Setor destaca importância da sucata para ampliar a oferta do metal e reduzir o consumo de energia na produção
O alumínio reciclado respondeu por 54% do consumo do metal no Brasil em 2025, segundo a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL). O resultado inclui o reaproveitamento de latas de bebidas, resíduos da construção civil, peças de veículos, bens duráveis e aparas industriais.
A entidade destacou o indicador no Dia Nacional da Reciclagem do Alumínio, celebrado em 28 de outubro. Em um cenário de crescimento da demanda, a sucata ganha importância como matéria-prima complementar à produção primária.
Segundo projeção citada pela ABAL, do International Aluminium Institute (IAI), a demanda mundial por alumínio deve crescer 40% até 2030. Entre os setores que impulsionam essa procura estão transporte, construção e geração de energia, associados à transição energética e à busca por redução de emissões.
O reaproveitamento permite que o metal retorne à cadeia produtiva em diferentes aplicações. A reciclagem de alumínio utiliza cerca de 95% menos energia do que a produção primária, contribuindo para diminuir o consumo energético e as emissões associadas à fabricação.
No Brasil, a cadeia de latas de bebidas é um dos destaques do setor. De acordo com a associação, os índices de reciclagem dessas embalagens permanecem acima de 96% há mais de 15 anos.
Esse percentual, porém, se refere especificamente às latas. Já o indicador de 54% mede a participação do material reciclado no consumo total de alumínio no país, considerando também outras fontes de sucata.
Para a presidente-executiva da ABAL, Janaina Donas, o aproveitamento dessa estrutura exige condições para manter a competitividade da cadeia brasileira.
“Em um cenário de demanda crescente, déficit de oferta e instabilidade geopolítica, a sucata de alumínio deixa de ser apenas um resíduo e se consolida como insumo estratégico. O Brasil tem uma cadeia de reciclagem eficiente e consolidada, e nosso desafio é garantir que esse diferencial continue sendo competitivo e atenda em primeiro lugar a economia nacional”, afirma.
Além de reduzir a necessidade de matéria-prima primária, a diversificação das fontes de sucata amplia as possibilidades de abastecimento da indústria. O desafio apontado pela entidade é preservar essa capacidade diante da maior disputa pelo metal no mercado internacional.