*Por Marcelo RossoniNos últimos meses, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem registrado avanços significativos na economia brasileira. No entanto, grande parte da população parece não perceber esses progressos. A culpa, muitas vezes, é atribuída à ineficiência da Secretaria de Comunicação (Secom), mas há um fator mais profundo em jogo: a tendência da grande mídia de priorizar más notícias em detrimento das boas. É como diz o velho ditado falado nas redações: “notícia boa não é notícia. É comercial. ”Lula tem de chegar 2026, desgastado e desidratado politicamente para que o “fantasma mercado” possa viabilizar o “Tertius Gaudens” , que traduzindo a para o bom português, o termo que é atribuído ao sociólogo e filósofo alemão Georg Simmel, quer dizer o terceiro se beneficia. Em outras palavras, a “terceira via”.Enquanto a imprensa se dedica a destacar supostos erros de português nos discursos de Lula ou a criticar o vestuário da primeira-dama, Janja, questões estruturais e políticas econômicas de grande impacto são tratadas com menor rigor. Um exemplo claro é a taxa de juros elevada, mantida pelo Banco Central, que tem sido alvo de críticas por beneficiar principalmente os bancos, grandes anunciantes da mídia tradicional. Basta analisar os balanços trimestrais das instituições financeiras para comprovar os lucros exorbitantes.Falando em lucros, é curioso observar como os apresentadores de telejornais e articulistas comemoram os resultados bilionários dos bancos, enquanto programas sociais como o Bolsa Família, que beneficiam milhões de brasileiros, são frequentemente questionados. Há, claramente, uma dissonância entre o que é noticiado e o que realmente impacta a vida da população.Outro ponto que chama atenção é a cobertura sobre a inflação, especialmente dos alimentos, que afeta diretamente os mais pobres. A mídia frequentemente atribui o problema ao déficit nas contas públicas, mas raramente menciona que parte desse déficit foi herdado do governo anterior, que deixou de pagar precatórios, obrigando o atual governo a arcar com uma dívida de quase R$100 bilhões.Uma pesquisa Datafolha, divulgada em 1º de janeiro, revela que 61% dos entrevistados acreditam que a trajetória econômica do país está equivocada. Por outro lado, 32% avaliam que o rumo está correto, e 6% não souberam responder. Esses dados, amplamente divulgados, parecem reforçar uma narrativa de pessimismo. No entanto, é importante questionar: até que ponto a população tem acesso a informações completas e equilibradas para formar sua opinião?Dia 4, quarta-feira, foi divulgada nova pesquisa. Desta vez produzida pela Genial Quaest. Aponta que a desaprovação ao governo do presidente Lula (PT) atingiu 57% dos eleitores brasileiros. O índice é o mais alto desde o início do atual mandato. Já a aprovação caiu para 40%, também o menor nível registrado até agora. Ambas as variações ocorreram dentro da margem de erro.De acordo com o levantamento, pela primeira vez, Lula passou a ser mais desaprovado do que aprovado entre católicos e entre eleitores com ensino fundamental. Entre os mais pobres, a aprovação, que até março era maior, agora está tecnicamente empatada com a desaprovação.A verdade é que a avaliação de políticas econômicas exige um conhecimento técnico que a maioria das pessoas não possui. Enquanto isso, indicadores positivos, como a queda do desemprego para o menor patamar em 12 anos. Em maio, segundo o IBGE, o desemprego ficou em 6%.Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 11,7 trilhões em 2024. Já o PIB per capita chegou a R$55.247,45, com avanço real de 3,0% frente ao ano anterior.Diante desses números, é difícil entender tanto pessimismo. A economia brasileira mostra sinais de recuperação, com geração de empregos e expansão do PIB. No entanto, a percepção pública parece não acompanhar esses avanços. Será que a forma como as notícias são veiculadas contribui para essa distorção?É inegável que a mídia tem um papel crucial na formação da opinião pública. Quando boas notícias são tratadas com desdém, cria-se um cenário de desconfiança e desalento. Por outro lado, más notícias, mesmo que descontextualizadas, ganham destaque e reforçam uma visão negativa da realidade.Enquanto o governo Lula avança em suas políticas econômicas, é essencial que a mídia e a sociedade reflitam sobre como as informações são transmitidas e consumidas. A população merece ter acesso a uma cobertura jornalística equilibrada, que destaque tanto os desafios quanto as conquistas. Afinal, notícias boas também são notícias – e podem ser poderosas ferramentas para inspirar confiança e esperança em um futuro melhor.Se queremos um país mais justo e informado, é hora de repensar a forma como contamos nossas histórias. As boas notícias não devem ser tratadas como comerciais, mas como parte essencial do debate público. Só assim poderemos construir uma narrativa mais fiel à realidade e, quem sabe, mudar a percepção de milhões de brasileiros.