Atividades ligadas a minerais estratégicos concentram 57% dos postos da indústria extrativa mineral; salários chegam a R$ 11,8 mil para profissionais com ensino superior
A exploração de minerais críticos e estratégicos (MCE) respondeu por 129.423 empregos no Brasil em 2025, o equivalente a 57% dos 226.634 postos de trabalho da indústria extrativa mineral do país. Os dados foram divulgados pela Agência Nacional de Mineração (ANM), por meio do Portal de Minerais Críticos e Estratégicos, lançado em 14 de outubro.
O levantamento revela que o mercado de trabalho associado a esses minerais cresceu 8,6% entre 2023 e 2025, acompanhando a importância dessas matérias-primas para setores como tecnologia, energia, indústria e defesa.
Entre os minerais considerados estratégicos estão elementos utilizados na fabricação de equipamentos eletrônicos, baterias, sistemas de geração de energia e tecnologias de alto desempenho.
Empregos qualificados ganham espaço na mineração
Do total de trabalhadores empregados em atividades relacionadas aos minerais críticos e estratégicos, 51.714 ocupam postos classificados como mão de obra qualificada.
Esse contingente representa aproximadamente 40% dos empregos do segmento e equivale a 23% de todos os postos da indústria extrativa mineral brasileira.
O levantamento também identificou 30.707 profissionais com ensino superior nas atividades ligadas aos MCE, número correspondente a cerca de 14% do emprego total da indústria extrativa.
Os dados indicam a presença de profissionais com diferentes níveis de formação nas operações minerais, incluindo atividades técnicas, operacionais e de gestão.
Salários chegam a R$ 11,8 mil para trabalhadores com ensino superior
A remuneração varia conforme a escolaridade dos profissionais empregados no segmento.
Em 2025, o salário mediano dos trabalhadores com ensino fundamental foi de R$ 3.218,08. Entre aqueles com ensino médio, a remuneração mediana alcançou R$ 4.142,24.
Para os profissionais com ensino superior, o valor chegou a R$ 11.856,16.
A remuneração mediana corresponde ao valor central da distribuição salarial, ou seja, metade dos trabalhadores de cada grupo recebe acima desse patamar e metade recebe abaixo.
As diferenças refletem a diversidade de funções e qualificações exigidas nas atividades relacionadas à mineração de minerais críticos e estratégicos.
Mulheres ocupam 22% dos postos de trabalho
Apesar do crescimento do setor, a participação feminina ainda é minoritária.
Segundo a ANM, as mulheres ocupavam 28.658 empregos relacionados aos minerais críticos e estratégicos em 2025, representando 22% do total.
Os homens respondiam por 100.765 postos, equivalentes a 78%.
A distribuição demonstra uma predominância masculina nas atividades analisadas, embora a participação das mulheres varie entre os municípios.
Em Nova Lima, Minas Gerais, por exemplo, a presença feminina chega a 36,7%, percentual superior à média nacional do segmento.
Pará e Minas Gerais concentram municípios com mais empregos
Os postos de trabalho estão distribuídos por diferentes regiões brasileiras, mas alguns municípios se destacam pela concentração de atividades minerais.
Parauapebas, no Pará, aparece entre os principais polos, com 8.234 empregos ligados aos minerais críticos e estratégicos.
Na cidade, 71,4% dos trabalhadores são homens e 28,6% são mulheres. Do total, 1.851 profissionais possuem ensino superior.
Nova Lima, em Minas Gerais, registra 8.218 empregos. O município apresenta participação feminina de 36,7%, enquanto os homens representam 63,3% da força de trabalho.
Um dos destaques de Nova Lima é o nível de escolaridade: 4.776 trabalhadores possuem formação superior, o equivalente a aproximadamente 58% dos empregos locais contabilizados no levantamento.
Também em Minas Gerais, Congonhas registra 7.114 postos de trabalho. Os homens ocupam 73,2% das vagas e as mulheres, 26,8%. Entre os profissionais empregados, 1.234 possuem ensino superior.
Esses municípios estão entre os principais centros de emprego associados ao segmento, demonstrando a relevância das atividades minerais para suas economias locais.
Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo
O potencial brasileiro na exploração de minerais críticos está relacionado à disponibilidade de recursos naturais importantes para diferentes cadeias produtivas.
Entre eles estão as terras raras, grupo de elementos químicos utilizados na fabricação de ímãs de alto desempenho, equipamentos eletrônicos, tecnologias de energia limpa e sistemas de defesa.
Segundo informações do Serviço Geológico Brasileiro (SGB) apresentadas no levantamento, o Brasil possui cerca de 21 milhões de toneladas em reservas de terras raras, ocupando a segunda posição mundial, atrás da China.
A disponibilidade desses recursos coloca o país em posição relevante no debate sobre o abastecimento de matérias-primas utilizadas pela indústria tecnológica.
Entretanto, possuir grandes reservas minerais não significa necessariamente liderar a produção, o processamento ou a fabricação de produtos industrializados derivados desses materiais.
O aproveitamento econômico depende de investimentos, tecnologia, infraestrutura e capacidade de beneficiamento.
Goiás e Minas Gerais se destacam pelo potencial mineral
O levantamento aponta Goiás e Minas Gerais como importantes áreas de concentração de reservas de terras raras, nióbio, lítio e outros minerais estratégicos.
Essas matérias-primas são utilizadas em diferentes setores industriais e ganharam importância diante da expansão de tecnologias ligadas à eletrificação, ao armazenamento de energia e à fabricação de equipamentos avançados.
O lítio, por exemplo, é empregado na produção de baterias recarregáveis. O nióbio possui aplicações em ligas metálicas de alta resistência, enquanto diferentes elementos de terras raras são utilizados em componentes eletrônicos e ímãs permanentes.
A diversidade mineral brasileira oferece oportunidades para o desenvolvimento de cadeias produtivas de maior valor agregado, embora a transformação desse potencial em atividade industrial dependa de projetos específicos e investimentos.
Portal da ANM reúne informações estratégicas
Os dados sobre emprego e remuneração integram o Portal de Minerais Críticos e Estratégicos, desenvolvido pela Agência Nacional de Mineração.
A plataforma reúne informações sobre o segmento e amplia o acesso a indicadores relevantes para o acompanhamento das atividades minerais no país.
O levantamento permite observar a participação dos minerais críticos no emprego da indústria extrativa, identificar municípios com maior concentração de trabalhadores e acompanhar características da força de trabalho, como escolaridade, remuneração e distribuição por gênero.
Com mais de 129 mil empregos e crescimento de 8,6% em dois anos, as atividades relacionadas aos minerais críticos e estratégicos já representam uma parcela expressiva do mercado de trabalho mineral brasileiro.
Os números também evidenciam o desafio de ampliar a qualificação profissional, diversificar a participação no setor e desenvolver capacidade tecnológica para aproveitar o potencial mineral do país.