A política da Serra, município localizado na Região Metropolitana da Grande Vitória, tem sido marcada por um personagem que atravessa décadas, disputas, composições e rupturas: o médico, ex-deputado federal, ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT), e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do governo de Renato Casagrande.Aos 66 anos, com uma carreira consolidada tanto no Executivo quanto no Legislativo, ele observa atentamente os rumos da política capixaba enquanto seu nome permanece entre os mais influentes do Estado. Em 2026, a presença de sua família na arena eleitoral poderá ganhar um novo capítulo, com a possível candidatura de seu filho, o médico oftalmologista Sérgio Vidigal Filho, a deputado federal pelo PDT.Transferência de votos, influência direta e liderança de grupo são marcas da trajetória de Vidigal. Em 2004, após dois mandatos como prefeito da Serra, conseguiu eleger seu então secretário de Administração, Audifax Barcelos, que mais tarde se tornaria seu principal adversário político.Em 2020, viu outro nome ligado à sua gestão, o então secretário Weverson Meireles, conquistar a prefeitura da Serra, superando adversários experientes, entre eles Audifax Barcelos. A força do nome Sérgio Vidigal, ao que tudo indica, continua a repercutir nas urnas.Sérgio Vidigal é médico psiquiatra de formação. Iniciou sua trajetória política como vereador da Serra, antes de assumir a prefeitura em 1997. Foi reeleito em 2000 e, após um intervalo, voltou ao cargo em 2009, encerrando seu terceiro mandato em 2012. Em 2014, elegeu-se deputado federal, com breve interrupção entre 2017 e 2020, quando reassumiu a prefeitura do município pela quarta vez.No Congresso, construiu um currículo voltado à saúde pública, infraestrutura e cultura. Uma de suas iniciativas mais emblemáticas foi a articulação de recursos para o Hospital Materno Infantil da Serra, considerado referência na região, além de recursos financeiros para construção da estrada que contorna o Mestre Álvaro, obra que melhorou sensivelmente o trânsito na região. Também é de sua autoria a lei que reconhece Santa Teresa como o primeiro município brasileiro a receber imigrantes italianos, valorizando o patrimônio histórico-cultural do Espírito Santo.Ao longo do tempo, Vidigal cultivou a imagem de político pragmático e eficiente. Em um cenário de desconfiança em relação à política tradicional, sua postura de gestor técnico o manteve competitivo e respeitado tanto por aliados quanto por adversários.A eleição de Weverson Meireles em 2024 consolidou a linha administrativa implementada nas últimas gestões da Serra. Sem carreira eleitoral anterior, Weverson construiu sua candidatura com base na experiência técnica em cargos de gestão pública e apresentou uma plataforma de continuidade com inovação. Sua vitória reforçou a percepção de que a população serrana valoriza resultados e estabilidade política.Desde então, Weverson Meireles tem administrado com foco em programas sociais, mobilidade urbana e modernização da gestão. Sua atuação contribui para manter o município em destaque no cenário capixaba, e seu governo tem dialogado com diversas frentes políticas, incluindo a bancada federal do Estado.O cenário eleitoral de 2026 já começa a se formar, e a movimentação de lideranças tradicionais indica que o pleito será disputado não apenas entre partidos, mas entre projetos políticos de longa duração. Figuras experientes continuam a influenciar a dinâmica local, ao mesmo tempo em que surgem novos quadros com formação técnica e aspirações políticas.A possível candidatura de Sérgio Vidigal Filho, oftalmologista com atuação reconhecida na área da saúde, surge nesse contexto. A expectativa é que seu nome seja apresentado ao eleitorado capixaba com propostas vinculadas à sua formação e experiência profissional, e não apenas ao legado familiar. O PDT, partido pelo qual deve concorrer, tem buscado renovar quadros e reforçar sua presença no Estado, especialmente na Região Metropolitana.A eleição de 2026 colocará em disputa não apenas cargos, mas ideias de continuidade e renovação. A política capixaba, marcada por alternância moderada e alianças pragmáticas, exige dos candidatos mais do que sobrenomes conhecidos: requer preparo, clareza programática e inserção real nos territórios.Com uma base eleitoral sólida na Serra e histórico de entregas em áreas sensíveis como saúde e infraestrutura, Sérgio Vidigal segue como um dos nomes centrais do xadrez político estadual. Sua capacidade de articulação, construída ao longo de décadas, poderá ter reflexo direto no próximo ciclo. Mas, como sempre, será o eleitorado quem dará a palavra final — seja em nome da tradição, seja em nome da mudança.