Evento reuniu especialistas brasileiros e estrangeiros para discutir safra 2026/27, segurança alimentar, geopolítica, sustentabilidade e abertura de novos mercados
O Brasil passou a integrar o circuito internacional de fóruns estratégicos voltados à análise do agronegócio com a realização da primeira edição do Outlook Agro Brasil. O encontro reuniu representantes do governo, organismos internacionais, pesquisadores, especialistas e lideranças do setor para discutir cenários que devem influenciar a produção e o comércio agroalimentar nos próximos anos.
A programação abordou temas como projeções para a safra 2026/27, geopolítica, segurança alimentar, mudanças climáticas, inovação, sustentabilidade, inteligência de mercado e abertura de novos mercados para os produtos brasileiros.
A proposta do evento foi ampliar o acesso a informações estratégicas capazes de apoiar decisões de produtores rurais, cooperativas, exportadores, investidores e demais agentes ligados à cadeia agroalimentar.
Na abertura, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou a relação entre o desempenho do agronegócio, as exportações e o desenvolvimento econômico brasileiro. Segundo ele, a agricultura ocupa posição central na inserção internacional do país e na construção de uma economia mais estável.
Müller também ressaltou que a competitividade externa do agronegócio está diretamente ligada à conjuntura econômica brasileira e à capacidade do país de ampliar relações comerciais, reduzir barreiras e firmar novos acordos.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que a abertura de mercados internacionais é resultado da credibilidade conquistada pelos produtos brasileiros e da qualidade da produção nacional.
Segundo o ministro, o desafio agora é transformar os avanços já alcançados em uma base para novas oportunidades comerciais, com planejamento de longo prazo e ampliação da presença brasileira no exterior.
O encontro também contou com representantes das áreas de relações exteriores, pesca, indústria e comércio, que discutiram a participação do agronegócio na economia e a importância da diplomacia para ampliar o acesso dos produtos brasileiros a outros países.
Durante os debates, especialistas apontaram que o crescimento da demanda mundial por alimentos exigirá mais planejamento, tecnologia e cooperação internacional. África e Ásia aparecem entre as regiões com potencial para expansão da presença brasileira.
A segurança alimentar também ocupou espaço central nas discussões. As avaliações apresentadas durante o encontro indicaram que o Brasil pode ampliar sua participação como fornecedor de alimentos e energia diante das transformações geopolíticas e da reorganização das cadeias globais.
A coordenadora de Agronegócios da ApexBrasil, Paula Soares, destacou que a presença de especialistas de países como Estados Unidos, China e Argentina permitiu reunir diferentes perspectivas sobre segurança alimentar, biocombustíveis e comércio internacional.
Outro ponto considerado estratégico foi o uso de inteligência de mercado. Especialistas defenderam que o acompanhamento de tendências econômicas, climáticas e geopolíticas será cada vez mais importante para reduzir riscos e melhorar o planejamento das empresas e produtores.
Representantes de organismos internacionais, universidades, instituições financeiras e entidades ligadas ao comércio agrícola analisaram os impactos das tensões globais e das mudanças nas cadeias de suprimentos sobre o setor agroalimentar.
A expectativa é que a consolidação desse tipo de fórum no Brasil contribua para antecipar cenários, identificar oportunidades e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro em um ambiente internacional cada vez mais disputado.