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Justiça Eleitoral nega transporte e alimentação a indígenas para votação no Amazonas

Decisão atinge moradores de 43 aldeias do Vale do Javari; juíza alega falta de recursos e pedido fora do prazo, enquanto entidade alerta para risco de abstenção no 2º turno

Vitória News 21/10/2026 08:16
Justiça Eleitoral nega transporte e alimentação a indígenas para votação no Amazonas
Foto: Divulgação/ABr

A Justiça Eleitoral do Amazonas negou um pedido para garantir transporte fluvial gratuito, água e alimentação a indígenas de 43 aldeias da Terra Indígena Vale do Javari durante o segundo turno das eleições de 2026, marcado para domingo, 25 de outubro. A decisão foi tomada pela juíza Dálethe Borges Messias, responsável pela 42ª Zona Eleitoral, sediada em Atalaia do Norte.

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A solicitação foi apresentada pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), que buscava assegurar condições de deslocamento para que os moradores das comunidades pudessem exercer o direito ao voto.

Ao negar o pedido, a magistrada reconheceu a importância constitucional da participação eleitoral dos povos indígenas em condições de igualdade, mas argumentou que a solicitação foi apresentada fora do prazo necessário para organizar a operação.

A juíza também afirmou que a Justiça Eleitoral não dispõe dos recursos financeiros necessários para custear o transporte e a alimentação solicitados.

Falta de transporte pode dificultar participação de indígenas

A decisão preocupa a Univaja, que aponta dificuldades enfrentadas pelas comunidades indígenas para chegar aos locais de votação.

No Vale do Javari, os deslocamentos entre aldeias e centros urbanos dependem, em grande parte, do transporte fluvial. As longas distâncias e as condições geográficas da região tornam a logística eleitoral especialmente complexa.

Segundo a organização indígena, nas eleições anteriores houve uma articulação com a Justiça Eleitoral para garantir os meios necessários ao deslocamento dos eleitores.

Entretanto, a entidade afirma que essa organização não ocorreu em 2026, situação que teria contribuído para uma abstenção elevada no primeiro turno.

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De acordo com a Univaja, aproximadamente 30% a 35% dos indígenas deixaram de votar na primeira etapa das eleições, realizada em 4 de outubro.

O percentual é uma estimativa apresentada pela entidade, e não um índice oficial de abstenção divulgado na decisão judicial.

Juíza reconhece importância do pedido, mas aponta impedimentos

Na decisão, Dálethe Borges Messias destacou que a garantia do voto aos povos indígenas em condições de igualdade possui relevância constitucional.

Apesar desse reconhecimento, a magistrada considerou que o pedido não poderia ser atendido nas condições apresentadas.

Um dos fundamentos foi o prazo para planejamento e execução da logística de transporte durante a votação.

A juíza também apontou a ausência de recursos para financiar as despesas com deslocamento, água e alimentação.

A decisão, portanto, não estabelece uma proibição geral de transporte de indígenas às urnas. Trata-se da negativa de uma solicitação específica de apoio logístico e custeio apresentada pela Univaja para o segundo turno.

Entidade indígena cobra garantia do direito ao voto

A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari manifestou preocupação com as consequências da decisão.

Para a organização, cabe ao poder público assegurar condições que permitam às comunidades indígenas participar efetivamente do processo eleitoral.

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A entidade sustenta que a ausência de transporte adequado pode impedir o comparecimento de eleitores que vivem em aldeias distantes dos locais de votação.

O problema envolve não apenas a distância, mas também as particularidades da região amazônica, onde os rios constituem importantes vias de deslocamento.

A preocupação é que as dificuldades observadas no primeiro turno se repitam no domingo (25), provocando nova abstenção entre os moradores das comunidades.

Vale do Javari abriga mais de 6 mil indígenas

A Terra Indígena Vale do Javari fica no Amazonas, em uma região próxima à tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.

Com aproximadamente 8,5 milhões de hectares, é a segunda maior terra indígena do Brasil, ocupando uma área superior à do estado da Paraíba.

Homologado em 2001, o território abriga 74 aldeias, sete povos indígenas e uma população superior a 6 mil pessoas.

A região também é conhecida por concentrar o maior número de registros de povos indígenas isolados do mundo.

Sua extensão territorial e as características geográficas representam desafios para a prestação de serviços públicos, incluindo saúde, educação e organização eleitoral.

A existência de comunidades dispersas por uma área tão extensa exige planejamento específico para garantir deslocamentos e atendimento à população.

Região enfrenta conflitos e atividades ilegais

Além das dificuldades de acesso, o Vale do Javari enfrenta problemas relacionados à presença de atividades criminosas em seu território.

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A região sofre pressão de redes ligadas ao narcotráfico, garimpo ilegal, extração irregular de madeira e exploração ilícita de recursos naturais.

Em junho de 2022, o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips foram assassinados na região, durante uma viagem pelo Rio Itaquaí.

O caso teve repercussão internacional e expôs os riscos enfrentados por indígenas, defensores de direitos humanos e profissionais que atuam na proteção ambiental da Amazônia.

Esse contexto amplia a importância de medidas que garantam o acesso das comunidades aos serviços públicos e às instituições democráticas.

Segundo turno está marcado para domingo

O segundo turno das eleições de 2026 será realizado em 25 de outubro, quando os eleitores voltarão às urnas para escolher o presidente da República.

No Amazonas, também haverá votação para governador.

A solicitação rejeitada pela Justiça Eleitoral abrangia indígenas de 43 aldeias do Vale do Javari e tinha como objetivo assegurar transporte fluvial, água e alimentação durante o deslocamento para votar.

A decisão da 42ª Zona Eleitoral foi fundamentada na apresentação do pedido fora do prazo e na ausência de recursos para custear a operação.

Até as informações divulgadas em 20 de outubro, não havia confirmação de uma solução alternativa para atender às comunidades afetadas.

A Univaja mantém a preocupação de que a falta de condições de deslocamento prejudique novamente o comparecimento de indígenas às urnas, em uma região onde o acesso aos locais de votação depende de uma logística complexa e de longas viagens pelos rios amazônicos.

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