Empresa avalia melhorias no acesso de navios e projeta elevar a movimentação de cargas para 15 milhões de toneladas até 2030
A Vports, responsável pela administração dos portos de Vitória, Vila Velha e Barra do Riacho, em Aracruz, prepara a primeira revisão dos parâmetros de seu contrato de concessão, prevista para 2027. O procedimento permitirá avaliar o desempenho da infraestrutura portuária e estudar novos investimentos para atender às necessidades das operações no Espírito Santo.
A revisão está prevista no modelo de concessão iniciado em 2022, quando a antiga Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) passou à administração privada. O contrato tem duração de 35 anos e estabelece mecanismos para adequar as condições de exploração dos portos às mudanças do setor.
Entre as intervenções em estudo estão o aprofundamento do canal de acesso, melhorias para receber embarcações de maiores dimensões, aquisição de equipamentos e medidas para aumentar a eficiência operacional.
As propostas ainda serão avaliadas no processo de revisão contratual. Portanto, os investimentos mencionados não representam obras já aprovadas ou com execução definida.
A diretora Jurídica e Regulatória da Vports, Adriana Pessotti, apresentou as perspectivas da companhia durante o painel “Infraestrutura & Comércio Exterior – riscos e oportunidades”, realizado no 2º Encontro Mulheres a Bordo, em Brasília.
Movimentação de cargas pode chegar a 15 milhões de toneladas
A empresa estima encerrar 2026 com movimentação de aproximadamente 9 milhões de toneladas de cargas. Para 2030, a projeção é alcançar 15 milhões de toneladas, com possibilidade de atingir 20 milhões até 2057, último ano do período original da concessão.
Segundo Adriana Pessotti, o mecanismo de revisão permite considerar investimentos que não estavam previstos quando o contrato foi firmado.
A companhia pretende avaliar também a atualização dos indicadores utilizados para acompanhar o desempenho dos portos.
Além do volume de cargas movimentadas, poderão ser considerados aspectos como produtividade, eficiência energética, sustentabilidade ambiental e impactos sociais das atividades portuárias.
A revisão busca identificar quais mudanças são necessárias para acompanhar a evolução do comércio exterior e das demandas logísticas do Espírito Santo.
Contrato de concessão começou em 2022
A Vports assumiu a administração portuária após a desestatização da Codesa, realizada em 2022. O processo marcou a primeira concessão à iniciativa privada de uma autoridade portuária brasileira.
O contrato abrange os portos organizados de Vitória e de Barra do Riacho. Na região metropolitana, a estrutura portuária compreende instalações localizadas em Vitória e Vila Velha.
A concessionária é responsável pela administração das áreas portuárias, enquanto a movimentação de mercadorias nos terminais permanece sob responsabilidade dos respectivos operadores.
Nos primeiros anos da concessão, a Vports concentrou suas atividades no cumprimento das obrigações contratuais e na adequação de procedimentos administrativos e operacionais.
De acordo com a companhia, esse período também incluiu a obtenção de quatro certificações ISO, reconhecimento da Controladoria-Geral da União por práticas de integridade e classificação de risco de crédito AAA pela Fitch Ratings.
A empresa considera que esses resultados ampliam suas possibilidades de acesso a financiamento para investimentos em infraestrutura.
Sustentabilidade integra estudos para a próxima fase
A agenda de investimentos em avaliação também contempla soluções para reduzir os impactos ambientais das operações.
Uma das possibilidades estudadas é a instalação de sistemas de fornecimento de energia elétrica para navios atracados. Essa tecnologia permite que embarcações compatíveis utilizem eletricidade fornecida em terra, reduzindo a necessidade de manter determinados motores auxiliares em funcionamento durante a permanência no porto.
A medida pode contribuir para diminuir emissões atmosféricas e ruídos nas áreas portuárias, dependendo das características dos equipamentos e da energia utilizada.
Outras iniciativas em análise envolvem eficiência energética e modernização de processos operacionais.
A definição dos projetos dependerá da conclusão dos estudos técnicos, das condições de viabilidade e dos procedimentos regulatórios aplicáveis.
Com a revisão prevista para 2027, a Vports pretende estabelecer as prioridades de investimento para a próxima etapa da concessão, considerando o crescimento projetado da movimentação de cargas e as necessidades de infraestrutura dos portos capixabas.