O avanço da energia solar em condomínios residenciais e comerciais está abrindo uma nova frente de consolidação no mercado brasileiro de geração distribuída. A expansão do setor, a busca por economia na conta de luz e o crescimento de modelos sem investimento inicial têm atraído a atenção de investidores estratégicos, fundos e empresas de infraestrutura.
A avaliação é da Redirection International, empresa especializada em assessoria de fusões e aquisições, que mapeou o segmento de energia solar no Brasil. A análise aponta que o mercado ainda é bastante fragmentado, com integradores regionais, instaladoras, plataformas de financiamento e prestadores de serviços especializados atuando em diferentes regiões do país.
Segundo a Absolar, o Brasil já soma mais de 70 GW de capacidade instalada em energia solar, considerando geração distribuída e grandes usinas. O segmento residencial tem papel importante nesse avanço, impulsionado pela redução do custo dos equipamentos, pela ampliação das linhas de financiamento e pelo aumento das tarifas de energia elétrica.
No mercado condominial, o potencial de expansão é considerado elevado. O país tem centenas de milhares de condomínios e milhões de moradores, o que cria demanda por soluções capazes de reduzir despesas comuns, melhorar a previsibilidade de custos e valorizar os empreendimentos.
Para o economista Adam Patterson, sócio da Redirection International, o setor reúne características buscadas por investidores financeiros e estratégicos.
“O setor reúne os principais atributos buscados por investidores estratégicos e financeiros, com um mercado ainda bastante fragmentado, formado por centenas de integradores regionais, empresas de instalação, plataformas de financiamento e prestadores de serviços especializados”, afirmou.
Segundo ele, à medida que o segmento amadurece, cresce a necessidade de ganho de escala comercial, operacional e financeira, o que favorece movimentos de consolidação.
Entre os fatores que reforçam o interesse de investidores estão a possibilidade de expansão geográfica por meio da aquisição de empresas regionais, a receita recorrente com contratos de manutenção e monitoramento e a profissionalização da gestão condominial.
A tendência é que grandes integradores nacionais, empresas de infraestrutura, plataformas de geração distribuída, fundos de Private Equity e gestores de ativos ampliem a presença nesse mercado nos próximos anos.
Um exemplo desse movimento é a Grid Tie Solar, empresa especializada em soluções de energia solar para condomínios residenciais e comerciais. Com mais de cinco anos de atuação e cerca de dois mil projetos fotovoltaicos instalados, a companhia consolidou presença no mercado fluminense e busca acelerar a expansão nacional.
A estratégia inclui captação de recursos para ampliar a atuação em novos mercados, como São Paulo e Brasília, além do avanço em soluções complementares para condomínios.
Segundo Rogério Gomes Moreira, CEO da Grid Tie Solar, uma das apostas da empresa está nos modelos de CAPEX zero, em que o condomínio pode implantar a tecnologia sem desembolso inicial.
“Nosso modelo de negócios elimina uma das principais barreiras de entrada do segmento, que é o investimento inicial. Por meio de soluções estruturadas com financiamento e modelos de implantação de CAPEX zero, os condomínios podem adotar sistemas fotovoltaicos sem necessidade de desembolso imediato”, explicou.
A empresa também pretende ampliar a atuação em infraestrutura para mobilidade elétrica, com soluções de carregamento de veículos elétricos em condomínios residenciais.
A expectativa da Grid Tie Solar é manter crescimento médio de aproximadamente 35% ao ano, combinando expansão orgânica e consolidação de empresas complementares.
Para Patterson, empresas que unem capacidade técnica, soluções financeiras estruturadas e atuação recorrente em manutenção e monitoramento devem ocupar posição privilegiada nesse processo.
“Em um mercado impulsionado tanto pela transição energética quanto pela digitalização da gestão condominial, a tendência é de que as operações de fusões e aquisições se tornem cada vez mais frequentes”, afirmou.
Com informações da Redirection International.