Atacante capixaba afirma ter investido R$ 10 milhões em imóvel de Angra dos Reis e cobra devolução da propriedade; advogado contesta validade dos documentos e Flávio Bolsonaro nega envolvimento

O atacante Richarlison, natural de Nova Venécia, no Espírito Santo, publicou nesta quarta-feira (21) um vídeo nas redes sociais para apresentar documentos que, segundo ele, comprovam a aquisição de direitos sobre um imóvel de luxo localizado na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. A manifestação foi uma resposta ao advogado Willer Tomaz, que havia desafiado o jogador a demonstrar documentalmente sua ligação com a propriedade.
No vídeo, o jogador do Tottenham exibiu documentos referentes à negociação realizada em 2020 e voltou a questionar as circunstâncias em que perdeu a posse do imóvel, atualmente sob controle de uma empresa vinculada a Tomaz.
Richarlison afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões na aquisição, em reformas e na manutenção da propriedade. O atleta também acusa o advogado de ter se beneficiado de decisões judiciais para assumir o imóvel, alegação contestada por Tomaz.
O caso ganhou repercussão política porque Richarlison também mencionou o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, como alguém que teria demonstrado interesse pela propriedade. O parlamentar nega qualquer participação na negociação ou na disputa judicial.
Richarlison apresenta documentos e cobra devolução
A nova manifestação ocorreu depois que Willer Tomaz desafiou publicamente o atacante a apresentar documentos anteriores a julho de 2022 que comprovassem sua relação com o imóvel.
O advogado afirmou que aceitaria transferir os direitos sobre a propriedade sem cobrar qualquer valor caso o jogador apresentasse documentação válida, acompanhada de comprovantes financeiros.
Richarlison respondeu divulgando trechos de documentos de cessão de direitos sobre a propriedade, além de registros relacionados à transação.
"Tá aí a prova, Willer Tomaz", declarou o atacante, ao rebater o desafio.
O jogador também cobrou a devolução do imóvel e a reconstrução da residência que, segundo ele, foi demolida depois da perda da posse.
Os documentos divulgados sustentam a versão apresentada por Richarlison sobre a realização de uma negociação, mas sua publicação nas redes sociais não comprova, por si só, a titularidade definitiva do imóvel nem invalida as decisões judiciais anteriores.
Investimento de R$ 10 milhões é questionado
Richarlison afirma que a negociação ocorreu em outubro de 2020 e que seu investimento total chegou a aproximadamente R$ 10 milhões.
Segundo relatos sobre os documentos exibidos pelo atacante, os comprovantes de cessão de direitos somam cerca de R$ 4,66 milhões. O jogador sustenta que os demais valores correspondem a despesas com reformas e manutenção da propriedade, incluindo medidas de segurança.
Willer Tomaz apresenta uma versão diferente.
O advogado afirma que a empresa envolvida na disputa judicial declarou ter pago R$ 2,6 milhões a terceiros que ocupavam o imóvel, sem adquirir os direitos da titular registrada.
A divergência envolve, portanto, não apenas os valores pagos, mas também a validade dos documentos e a legitimidade de quem negociou os direitos sobre a propriedade.
A distinção é relevante porque documentos de cessão de direitos possessórios não necessariamente equivalem à escritura pública ou ao registro de propriedade imobiliária.
Disputa judicial envolve empresas ligadas ao jogador
A controvérsia sobre o imóvel começou anos antes das manifestações recentes nas redes sociais.
De um lado da disputa estavam a Sport 70 Intermediação de Negócios, ligada ao ex-empresário de Richarlison, Renato Velasco, e a RR7011 Brasil Participações e Empreendimentos, empresa vinculada ao jogador e a seu pai.
Do outro lado está a WT Administração de Imóveis, ligada a Willer Tomaz, que atualmente detém os direitos reconhecidos judicialmente sobre o imóvel.
A disputa tramitou por aproximadamente três anos na Justiça do Rio de Janeiro e chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Após decisões desfavoráveis e recursos sem sucesso, a Sport 70 e Renato Velasco desistiram do processo em agosto de 2025.
Willer Tomaz sustenta que a controvérsia imobiliária foi encerrada judicialmente e afirma que Richarlison não figurou pessoalmente como parte na ação.
Já o atacante questiona a forma como os direitos sobre o imóvel foram transferidos e a rapidez de determinadas decisões judiciais.
Advogado tentou impedir publicações do jogador
A disputa também chegou à Justiça do Distrito Federal.
Em 29 de julho de 2026, Willer Tomaz e sua empresa apresentaram uma ação pedindo que Richarlison fosse impedido de divulgar conteúdos considerados falsos sobre o caso.
O pedido incluía uma medida de urgência para restringir as manifestações do atacante.
Em 13 de agosto, a Justiça rejeitou a solicitação imediata, por considerar que a medida poderia representar uma forma de censura prévia, incompatível com a liberdade de expressão.
A ação, entretanto, continua em tramitação.
A decisão não resolveu a disputa sobre a propriedade nem reconheceu como verdadeiras todas as afirmações do jogador. O entendimento judicial se limitou à possibilidade de restringir previamente suas manifestações.
Richarlison divulga mensagem enviada a Flávio Bolsonaro
Na publicação desta quarta-feira, o jogador também apresentou uma captura de tela de uma mensagem que afirma ter enviado ao senador Flávio Bolsonaro em 5 de abril de 2026.
O objetivo, segundo Richarlison, foi demonstrar que tentava resolver o problema antes da reta final da campanha presidencial.
Na mensagem, o atacante mencionou o dinheiro investido na propriedade e manifestou o desejo de recuperar os recursos.
Richarlison afirma que não obteve uma solução por meio desse contato.
A divulgação ocorreu depois de questionamentos sobre o momento escolhido para tornar públicas as acusações, poucos dias antes do segundo turno das eleições presidenciais.
Flávio Bolsonaro nega participação na negociação
O senador Flávio Bolsonaro nega ter participado da compra, venda ou transferência do imóvel.
Em manifestações anteriores, afirmou que seu nome foi incluído como testemunha no processo por iniciativa de uma das partes, sem que tivesse participação na controvérsia patrimonial.
A assessoria do parlamentar também declarou que ele não possui vínculo jurídico ou financeiro com a propriedade.
Embora Richarlison tenha mencionado um suposto interesse anterior do senador pelo imóvel, não foram apresentados elementos conclusivos que comprovem a participação de Flávio Bolsonaro nas decisões judiciais que determinaram a posse.
Documentos apresentados não encerram a controvérsia
A divulgação dos documentos por Richarlison representa um novo capítulo na disputa envolvendo o imóvel em Angra dos Reis.
O jogador sustenta que os registros demonstram a legitimidade dos valores investidos e cobra que Willer Tomaz cumpra a promessa de devolver os direitos sobre a propriedade caso fossem apresentadas provas.
A defesa do advogado, por sua vez, exige documentos específicos que comprovem a titularidade ou a regularidade da aquisição perante os órgãos competentes.
O ponto central da controvérsia é a diferença entre demonstrar pagamentos por direitos de ocupação e comprovar a titularidade juridicamente reconhecida sobre o imóvel.
Até o momento, não há confirmação de que Willer Tomaz tenha aceitado os documentos apresentados pelo atacante ou concordado em transferir os direitos sobre a propriedade.
Richarlison mantém a cobrança pela devolução do imóvel e pela reconstrução da residência. Já Tomaz sustenta a validade das decisões judiciais que favoreceram sua empresa.
A apresentação dos documentos amplia a discussão pública sobre o caso, mas não altera automaticamente o resultado da disputa judicial.