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Economia

Indústria brasileira renova máquinas, mas adoção de tecnologias avançadas ainda avança devagar

Levantamento mostra que 74% das empresas compraram equipamentos novos em 2025, enquanto robotização e automação conectada ainda alcançam parcela pequena dos investimentos

Vitória News 07/08/2026 10:10

A indústria brasileira mantém investimentos na renovação do parque fabril, mas a incorporação de tecnologias mais avançadas ainda ocorre em ritmo lento. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria mostra que 74% das empresas industriais compraram máquinas e equipamentos novos em 2025.

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O percentual ficou ligeiramente abaixo dos 77% registrados em 2024, mas confirma a predominância da aquisição de bens de capital novos. Já a compra de máquinas usadas foi realizada por 18% das empresas, ante 16% no ano anterior.

Apesar da renovação dos equipamentos, grande parte dos investimentos continua direcionada à mecanização tradicional. Entre as empresas que fizeram aquisições em 2025, 72% apontaram a ampliação da mecanização da produção como principal finalidade.

A robotização respondeu por 9% dos investimentos, enquanto apenas 5% das empresas direcionaram recursos para a automação por meio de máquinas conectadas em rede, capazes de transmitir e processar informações de maneira autônoma.

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Segundo o especialista em Políticas e Indústria Rafael Sales, a baixa participação das tecnologias conectadas não significa ausência de ganhos de produtividade. Mesmo equipamentos destinados à mecanização convencional podem substituir máquinas antigas e tornar os processos industriais mais eficientes.

As incertezas econômicas permanecem como o principal obstáculo aos investimentos. Entre as empresas que compraram máquinas novas, 61% apontaram a conjuntura macroeconômica como uma das maiores dificuldades para ampliar os aportes.

A queda das receitas e os entraves tributários foram citados por 47% das empresas, enquanto 46% mencionaram incertezas específicas de seus setores. A dificuldade para contratar e reter mão de obra apareceu para 43% dos entrevistados.

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Entre as indústrias que compraram equipamentos usados, as preocupações são semelhantes. As incertezas econômicas foram mencionadas por 66%, seguidas pela redução das receitas, com 55%, pelos entraves tributários e pelas incertezas setoriais, ambos com 53%, e pelo aumento do custo dos insumos, citado por 52%.

O levantamento também revela diferenças importantes de acordo com o porte das empresas. Entre as grandes indústrias, 78% investiram em máquinas e equipamentos novos em 2025. O percentual caiu para 72% nas médias empresas e 66% entre as pequenas.

As grandes companhias também aparecem à frente na adoção de tecnologias ligadas à Indústria 4.0. Entre aquelas que investiram, 7% direcionaram recursos à automação do processo produtivo. O índice foi de 4% nas médias empresas e de apenas 2% nas pequenas.

A origem dos equipamentos reforça essa diferença. Nas grandes indústrias, 56% das máquinas adquiridas eram estrangeiras e 40%, nacionais. Entre as médias empresas, 52% dos equipamentos eram produzidos no Brasil e 44% vieram do exterior.

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Nas pequenas indústrias, o predomínio das máquinas nacionais foi ainda maior: 60% das compras tiveram origem brasileira, enquanto 32% envolveram equipamentos estrangeiros.

Para especialistas, os números indicam que empresas maiores possuem maior capacidade financeira e acesso mais fácil às tecnologias de ponta, enquanto pequenas indústrias enfrentam dificuldades adicionais para modernizar suas operações.

O cenário reforça o debate sobre políticas específicas para cada porte empresarial. Para as pequenas empresas, um dos principais desafios é ampliar o acesso ao crédito e às tecnologias mais modernas. Para as grandes companhias, a necessidade está concentrada na criação de condições que permitam aumentar produtividade e competitividade no mercado internacional.

Os resultados mostram que a indústria brasileira continua renovando sua estrutura produtiva, mas o avanço para modelos altamente automatizados, conectados e digitalizados ainda está concentrado em uma parcela reduzida das empresas.

Fonte: ABr

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