O cenário político do Espírito Santo começa a ganhar contornos mais definidos para as eleições de 2026, e o nome de Lorenzo Pazolini, prefeito de Vitória, surge como uma das figuras centrais nessa disputa.Caso decida concorrer ao governo do Estado, Pazolini terá como principal adversário Ricardo Ferraço, mas sua trajetória recente indica que ele pode atrair uma parcela significativa das lideranças de direita e centro-direita, além de conquistar o apoio de eleitores insatisfeitos e setores convencionais da política do Espírito Santo.Apesar de ser relativamente novo na política, Pazolini tem demonstrado uma habilidade notável em ler e interpretar o tabuleiro do poder. Seus movimentos estratégicos, aliados a uma cartilha bem organizada, o colocam como um dos protagonistas para o pleito de 2026. Um dos trunfos do prefeito é a aliança com Cris Samorini, que é uma empresária da terceira geração de uma família que se dedicou e obteve grande sucesso no ramo da indústria gráfica, e ex-presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), que trouxe consigo a simpatia do empresariado, especialmente do setor industrial. Essa parceria não apenas fortalece sua base de apoio, mas também sinaliza uma possível continuidade de políticas voltadas para o desenvolvimento econômico.Caso Pazolini seja eleito governador e aterrisse no Palácio Anchieta, ele entregaria a Prefeitura de Vitória a Cris Samorini, filiada ao PP (Partido Progressista). No entanto, uma questão que surge é: qual PP estaria representado nessa transição? O de Evair de Melo ou o de Josias da Vitória? O deputado federal Josias Da Vitória tem se mostrado um forte aliado de Renato Casagrande, tendo recentemente selado uma aliança com o governador, indicando um nome ao secretariado. Da Vitória sugeriu mudanças na Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb), ocupada pelo defenestrado Marcus Vicente, ex-presidente do PP-ES, e foi atendido plenamente por Casagrande. O indicado foi Marcos Aurélio, então subsecretário da Sedurb.
Esse comportamento reflete as nuances e as divisões internas que permeiam os partidos políticos, especialmente em um cenário de alianças complexas.O prefeito de Vitória também conta com a simpatia de partidos de direita, centro-direita e até mesmo de grupos que não encontraram espaço no governo de Renato Casagrande. Além disso, Pazolini tem atraído os chamados "infieis" da política, aqueles que mudam de lado conforme os ventos sopram e as conversas ao pé do ouvido se intensificam. Esse apoio diversificado pode ser uma vantagem, mas também um desafio, já que exige um delicado equilíbrio para manter coesão entre aliados com interesses distintos.Na Grande Vitória, região metropolitana que concentra boa parte do eleitorado do Estado, Pazolini precisará demonstrar um jogo de cintura político capaz de equilibrar as forças em disputa.A frente ampla que sustenta o Palácio Anchieta atualmente possui uma agenda robusta de entregas e conta com um time de prefeitos bem avaliados, especialmente na região metropolitana. Esse cenário exige que Pazolini construa uma estratégia sólida para ampliar sua base de apoio e conquistar eleitores além da capital.Até o momento, o prefeito de Vitória parece ter atingido seu objetivo inicial: provocar o Palácio Anchieta e se colocar como uma opção viável na corrida eleitoral de 2026. No entanto, o caminho até lá não será fácil. Pazolini precisará demonstrar que tem oxigênio suficiente para manter sua trajetória ascendente e capacidade relacional para inverter a pirâmide de poder. Afinal, não adianta acelerar as passadas iniciais e perder fôlego nas curvas decisivas, próximas à linha de chegada.Em resumo, o voo de Pazolini é um dos fenômenos políticos mais interessantes a serem observados nos próximos anos no Espírito Santo. Sua capacidade de articulação, aliada ao apoio do empresariado e de setores variados da política, pode torná-lo um forte concorrente ao governo do Estado. Resta saber se ele conseguirá manter a altitude necessária para cruzar a linha de chegada em 2026.