emendas apresentadas pela Mesa Diretora e pelo relator.
As alterações foram incluídas no texto antes da deliberação em sessão extraordinária.
Entre os principais pontos estão a adequação às emendas impositivas e a atualização das regras de cálculo orçamentário.
A aprovação ocorreu após a leitura da matéria durante a sessão ordinária de quarta-feira.
Entenda a importância da LDO para o orçamento estadual
A Lei de Diretrizes Orçamentárias é um dos principais instrumentos de planejamento financeiro da administração pública.
Ela estabelece as metas e prioridades do governo e orienta a elaboração da Lei Orçamentária Anual, responsável por detalhar as receitas e despesas previstas para cada exercício.
A LDO funciona como ligação entre o Plano Plurianual (PPA), que define objetivos e programas de médio prazo, e a LOA, que estabelece a programação orçamentária anual.
Além disso, trata de regras fiscais relacionadas às despesas com pessoal, à administração da dívida pública e às possíveis alterações na legislação tributária.
No Espírito Santo, a LDO também define diretrizes para a aplicação de recursos de fomento administrados pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).
A aprovação da proposta é necessária para orientar a preparação do orçamento do próximo ano, mas a execução das despesas dependerá dos instrumentos orçamentários e das autorizações legais correspondentes.
Proposta sobre transparência fiscal tem votação adiada
Durante a mesma sessão, os deputados também tinham previsão de analisar o Projeto de Lei nº 531/2026, encaminhado pelo governo estadual.
A matéria autoriza a participação do Espírito Santo no Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal (PATF).
Entretanto, o presidente da Assembleia, Marcelo Santos (União), retirou o projeto da pauta.
Segundo o parlamentar, a expectativa é que a proposta seja submetida à votação em uma sessão virtual ainda nesta semana.
Assim, o PL 531/2026 não foi aprovado na sessão de quarta-feira e permanece aguardando nova deliberação.
LDO segue para análise do Executivo
Com a aprovação do Projeto de Lei nº 286/2026, a Assembleia concluiu sua etapa de votação da proposta de diretrizes orçamentárias para 2027.
O texto segue para os procedimentos de análise pelo Poder Executivo, incluindo sanção ou eventual veto, conforme o processo legislativo.
A elaboração da Lei Orçamentária Anual deverá observar as diretrizes aprovadas, após a conclusão das etapas legais.
A previsão de déficit primário de R$ 1,6 bilhão será um dos principais indicadores a acompanhar durante a definição das receitas e despesas para o próximo exercício.
A LDO estabelece, portanto, as bases do planejamento financeiro estadual para 2027, enquanto os valores efetivamente destinados a obras, serviços e programas serão detalhados no orçamento anual.
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