Por Marcelo Rossoni A formalização da federação partidária União Progressista, composta pelos partidos União Brasil e Progressistas (PP), promete redesenhar o tabuleiro político no Espírito Santo. Essa união, que tem caráter nacional, ganha contornos especialmente relevantes no estado, onde dois dos principais representantes do PP, os deputados federais Josias da Vitória e Evair de Melo, assumem papeis centrais na articulação e consolidação da nova força política. O cenário aponta para um reposicionamento de alianças e estratégias que impactarão diretamente o pleito de 2026. Em nível estadual, a federação conta com os deputados Bruno Rezende, Denninho Silva e Marcelo Santos, todos do União Brasil, e apenas Raquel Lessa do PP. 13 de um total de 78 Prefeituras do Estado serão administradas pela união dessas duas agremiações políticas. Sendo que a hegemonia será do PP, que detém 12 das 13 administrações municipais e possui 121 vereadores. O União Brasil tem apenas uma prefeitura, a de Jaguaré, no Norte do Estado, e 35 vereadores. Os prefeitos que participam da nova federação são: Ferraço, Cachoeiro do Itapemirim; Dr. Coutinho, Aracruz; Luciano Pimenta, Afonso Cláudio; Wagner Rodrigues, Guaçuí; Nirrô, Alegre; Guima, Pancas; Sidney Gobbi, Marechal Floriano; Davi Ramos, Vila Valério.Todos eleitos pela União Brasil. Marcos Guerra, Jaguaré e Hugo Luiz, Alfredo Chaves foram eleitos pelo PP. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a federação partidária foi instituída pelo Congresso Nacional na Reforma Eleitoral de 2021, conforme a Lei nº 14.208/2021. “É a reunião de partidos em federações foi criada com o objetivo de permitir às legendas atuarem de forma unificada em todo o país. Funciona como um teste para uma eventual fusão ou incorporação de legendas”, informa o TSE. O TSE ainda completa a sua informação: “As federações partidárias podem ter candidatas e candidatos tanto nas eleições majoritárias (cargos de presidente da República, governador de estado, senador e prefeito) quanto nos pleitos proporcionais (cargos de deputado federal, deputado estadual ou distrital – no caso, do Distrito Federal – e vereador). A Federação União Progressista tem todas as chances de se transformar em um caldeirão ideológico onde ideias políticas, culturais, religiosas e sociais se misturam, podendo criar tensões, mas também oportunidades de transformação. Esse ambiente pode gerar conflitos, polarizações ou sinergias. A federação União Progressista surge como resposta à necessidade de fortalecimento de siglas de centro-direita diante do avanço de grupos mais polarizados, tanto à esquerda quanto à extrema-direita , e pode se tornar o fiel da balança no pleito eleitoral de 2026. No Espírito Santo, onde a disputa entre forças conservadoras e progressistas é intensa, a federação tende a consolidar uma terceira via robusta, capaz de disputar com o PSB do governador Renato Casagrande e com o PL, partido que tem atraído setores bolsonaristas. Josias da Vitória, conhecido por seu pragmatismo e habilidade em transitar entre diferentes espectros ideológicos, representa um elo fundamental entre a federação e lideranças locais de peso. Apesar de manter boas relações com Casagrande e o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, ambos desafetos políticos, Josias se mantém como articulador influente, especialmente na Região Metropolitana e também nas cidades do interior do Estado. Sua capacidade de costurar alianças, mesmo com adversários pontuais, pode se traduzir em vantagem estratégica para a federação, caso consiga unificar candidaturas majoritárias ou viabilizar chapas competitivas. Já Evair de Melo, com forte base eleitoral no interior, sobretudo nas regiões sul e noroeste do estado, aposta em uma estratégia diferente. Alinhado ao agronegócio e com forte discurso conservador, Evair prefere alianças com lideranças municipais, vereadores e prefeitos, o que lhe confere capilaridade e prestígio em redutos eleitorais tradicionalmente negligenciados pelas grandes legendas. Essa abordagem territorial e setorial fortalece a presença da federação fora dos grandes centros, criando uma rede de apoio valiosa para 2026. A convivência entre esses dois perfis distintos dentro da mesma federação pode ser tanto um desafio quanto uma oportunidade. A complementaridade entre Josias da Vitória e Evair de Melo pode gerar uma sinergia capaz de alavancar candidaturas competitivas tanto para a Assembleia Legislativa quanto para a Câmara dos Deputados. A federação, por sua natureza, exige coordenação e unidade em votações e candidaturas, o que impõe a ambos os parlamentares a necessidade de composição e diálogo permanentes. No plano estadual, a União Progressista pode ser protagonista na construção de uma candidatura ao governo em 2026. Caso decida por um nome próprio, a federação precisaria encontrar um ponto de equilíbrio entre os interesses de Josias e Evair. Alternativamente, poderá negociar apoio