Estudo realizado com instituições internacionais avalia reservas minerais, capacidade industrial e oportunidades na transição energética

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) está desenvolvendo um estudo para identificar oportunidades de ampliar a participação brasileira na cadeia produtiva de minerais críticos e baterias elétricas. A pesquisa analisa desde a disponibilidade de matérias-primas até a capacidade da indústria nacional de transformar esses recursos em produtos de maior valor agregado.
O trabalho é realizado em parceria com o Net Zero Industrial Policy Lab, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e o Instituto E+ Transição Energética, organização brasileira especializada em estudos sobre energia e desenvolvimento industrial.
A iniciativa foi confirmada pela própria CNI, que divulgou informações sobre a cooperação em 9 de outubro. O levantamento ainda está em andamento e deverá subsidiar recomendações para políticas públicas e investimentos industriais.
Pesquisa avalia oportunidades para a indústria brasileira
O estudo examina as reservas minerais existentes no Brasil, a capacidade de extração e processamento e a estrutura das cadeias produtivas ligadas à fabricação de baterias.
A análise busca identificar quais atividades já possuem condições competitivas no país, quais estão em desenvolvimento e quais enfrentam obstáculos tecnológicos, econômicos ou estruturais.
Entre os minerais considerados relevantes para essas atividades estão lítio, níquel e elementos de terras raras, utilizados em diferentes aplicações industriais.
A pesquisa também avalia os instrumentos de política industrial existentes e sua relação com as necessidades das empresas.
Segundo Rodrigo Curi, especialista em Políticas e Indústria da CNI, a primeira etapa do trabalho envolve a análise de dados e o diagnóstico dos diferentes segmentos da cadeia de baterias.
A próxima fase prevê entrevistas com representantes das atividades produtivas envolvidas, permitindo incorporar informações das empresas à elaboração das recomendações.
Brasil busca ampliar processamento de matérias-primas
O Brasil possui reservas minerais relevantes para setores ligados à transição energética, à digitalização e à fabricação de equipamentos tecnológicos.
Entretanto, a disponibilidade desses recursos não significa, necessariamente, que o país já tenha capacidade instalada para realizar todas as etapas de transformação industrial.
Por isso, uma das questões examinadas pela pesquisa é a possibilidade de ampliar atividades como beneficiamento mineral, refino e produção de componentes utilizados na fabricação de baterias.
Para o superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, o desenvolvimento dessas atividades pode contribuir para aumentar o valor agregado da produção brasileira.
Na avaliação do executivo, a indústria nacional precisa identificar oportunidades compatíveis com sua capacidade produtiva, considerando os investimentos e as tecnologias necessários.
As conclusões sobre quais segmentos oferecem melhores condições de desenvolvimento dependerão dos resultados do estudo.
Minerais críticos têm aplicações em diferentes setores
A expressão minerais críticos é utilizada para identificar recursos importantes para determinadas atividades econômicas cujo fornecimento pode enfrentar riscos ou limitações.
Esses minerais são utilizados em tecnologias associadas à geração e ao armazenamento de energia, à indústria automotiva, à eletrônica e a equipamentos de alta tecnologia.
O lítio e o níquel, por exemplo, podem integrar diferentes tecnologias de baterias recarregáveis. Outros minerais são empregados na fabricação de motores elétricos, equipamentos eletrônicos e sistemas de geração de energia.
As aplicações variam conforme as características de cada material e a tecnologia utilizada.
O avanço da eletrificação e de outras atividades industriais tem ampliado o interesse de governos e empresas pela segurança do abastecimento desses recursos.
Parceria internacional vai apoiar recomendações
O acordo de cooperação técnica reúne instituições com atuação em pesquisa industrial, cadeias produtivas e transição energética.
O Net Zero Industrial Policy Lab, ligado à Universidade Johns Hopkins, contribuirá com análises sobre o mercado internacional de minerais críticos e baterias.
Segundo Tim Sahay, codiretor do laboratório, o trabalho pretende examinar as condições de participação do Brasil nessas cadeias, considerando a concorrência internacional e os desafios relacionados a investimentos e tecnologia.
O Instituto E+ Transição Energética participa da iniciativa com estudos sobre desenvolvimento industrial e transformação energética.
A diretora-executiva da instituição, Rosana Santos, destaca a importância de avaliar separadamente as oportunidades oferecidas por cada cadeia produtiva.
A análise deverá considerar fatores como capacidade industrial, infraestrutura, acesso à tecnologia e possibilidades de integração com fornecedores e fabricantes.
Nova legislação estabelece política nacional para minerais críticos
O estudo ocorre após a aprovação da Lei nº 15.506, de 16 de setembro de 2026, que instituiu a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
A legislação também criou o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República.
O conselho tem entre suas atribuições propor e acompanhar medidas destinadas ao desenvolvimento das cadeias produtivas desses recursos no Brasil.
O funcionamento do colegiado foi regulamentado pelo Decreto nº 13.118/2026.
A CNI participa do conselho como representante do setor privado, com direito a voto.
A política nacional prevê diretrizes para estimular atividades de pesquisa, extração, beneficiamento e transformação industrial, além de instrumentos voltados à inovação e ao desenvolvimento tecnológico.
O estudo conduzido pela CNI e pelas instituições parceiras poderá fornecer informações técnicas para essas discussões.
Diagnóstico ainda não apresenta conclusões definitivas
Embora o levantamento identifique oportunidades para a indústria brasileira, a pesquisa ainda não divulgou uma avaliação conclusiva sobre os segmentos que receberiam prioridade ou o volume de investimentos necessário.
Também não foram apresentados resultados definitivos sobre a viabilidade econômica de novas unidades industriais ou a capacidade de fabricação de baterias em escala nacional.
Essas definições dependerão da conclusão do diagnóstico, das entrevistas com representantes do setor e da análise das condições de mercado.
A iniciativa pretende oferecer uma base de informações para orientar decisões de empresas e formuladores de políticas públicas, considerando tanto as oportunidades quanto as limitações da estrutura produtiva brasileira.
O desenvolvimento dessas cadeias também exigirá atenção aos impactos ambientais da mineração e do processamento industrial, além das exigências legais aplicáveis a cada empreendimento.