Rodada de negócios em São Paulo reúne compradores estrangeiros e cerca de 40 companhias nacionais dos setores de alimentos, bebidas, cosméticos e cuidados pessoais
O comércio eletrônico tem ampliado as possibilidades de internacionalização das empresas brasileiras, permitindo que negócios de diferentes portes alcancem consumidores e parceiros comerciais em mercados estratégicos. Para fortalecer essa expansão, uma rodada de negócios realizada em São Paulo reúne 14 compradores internacionais e cerca de 40 empresas nacionais interessadas em exportar por meio dos canais digitais.
A iniciativa integra o E-Xport Meeting 2026, evento voltado à inserção de produtos brasileiros no comércio eletrônico internacional. A programação combina encontros empresariais, palestras, inteligência de mercado, visitas técnicas e orientações sobre as exigências para atuação em outros países.
O encontro também reúne representantes dos sete escritórios internacionais da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, localizados nos Estados Unidos, China, Rússia, Colômbia, Índia, Emirados Árabes Unidos e Bélgica.
As equipes apresentam oportunidades identificadas em seus respectivos mercados, tendências de consumo, características dos canais digitais, exigências regulatórias e estratégias para ampliar a presença dos produtos brasileiros no exterior.
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou que a proposta é aproximar compradores estrangeiros de empresas brasileiras que pretendem comercializar seus produtos pela internet. Segundo ele, a participação dos escritórios internacionais permite levar aos empresários informações mais precisas sobre as oportunidades existentes em diferentes regiões do mundo.
O Brasil ocupa atualmente a oitava posição entre os maiores mercados de comércio eletrônico do planeta. A projeção apresentada durante o evento indica que o setor poderá crescer 60% até 2030, na comparação com 2025.
No cenário mundial, a expectativa é que o comércio eletrônico movimente US$ 5,1 trilhões em 2026, consolidando os canais digitais como uma das principais ferramentas para a expansão internacional de empresas e marcas.
A rodada de negócios faz parte do Exporta Mais Brasil e concentra encontros nos segmentos de alimentos, bebidas, cosméticos e cuidados pessoais. A estratégia busca transformar informações sobre mercados externos em contatos comerciais, contratos e novas oportunidades de exportação.
A diretora de Negócios da ApexBrasil, Maria Paula Velloso, ressaltou que a integração entre especialistas, compradores e empresários permite que as companhias nacionais compreendam melhor as características de cada mercado e encontrem parceiros interessados em produtos brasileiros.
A programação também inclui visitas às instalações de empresas nacionais, permitindo que compradores estrangeiros conheçam os processos produtivos, os padrões de qualidade, a capacidade de fornecimento e o potencial de inovação da indústria brasileira.
O setor de chocolates esteve entre os destaques desta edição. Uma delegação internacional visitou fábricas da região de São Paulo antes das rodadas de negócios, conhecendo produtos e possibilidades de parceria com fornecedores brasileiros.
Entre as empresas visitadas está a Mestiço Chocolates, que recebeu compradores estrangeiros em sua nova unidade industrial. A fundadora Claudia Gamba destacou que a visita permitiu apresentar o chocolate brasileiro e a ampliação da capacidade produtiva da companhia diretamente a potenciais parceiros internacionais.
As atividades do segmento integram o projeto Brasil Sweets & Snacks, desenvolvido para promover no exterior produtos brasileiros das indústrias de chocolates, amendoins, balas e outras categorias de alimentos.
Empresas de cosméticos e cuidados pessoais também participaram dos encontros. Compradores indianos demonstraram interesse em ingredientes e produtos nacionais para o desenvolvimento de linhas inspiradas na biodiversidade, na cultura e nos atributos associados ao Brasil.
O diretor da empresa indiana Smush, Sahil Khanna, afirmou que encontrou fornecedores com potencial para estabelecer parcerias e levar produtos brasileiros ao mercado da Índia. A fundadora da companhia, Smriti Mamgain, também destacou o interesse em itens desenvolvidos no país.
A iniciativa busca ampliar especialmente a participação de micro, pequenas e médias empresas no comércio internacional. Por exigir, em muitos casos, uma estrutura inicial menor do que a distribuição tradicional, o comércio eletrônico pode funcionar como porta de entrada para marcas que ainda não possuem presença física em outros países.
Além de facilitar o acesso a consumidores estrangeiros, os canais digitais permitem testar a aceitação dos produtos, conhecer o comportamento do público e adaptar as estratégias comerciais antes de realizar investimentos maiores em determinados mercados.
Ao reunir orientação técnica, conhecimento internacional e contato direto com compradores, o E-Xport Meeting pretende preparar as empresas brasileiras para transformar o crescimento do comércio eletrônico em exportações, geração de renda e expansão dos negócios.