Por Marcelo Rossoni
O Serviço Social do Comércio no Espírito Santo vive um momento de inflexão administrativa e estratégica. Sob o comando de Luiz Henrique Toniato, a instituição abandona uma postura mais protocolar e assume uma agenda de expansão concreta, visível e mensurável. Não se trata apenas de anunciar obras ou divulgar números expressivos de investimento. O que está em curso é um reposicionamento institucional que pretende alinhar o Sesc-ES ao novo ritmo de desenvolvimento econômico do Estado.
Até 2028, mais de R$205 milhões deverão ser aplicados diretamente na estrutura do Sesc, dentro de um pacote mais amplo que, somado ao Senac, ultrapassa R$400 milhões em aportes. É o maior ciclo de investimentos já anunciado pela instituição no Espírito Santo. O volume chama atenção, mas o que diferencia o momento atual é a lógica que sustenta os aportes: modernização, ampliação territorial e foco no trabalhador do comércio como destinatário central das políticas executadas.
As intervenções físicas são evidentes. Em Colatina, a unidade passa por reforma estrutural abrangente, envolvendo escola, biblioteca, laboratórios, quadras e áreas administrativas. Na capital, a sede no Parque Moscoso recebe adequações importantes, sobretudo em acessibilidade, e a tradicional Praça Misael Pena foi revitalizada, reforçando a integração entre o equipamento institucional e o espaço urbano. Em Vila Velha, a modernização da unidade inclui nova reorganização de fluxos internos, ampliação de ambientes pedagógicos e melhoria da recepção ao público. A infraestrutura deixa de ser apenas manutenção e passa a ser vetor de qualificação do serviço.
O programa Mesa Brasil também amplia sua capilaridade. Ao alcançar 35 municípios e preparar a inauguração de nova estrutura operacional na Ceasa, em Cariacica, o Sesc demonstra que pretende fortalecer sua atuação na segurança alimentar. A expectativa de aumento na capacidade de arrecadação e distribuição de alimentos indica planejamento logístico e expansão de rede, o que reforça a dimensão social da instituição.
Na área educacional, o avanço se manifesta na modernização das salas de aula e no projeto de climatização integral das unidades escolares. A ampliação dos anos finais do Ensino Fundamental está no radar estratégico, sinalizando que o Sesc pretende consolidar sua rede como referência educacional voltada aos trabalhadores do comércio e seus dependentes. A aposta é clara: educação como instrumento de mobilidade social e qualificação humana.
O turismo social, historicamente um dos pilares do Sesc, passa por uma das maiores reestruturações das últimas décadas no Estado. As unidades de Guarapari, Praia Formosa e Domingos Martins recebem investimentos robustos. Apartamentos são modernizados, restaurantes passam por adequações, parques aquáticos são revitalizados e estruturas esportivas recebem padrão técnico mais elevado.
Em Domingos Martins, o projeto de implantação de um centro de convenções amplia o alcance da unidade para o turismo de negócios, diversificando a vocação tradicional de lazer. Os números recentes mostram crescimento expressivo no volume de viajantes atendidos nos últimos anos, indicando que o turismo social deixou de ser atividade complementar e passou a ter papel relevante na economia regional.
A cultura também segue em movimento de descentralização. Espaços em municípios do interior estão sendo adaptados para receber apresentações artísticas, oficinas e atividades formativas. Em Vitória, o Centro Cultural Sesc Glória passou por melhorias técnicas que ampliaram sua capacidade de realização de eventos. A política cultural assume contornos mais capilarizados, reduzindo a concentração exclusiva na capital e ampliando o acesso em outras regiões do Estado.
Na saúde, a instituição aposta na presença itinerante. A unidade móvel voltada à saúde da mulher, com exames preventivos, leva atendimento a municípios com demanda reprimida. O OdontoSesc retoma protagonismo com clínica móvel equipada, ampliando o alcance das ações odontológicas. Programas voltados à educação em saúde dentro de empresas e territórios reforçam a dimensão preventiva e comunitária do atendimento.
O que se observa, portanto, não é apenas um conjunto de obras distribuídas pelo mapa capixaba. Há sinais de reorganização interna, revisão de processos e modernização tecnológica. A gestão atual adota discurso voltado à eficiência, planejamento e execução em ritmo acelerado, mas com atenção ao uso responsável dos recursos.
O Sesc-ES parece compreender que o Espírito Santo atravessa fase de dinamismo econômico e que a instituição precisa acompanhar essa transformação para não se tornar periférica. Ao investir em infraestrutura, educação, turismo, cultura e saúde de forma integrada, constrói narrativa de desenvolvimento com inclusão social. O desafio, agora, será sustentar o ritmo anunciado, entregar as intervenções dentro dos prazos e assegurar que a ampliação física venha acompanhada de qualidade permanente na prestação de serviços.
Se esse ciclo de investimentos se consolidar conforme projetado, o Sesc capixaba poderá encerrar definitivamente qualquer percepção de imobilismo administrativo que porventura tenha marcado períodos anteriores. A instituição entra em um momento de afirmação, no qual a expansão deixa de ser discurso e passa a ser materializada em concreto, programas e resultados. O futuro do projeto dependerá menos da retórica e mais da capacidade de transformar planejamento em realidade contínua.
Marcelo Rossoni é jornalista