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25 de Março é a ameaça tropical que assombra os EUA

25/08/2025 00:03
25 de Março é a ameaça tropical que assombra os EUA
*Por Marcelo RossoniQuem diria que, depois de décadas enfrentando soviéticos, chineses, iranianos, terroristas e até ETs em Hollywood, os Estados Unidos finalmente encontrariam o adversário mais temido de sua história: a Rua 25 de Março, em São Paulo. Sim, aquela mesma onde você compra uma fantasia de super-herói que derrete ao sol, um perfume “Channel Nº 6” que dura até o primeiro banho e um tênis que parece Nike de longe, desde que seja noite e você esteja de ressaca.E não se trata de fake news. A inclusão da 25 de Março no rol oficial das “ameaças brasileiras à segurança nacional americana” veio com o selo de qualidade de ninguém menos que Eduardo Bolsonaro, o bananinha, em mais uma de suas missões internacionais.Dizem que, depois de explicar em Washington como a eleição no Brasil foi fraudada por urnas que só não foram fabricadas em outro planeta por pura falta de logística, o deputado resolveu engordar o dossiê com ingredientes tropicais. Resultado: ao lado de supostos hackers e de uma ou outra conspiração marxista imaginária, lá está a nossa gloriosa rua de camelôs como se fosse um bunker da Al-Qaeda.O raciocínio de Eduardo é cristalino como caldo de cana: se os Estados Unidos permitirem que os “Naiki” e os “Tomu New Figher” da 25 invadam o mercado, a indústria americana desmorona. E, de brinde, vem o contrabando cultural: capinhas de celular que piscam, ring lights que caem na segunda live, bonecos do Homem-Aranha que parecem o tio do bairro, drones que levantam voo e pousam direto no telhado do vizinho. Tudo isso a preços capazes de destruir Wall Street em duas parcelas de R$39,90.Mas o “bananinha” não parou por aí. Para dar aquele toque mineiro de apocalipse, ele resolveu incluir no relatório uma verdadeira arma de destruição em massa: o pão de queijo. Segundo Eduardo, “essa bolinha suspeita, camuflada de quitute inofensivo, ameaça a hegemonia americana do fast-food”. E quem estaria por trás da operação? O governador Romeu Zema, ou, como dizem em Minas, o “governador do não ouvo”. Com um exército de padeiros e fornos industriais, Zema poderia, a qualquer momento, lançar uma ofensiva gastronômica e entupir a Casa Branca de polvilho.Para a Casa Branca, o alerta é sério. Imagina o risco: Starbucks substituindo muffins por pão de queijo recheado, McDonald’s lançando o McPão de Queijo Duplo, e o Refrigerante Coroa, do meu amigo Ademar Bragatto, tomando conta do mercado, deixando os americanos viciados em uma doçura tão nacional que faria qualquer cola estrangeira parecer chá sem açúcar. Seria o fim do império. E tudo isso somado à 25 de Março é devastador. Porque se o pão de queijo é a bala de prata de Zema, a 25 é o arsenal inteiro: camelôs que desmontam em cinco segundos quando alguém grita “fiscal!”, lojistas com pulmão olímpico anunciando “leve três, pague dois!”, turistas arrastados em multidões que fariam inveja ao Pentágono em dia de invasão. É o que o relatório americano chama de “guerra híbrida de pechincha”.Os Estados Unidos até tentaram reagir. Alguns falcões do Capitólio sugeriram sanções: bloqueio de containers de óculos “Rai-Bã”, tarifas de 400% sobre tênis “Naiki”, embargo imediato a carregadores “ultra-rápidos” que aquecem mais que motor de tanque. Mas não há como competir com a engenharia social da 25: a ciência milenar de dobrar preço, fingir que baixou e convencer o freguês de que fez o melhor negócio da vida.E o que dizer do pão de queijo? Uma arma silenciosa, sorrateira, que atua no café da manhã. Diferente das bombas atômicas, que destroem cidades inteiras, ele age na consciência do indivíduo: mordeu um, pediu outro. Quando menos se espera, o exército já está rendido, implorando por mais meia dúzia quentinho. Washington teme que, sob o comando do “não ouvo”, Minas lance um ataque coordenado: distribua pão de queijo em aeroportos, postos de gasolina e feiras livres. Seria a rendição sem derramar sangue, só gordura.No fim, essa história toda revela a ironia da geopolítica à brasileira: enquanto os EUA se preocupam com drones hipersônicos e ciberataques russos, seu pesadelo real atende por dois nomes: 25 de Março e pão de queijo. Um centro de comércio popular onde se compra um ring light e uma fantasia de Frozen em combo, e um salgado mineiro que faz mais estragos que qualquer míssil.E, convenhamos, talvez seja mesmo esse o poder do Brasil: não ameaçar pela força, mas pela criatividade. Mostrar que não é preciso gastar bilhões em armas quando se pode vender “Naiki” ou “Tomu Newfigher” por R$79,90 e conquistar corações com queijo derretido — tudo regado a um gole de Refrigerante Coroa. No fundo, o medo americano não é da falsificação nem da quitanda. É do exemplo. É da lembrança de que, num mundo onde tudo é caro demais, o barato — e o saboroso — pode ser irresistível.E aí, meu amigo, não há porta-aviões que segure. Há, no máximo, uma sacola reforçada da 25, uma porção de pão de queijo do Zema e o bananinha no meio, explicando em inglês macarrônico que tudo isso faz parte de uma grande conspiração internacional.

  *Marcelo Rossoni é jornalista  

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