a outro campo político, com potencial de barganhar espaços em um futuro governo estadual. Neste contexto, ambos os deputados ganham relevância: Josias por sua interlocução com lideranças institucionais e Evair por sua influência sobre prefeitos e lideranças de base. A disputa para o Senado também será influenciada pela federação. Em um cenário de vagas limitadas e grande concorrência, a União Progressista poderá investir em um nome com densidade estadual. Evair, já cogitado em pleitos anteriores, desponta como opção natural, sobretudo se mantiver sua projeção nacional e o apoio do agronegócio. Josias, por sua vez, pode optar por reeleição ou articular candidaturas de aliados próximos, mantendo-se como um dos principais caciques do partido. É nesse contexto que se encaixa o republicano prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini A federação também tem impacto direto na formação das nominatas proporcionais. Com as novas regras eleitorais e a exigência de desempenho conjunto nas urnas, União Brasil e Partido Progressista precisarão montar chapas equilibradas, evitando o fenômeno dos puxadores de votos que desequilibram a representatividade interna. Nesse sentido, a atuação de Josias e Evair será determinante na seleção de nomes competitivos e na organização das campanhas nos seus respectivos redutos. Outro aspecto relevante é o financiamento. A federação tem acesso ao fundo partidário unificado, o que aumenta o poder de fogo financeiro para campanhas. Com essa vantagem, a expectativa é que a União Progressista amplie sua bancada estadual e federal, sobretudo com o apoio logístico e financeiro viabilizado por figuras como Josias e Evair. A criação da federação União Progressista redefine o cenário político do Espírito Santo, equilibrando forças e propondo uma opção viável ao embate entre PSB e PL. Josias da Vitória e Evair de Melo, com estilos distintos, mas complementares, emergem como figuras-chave nesse novo arranjo, com potencial de liderar projetos majoritários e impulsionar candidaturas competitivas. O pleito de 2026, portanto, será o palco onde essa nova configuração testará sua força, influência e capacidade de mobilização em um estado cada vez mais estratégico no xadrez político nacional. Veja abaixo o tamanho da nova federação no Brasil
Veja abaixo o tamanho da nova federação no Espírito Santo
| Município | Prefeito/Partido | Vereadores PP | Vereadores União |
| Afonso Cláudio | Luciano Pimenta (PP) | 2 | 3 |
| Água Doce do Norte | - | 2 | - |
| Águia Branca | Jailson Quiuqui (PP) | 1 | - |
| Alegre | Nirrô (PP) | 3 | - |
| Alfredo Chaves | Hugo Luiz (PP) | 2 | - |
| Alto Rio Novo | - | 1 | - |
| Anchieta | - | 2 | 2 |
| Apiacá | - | - | - |
| Aracruz | Dr Coutinho (PP) | 4 | 1 |
| Atílio Vivácqua | - | 2 | 1 |
| Baixo Guandu | - | 1 | 1 |
| Barra de São Francisco | - | - | - |
| Boa Esperança | - | - | - |
| Bom Jesus do Norte | - | 1 | - |
| Brejetuba | - | 1 | - |
| Cachoeiro de Itapemirim | Ferraço (PP) | 1 | 2 |
| Cariacica | - | 3 | 2 |
| Castelo | - | 3 | 1 |
| Colatina | - | 3 | - |
| Conceição da Barra | - | - | 1 |
| Conceição do Castelo | - | - | - |
| Divino de São Lourenço | - | 2 | - |
| Domingos Martins | - | 3 | 1 |
| Dores do Rio Preto | Thiaguinho (PP) | 4 | 2 |
| Ecoporanga | - | 1 | - |
| Fundão | - | 1 | - |
| Governador Lindenberg | Leonardo Finco (PP) | 3 | - |
| Guaçuí | Vagner Rodrigues (PP) | 3 | - |
| Guarapari | - | 3 | 1 |
| Ibatiba | - | 1 | - |
| Ibiraçu | - | 2 | - |
| Ibitirama | - | 2 | - |
| Iconha | - | 2 | 2 |
| Irupi | - | 1 | 1 |
| Itaguaçu | - | 2 | - |
| Itapemirim | - | - | 2 |
| Itarana | - | 1 | - |
| Iúna | - | 1 | 2 |
| Jaguaré | Marcos Guerra (União Brasil) | 3 | 2 |
| Jerônimo Monteiro | - | - | - |
| João Neiva | - | - | - |
| Laranja da Terra | - | 1 | - |
| Linhares | - | 1 | 1 |
| Mantenópolis | - | 2 | 1 |
| Marataízes | - | - | |
| Marechal Floriano | Lidiney Gobbi (PP) | 3 | - |
| Marilândia | - | 2 | - |
| Mimoso do Sul | - | 2 | 1 |
| Montanha | - | - | - |
| Mucurici | - | 2 | - |
| Muniz Freire | - | - | - |
| Muqui | - | - | 1 |
| Nova Venécia | - | - | - |
| Pancas | Guima (PP) | 2 | - |
| Pedro Canário | - | 3 | - |
| Pinheiros | - | 2 | 2 |
| Piúma | - | 3 | 2 |
| Ponto Belo | - | 2 | - |
| Presidente Kennedy | Sem prefeito eleito | 2 | - |
| Rio Bananal | - | - | - |
| Rio Novo do Sul | - | - | - |
| Santa Leopoldina | - | 2 | - |
| Santa Maria de Jetibá | - | 1 | - |
| Santa Teresa | - | - | 1 |
| São Domingos do Norte | - | - | - |
| São Gabriel da Palha | - | 1 | - |
| São José do Calçado | - | - | - |
| São Mateus | - | 2 | - |
| São Roque do Canaã | - | 2 | - |
| Serra | - | 2 | 1 |
| Sooretama | - | - | - |
| Vargem Alta | - | - | - |
| Venda Nova do Imigrante | - | 2 | - |
| Viana | - | 3 | - |
| Vila Pavão | - | 3 | - |
| Vila Valério | Davi Ramos (PP) | 3 | - |
| Vila Velha | - | 2 | 1 |
| Vitória | - | 3 | - |
| TOTAL | 12 prefeitos do PP 01 do União Brasil | 121 | 35 |