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Política

Relator da redução de penas no Senado se diz pró-anistia e afirma que perdão é decisão política

FolhaPress 10/12/2025 17:42

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O relator do projeto de lei que reduz as penas dos condenados no processo da trama golpista, Esperidião Amin (PP-SC), afirmou nesta quarta-feira (10) ser a favor da anistia e que perdoar ou não os condenados será uma decisão política. Ele é o responsável pelo projeto na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.

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Ele também disse que trabalhará para o projeto ser votado ainda neste ano. Esperidião afirmou que o relatório deverá ser entregue à CCJ até a próxima quarta-feira (17).

"Eu defendo a anistia. Agora, eu não sou eleitor apenas, eu sou o relator", declarou Esperidião, referindo-se à necessidade de a relatoria partir de um projeto já aprovado pela Câmara e de considerar sugestões dos demais senadores sobre o projeto.

Amin não descartou a possibilidade de a proposta que reduz penas, sob sua relatoria e análise do Senado, transformar-se em anistia. "Qual é o impedimento? O impedimento será por decisão política", disse ele.

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"Há um reconhecimento unânime, se não for unânime, pelo menos de uma fortíssima maioria, de que as penas são exorbitantes", declarou o senador. Ele ressalvou, porém, que é difícil agradar a todos os envolvidos em uma discussão como essa: "Se nem a Helena, com toda a beleza dela, conseguiu conciliar gregos e troianos..."

O senador defende que uma anistia é constitucional e citou uma votação durante a elaboração da Constituição em que o veto a esse tipo de perdão foi retirado. Ele também menciona o apoio de políticos de esquerda, à época, a essa derrubada. "A intenção de proibir a anistia foi derrotada na Constituinte", disse ele.

Esperidião Amin foi anunciado como relator na manhã desta quarta pelo presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA).

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O catarinense é um senador da direita tradicional que se aproximou do bolsonarismo nos últimos anos. Recentemente, ele passou a enfrentar o risco de perda de apoio do grupo em sua busca por reeleição em Santa Catarina em 2026 -que deve ter Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, disputando uma das vagas pelo estado.

A relatoria do projeto de redução de penas poderá ajudar a impulsionar sua popularidade junto ao numeroso eleitorado bolsonarista de Santa Catarina. A pauta é cara a esse grupo político.

Se entrar em vigor, a proposta reduzirá a punição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e libertará pessoas que foram condenadas a penas menores no processo sobre a trama golpista que culminou nos ataques às sedes dos três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

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A proposta de redução de penas foi votada na madruga desta quarta-feira na Câmara. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), queria que o projeto tramitasse de maneira expressa na Casa, mas precisou enviar o texto para análise preliminar da CCJ após pressão de senadores.

A proposta que reduz as penas ficou travada por meses na Câmara porque o PL insistia em uma anistia completa. O projeto avançou depois de o grupo político bolsonarista aceitar diminuir as punições em vez de perdoá-las integralmente.

A aprovação pelos deputados veio dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pressionar pela anistia ao dizer que poderia desistir de ser candidato à Presidência em troca do perdão ao seu pai, Jair Bolsonaro, o principal condenado no processo da trama golpista.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), no entanto, disse que pautou o tema por vontade própria e não para atender a algum pedido.

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