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Fenaj critica debate da Band e cobra medidas contra desinformação eleitoral

Federação dos Jornalistas questiona formato do encontro presidencial de domingo (18) e defende regras mais rigorosas para garantir respostas objetivas e informações verificáveis

Vitória News 20/10/2026 11:27
Fenaj critica debate da Band e cobra medidas contra desinformação eleitoral
Reproduçõa/Band

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e seus sindicatos filiados manifestaram indignação com o formato e a condução do debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes no último domingo (18). Em nota divulgada nesta terça-feira (20), a entidade criticou o excesso de provocações, ataques pessoais e frases de efeito, que, segundo sua avaliação, prejudicaram a apresentação de propostas e o esclarecimento dos eleitores.

Para a Fenaj, o encontro deveria ter proporcionado um confronto de ideias sobre os principais desafios do Brasil, mas acabou priorizando estratégias de comunicação voltadas à repercussão nas redes sociais.

A manifestação ocorre na última semana antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.

Fenaj questiona responsabilidade editorial da Band

Na nota, a federação afirma que as regras adotadas no debate não foram suficientes para assegurar a discussão de temas relevantes nem para garantir respostas efetivas às perguntas apresentadas.

A entidade reconheceu a trajetória dos jornalistas responsáveis pela mediação, mas direcionou suas críticas à responsabilidade editorial da emissora e à estrutura do programa.

“Reconhecemos a trajetória dos profissionais responsáveis pela mediação, mas questionamos a responsabilidade editorial da emissora, a fragilidade das regras e a ausência de mecanismos capazes de assegurar a finalidade do debate. Não basta oferecer tempo igual aos candidatos. É indispensável garantir informações relevantes, fundamentadas e passíveis de verificação”, afirma a Fenaj.

Segundo a federação, a igualdade de tempo entre os participantes é importante, mas não garante, isoladamente, que o público receba informações suficientes para avaliar os candidatos.

Entidade critica ataques e ausência de respostas

A Fenaj também questionou o espaço ocupado por provocações e ataques pessoais durante o encontro.

Na avaliação da entidade, o formato favoreceu declarações de impacto e disputas verbais, enquanto questões centrais para a população receberam atenção insuficiente.

Entre os assuntos destacados pela federação estão saúde, educação, emprego, renda, desigualdade, segurança pública, soberania nacional, meio ambiente e direitos sociais.

“É grave quando um debate favorece slogans e ataques pessoais, relegando a segundo plano temas fundamentais como saúde, educação, emprego, renda, desigualdade, segurança, soberania nacional, meio ambiente e direitos sociais”, avalia a entidade.

A federação também criticou a utilização dos debates como espaços para a produção de vídeos curtos destinados às redes sociais, quando essa dinâmica se sobrepõe à discussão das propostas de governo.

Jornalismo deve confrontar informações falsas, defende federação

Outro ponto central da manifestação é a responsabilidade do jornalismo diante de declarações falsas ou sem comprovação.

A Fenaj sustenta que os profissionais e as emissoras não devem limitar sua atuação à distribuição de tempo entre os candidatos, mas precisam contextualizar informações, confrontar versões e cobrar respostas.

“O jornalismo não pode ser refém da lógica do espetáculo, da audiência a qualquer preço ou das estratégias de candidatos que desprezam o diálogo democrático”, afirma a nota.

A entidade também argumenta que imparcialidade não significa deixar de questionar afirmações comprovadamente falsas.

Para a federação, a ausência de intervenção diante da desinformação pode comprometer a qualidade do debate público e dificultar o acesso dos eleitores a informações confiáveis.

Fenaj propõe revisão das regras dos debates eleitorais

Diante das críticas, a federação defende que as emissoras de televisão revejam os modelos utilizados nos debates eleitorais.

Entre as medidas propostas estão a adoção de regras que incentivem respostas objetivas, a previsão de intervenções editoriais diante de informações comprovadamente falsas e mecanismos de responsabilização pelo descumprimento das normas.

A Fenaj ressalta que essas providências não devem impedir o contraditório nem restringir a liberdade de expressão dos candidatos.

O objetivo, segundo a entidade, é assegurar que os debates cumpram sua função jornalística e contribuam para a formação de uma opinião pública bem informada.

A nota também reforça que liberdade de expressão e responsabilidade editorial precisam ser consideradas conjuntamente na organização desses eventos.

Informação é direito da sociedade, afirma entidade

Na avaliação da Fenaj, as empresas de comunicação possuem responsabilidades que vão além da busca por audiência.

A entidade defende que a cobertura eleitoral deve respeitar princípios éticos e priorizar informações de interesse público, especialmente em um período decisivo para a escolha dos governantes.

O documento também alerta para os efeitos da normalização de agressões verbais, ataques às instituições e circulação de informações falsas no ambiente político.

“A informação é um direito da sociedade, não uma mercadoria subordinada aos interesses comerciais ou à busca de audiência”, afirma a federação.

A manifestação termina com uma defesa da função democrática do jornalismo e da necessidade de debates que permitam aos eleitores conhecer as propostas dos candidatos.

“Debate eleitoral não é entretenimento. Jornalismo não é espetáculo. Democracia não se constrói com mentiras. A sociedade brasileira merece debates à altura de seus desafios. E o jornalismo tem o dever de estar à altura de sua responsabilidade”, conclui a Fenaj.

As críticas representam a avaliação institucional da federação sobre o debate realizado pela Band. O material divulgado não apresenta resposta da emissora aos questionamentos.

Com o segundo turno marcado para domingo (25), a manifestação amplia a discussão sobre os formatos dos debates presidenciais e o papel das emissoras na mediação de confrontos entre candidatos.

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