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A disputa pelo trono de Casagrande começa na Grande Vitória

06/06/2025 00:01
A disputa pelo trono de Casagrande começa na Grande Vitória
*Por Marcelo RossoniCom a proximidade das eleições de 2026, o tabuleiro político do Espírito Santo começa a se mover em torno de uma pergunta central: quem será o sucessor do governador Renato Casagrande (PSB)?Líder consolidado e com forte presença em todo Estado, Casagrande encerra seu mandato com alto índice de aprovação e influência sobre prefeitos estratégicos da Região Metropolitana. A disputa pelo governo promete ser polarizada, e a Grande Vitória será o campo decisivo dessa batalha.O preferido número um de Casagrande é o seu vice Ricardo Ferraço (PSDB), que desponta como nome natural para a sucessão, em 2026.Com trajetória consolidada e trânsito entre diferentes forças políticas, Ferraço carrega o peso do sobrenome: é filho de Theodorico Ferraço, tradicional líder político do sul do Estado, figura influente por décadas no cenário político estadual, eleito prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, com 42,81% dos votos, totalizando 44.240 votos válidos.Ricardo é discreto, mas estrategicamente ativo e tem ampliado sua presença institucional e articulado alianças, inclusive com setores do agronegócio e empresariais. Sua eventual candidatura pode herdar parte da estrutura de Casagrande.Com capital político e experiência, Ricardo Ferraço é visto por aliados como um “governador em espera”, em meio às articulações que começam a redesenhar o xadrez eleitoral.Entre outros nomes mais cotados para a disputa, além do referido número um, está o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos). Ex-delegado de Polícia Civil, Pazolini construiu uma carreira política baseada na pauta da segurança e da gestão fiscal.Pazolini vem se consolidando como uma figura de oposição velada ao grupo de Casagrande, mesmo tendo mantido relações institucionais respeitosas com o governo estadual.Pazolini tem o apoio e a admiração do ex-governador Paulo Hartung (PSD), hoje um político de renome nacional e que ainda exerce significativa influência nos bastidores da política no Espírito Santo.No entanto, para se viabilizar como candidato competitivo ao Palácio Anchieta, Pazolini precisa de uma vitória contundente em seu reduto eleitoral: o município de Vitória e a Região Metropolitana como um todo. E é justamente aí que reside seu maior desafio.A Grande Vitória é, em grande parte, território dominado por aliados de Casagrande. Em Cariacica, o prefeito Euclério Sampaio é um antigo aliado do governador e tem reforçado o alinhamento com o Palácio Anchieta ao longo do mandato. Em Vila Velha, o prefeito Arnaldinho Borgo (ex-Podemos e quase PSD) também integra a base de apoio a Casagrande e é visto como um dos principais quadros emergentes do grupo governista. Já na Serra, o prefeito Weverson Meireles (PDT), que derrotou Audifax Charles Barcelos, ex-aliado e hoje desafeto de Sérgio Vidigal, dificilmente ficará longe de seu guru e fechará com o candidato apoiado pelo governador. Em Viana, Wanderson Bueno (Podemos) é outro nome ligado diretamente ao governador.Esse cinturão de prefeitos aliados torna a Região Metropolitana uma trincheira estratégica para a continuidade do projeto político de Casagrande. Mesmo não podendo disputar a reeleição, o governador tende a exercer papel de fiador da candidatura de alguém que represente seu legado: Ricardo Ferraço se destaca por sua lealdade e capacidade de aglutinação de forças antagônicas. Outro ponto relevante na equação é o futuro do próprio Casagrande. Embora fora da disputa direta, o governador poderá ser peça-chave em uma eventual composição.Do lado opositor, além do prefeito Pazolini, surgem nomes como o deputado federal Gilvan da Federal (PL), que conta com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro e busca consolidar um campo mais ideológico à direita. O PL capixaba tem ampliado sua base, especialmente no interior, mas enfrenta dificuldades na Região Metropolitana, onde o bolsonarismo ainda encontra resistências.Nos bastidores, há também movimentações envolvendo partidos do chamado “centrão capixaba”.  PP, União Brasil e Republicanos conversam entre si em busca de uma candidatura que una forças moderadas e pragmáticas. Enquanto isso, o PT capixaba, esfacelado por disputas internas, tenta sair do isolamento e voltar a protagonizar o debate estadual.O cenário da sucessão de Renato Casagrande está em fase de articulação e foi profundamente influenciado pelos resultados das eleições municipais. Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana tiveram papel decisivo na consolidação de lideranças e na definição de apoios.Pazolini, por ora, desponta como um possível nome viável, mas para avançar precisará romper o cinturão de prefeitos aliados ao governador — e isso exigirá mais do que boa gestão: será necessário costurar alianças amplas e atravessar um campo minado por disputas regionais e interesses nacionais, além de melhorar seu relacionamento com os meios de Comunicação.A sucessão de Casagrande promete ser uma das mais disputadas da história recente do Espírito Santo. Quem viver, verá!

  *Marcelo Rossoni é jornalista

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