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População de baleias-jubarte no Brasil supera 35 mil após recuperação

Estimativa de 2022 mostra avanço desde os anos 1990; pesquisas acompanham efeitos do clima e das atividades humanas

Vitória News 02/11/2026 10:08
População de baleias-jubarte no Brasil supera 35 mil após recuperação
Foto; Tânia Rêgo/ABr

A população de baleias-jubarte que frequenta o litoral brasileiro passou de uma estimativa de 1,5 mil a 2 mil indivíduos, no início dos anos 1990, para mais de 35 mil em 2022. A recuperação é acompanhada pelo Instituto Baleia Jubarte, que desenvolve pesquisas e ações de conservação da espécie, antes ameaçada pela caça.

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O levantamento populacional de 2026 ainda está em elaboração. Por isso, o número de mais de 35 mil animais corresponde à estimativa de 2022, e não a uma contagem concluída neste ano.

Um dos principais pontos de reprodução das jubartes é a região de Abrolhos, no sul da Bahia. Os animais migram das áreas de alimentação no Atlântico Sul para águas brasileiras, onde acasalam e dão à luz durante o inverno e a primavera.

O fotógrafo de vida selvagem Enrico Marcovaldi, um dos fundadores do projeto, acompanha essa trajetória há quase quatro décadas.

“Na primeira estimativa populacional nossa, que foi no princípio da década de 90, tinha de 1,5 mil a 2 mil baleias. Hoje estamos com mais de 35 mil. O sentimento é de dever cumprido. A população se recuperou de verdade”, comemora.

A caça comercial reduziu drasticamente a população da espécie. No Brasil, a atividade foi proibida em 1987. O Projeto Baleia Jubarte surgiu no ano seguinte, por iniciativa de Marcovaldi e da bióloga Márcia Engel, e foi formalizado como instituto em 1996. Em 2014, a jubarte saiu da lista brasileira de animais ameaçados de extinção.

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O monitoramento combina expedições marítimas, registros fotográficos, coleta de amostras biológicas e levantamentos aéreos. Os desenhos na parte inferior da cauda funcionam como uma identificação individual e já permitiram reconhecer mais de dez mil baleias.

As fotografias também integram uma plataforma colaborativa internacional que utiliza inteligência artificial para comparar registros. A ferramenta ajuda a identificar animais fotografados em diferentes temporadas e regiões.

Atualmente, a principal estimativa populacional do instituto é produzida por levantamentos aéreos entre São Paulo e Rio Grande do Norte. Segundo Marcovaldi, diferenças no número de avistamentos entre temporadas precisam ser interpretadas com cuidado.

“As temporadas são cíclicas. Em algumas você vê mais baleias, em outras você vê menos. Tem anos que elas ficam mais no Sul, outros que elas avançam mais pro Nordeste.”

Apesar da recuperação, a espécie continua exposta à poluição e às mudanças climáticas. Para o diretor-executivo do Instituto Baleia Jubarte, Eduardo Camargo, a conservação exige compatibilizar a presença dos animais com as atividades humanas.

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“O lixo impacta o oceano inteiro, que está coberto de microplástico. A questão climática afeta a disponibilidade de alimento, que rege todo o ciclo de vida dos animais. Nós temos vários trabalhos sendo feitos para buscar essas correlações das variáveis, pra descobrir como impacta. Mas com certeza impacta”, afirma.

Parte das pesquisas busca compreender como as condições ambientais nas áreas de alimentação afetam as jubartes. O krill, pequeno crustáceo que integra sua dieta, está entre os elementos observados nessa relação.

A bióloga Laura Aguiar, mestranda da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), analisa imagens de drones obtidas desde 2018 para avaliar o tamanho e a condição corporal das baleias.

“Como são muitas imagens, eu consigo comparar temporadas diferentes e ver se a condição corporal delas estava melhor em alguns anos, se há indicativos de que elas estavam se alimentando melhor, e correlacionar isso com fatores ambientais”, explica.

Também mestranda da UFSC, Bruna Baleeiro utiliza registros de fotoidentificação acumulados por mais de 30 anos para estudar a abundância, o retorno dos indivíduos ao Brasil e as taxas de sobrevivência.

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Ao longo de sua atuação, o instituto recebeu mais de 700 estudantes de graduação em seu programa de estágio. Cerca de 60 projetos de mestrado e doutorado foram concluídos em parceria com a instituição, e mais de 130 artigos científicos foram publicados.

As pesquisas também ajudam a compreender comportamentos e orientar medidas de redução de impactos. Segundo o diretor de Pesquisas, o médico veterinário Milton Marcondes, conhecer a rotina dos animais permite avaliar possíveis alterações relacionadas à navegação, ao turismo e a outras atividades no mar.

Um dos estudos descreveu uma fêmea que protegia o filhote com as nadadeiras peitorais enquanto machos tentavam se aproximar. A observação foi feita com auxílio de drone pela pesquisadora Bianca Righi, durante seu doutorado na Universidade Estadual de Santa Cruz, na Bahia.

O conhecimento produzido também é utilizado no planejamento de operações marítimas. De acordo com a Petrobras, financiadora do instituto desde 1996, informações sobre o deslocamento das jubartes orientaram uma mudança no trajeto de embarcações que acessam o Terminal Aquaviário de São Sebastião, em São Paulo.

Para Camargo, a continuidade do monitoramento beneficia tanto a conservação quanto as decisões sobre o uso do ambiente marinho.

“A gente está prestando um serviço público”, afirma.

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