Diagnóstico da Fecomércio-ES identifica oportunidades na construção civil, agroindústria e serviços especializados

O turismo representa 21,06% da economia de Guarapari, mas o município tem oportunidades de ampliar a geração de empregos e renda em outros setores. É o que aponta o Diagnóstico Técnico e Territorial de Guarapari 2026, apresentado pelo Connect Fecomércio-ES na terça-feira (3), durante reunião do Conselho Municipal de Trabalho e Renda, no Sesc Guarapari.
O levantamento identifica potencial de expansão na construção civil, na agroindústria e em serviços especializados. A proposta é estimular atividades que complementem o turismo e ajudem a reduzir as oscilações econômicas entre a alta e a baixa temporada.
Conforme estimativas do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) referentes a 2023, Guarapari tem a segunda maior participação do turismo no Produto Interno Bruto (PIB) entre os municípios capixabas. O percentual de 21,06% fica atrás apenas de Domingos Martins, onde o setor corresponde a 23,88%.
A movimentação de visitantes beneficia hospedagem, alimentação, comércio, transporte e serviços imobiliários. Na temporada de verão de 2026, aproximadamente 63% dos turistas de Guarapari vieram de Minas Gerais, segundo pesquisa da Secretaria de Estado do Turismo.
Para o coordenador do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, essa circulação de pessoas sustenta uma cadeia de negócios.
“A movimentação turística beneficia diretamente hotéis, pousadas, bares, restaurantes e estabelecimentos comerciais, além de impulsionar segmentos como transporte de passageiros, serviços imobiliários e outras atividades ligadas ao atendimento dos visitantes. Essa dinâmica fortalece a geração de empregos, amplia as oportunidades de negócios e contribui para a circulação de renda no município”.
A concentração econômica, porém, também exige planejamento para os períodos de menor procura.
“A concentração de atividades ligadas ao turismo torna a economia municipal mais sensível às oscilações da demanda, às condições climáticas, às mudanças no comportamento dos consumidores e aos períodos de menor movimentação turística”, avalia Spalenza.
Em 2023, o PIB de Guarapari alcançou R$ 3,391 bilhões, colocando a cidade na 14ª posição entre as maiores economias do Espírito Santo. O município respondeu por 1,62% da riqueza produzida no estado naquele ano.
Os dados setoriais de 2021 mostram o peso dos serviços, responsáveis por 57,5% do Valor Adicionado Bruto municipal. A administração pública representou 26,9%, a indústria, 12,7%, e a agropecuária, aproximadamente 3%.
O crescimento populacional é outro fator apontado como oportunidade para novos investimentos. Entre 2010 e 2022, Guarapari ganhou 19.370 moradores, uma expansão de 18,4%, e chegou a 124.656 habitantes, segundo o Censo do IBGE.
Foi o quarto maior aumento absoluto de população do Espírito Santo no período, atrás de Serra, Vila Velha e Linhares. A taxa média anual de crescimento foi de 1,42%, ante 0,73% no estado.
Esse avanço amplia a demanda por moradias, infraestrutura, comércio e serviços. O número de domicílios chegou a 46.731 em 2022, cerca de 40% acima do registrado em 2010.
A mudança no perfil etário também abre espaço para atividades especializadas. A participação de pessoas com 60 anos ou mais passou de 10,8% para 17,5% entre os dois censos. O diagnóstico relaciona esse cenário à maior demanda por saúde, bem-estar, cuidados e acessibilidade.
Na agropecuária, Guarapari concentra 29,3% do valor da produção da Região Metropolitana da Grande Vitória, liderando o indicador regional. Segundo o estudo, a integração da atividade rural com a agroindústria pode agregar valor aos produtos locais e estimular novos empreendimentos.
“O estudo também identifica perspectivas de expansão em atividades intensivas em conhecimento e em serviços especializados, como tecnologia da informação, arquitetura, engenharia, serviços imobiliários, saúde, seguros e segurança privada”, afirma Spalenza.
O diagnóstico reúne informações econômicas, demográficas, empresariais e do mercado de trabalho de instituições como IBGE, IJSN, Ministério do Trabalho e Emprego, Receita Federal, Sebrae, Setur-ES e Incaper. O material foi elaborado para apoiar o planejamento de políticas públicas e decisões de investimento no município.