Sábado, 24 de Outubro de 2026 | 10h13m
Vitória News — Um jornal de verdade
Torre de Papel
Política

Debate na Globo: Lula e Flávio trocam acusações e discutem propostas

Último confronto antes do segundo turno teve pedido de desculpas, divergências sobre economia, segurança, SUS e programas sociais

Vitória News 24/10/2026 06:59
Debate na Globo: Lula e Flávio trocam acusações e discutem propostas
Foto: Fernando Frazão/ABr

O último debate presidencial antes do segundo turno das eleições de 2026, realizado pela TV Globo na noite de sexta-feira (23), foi marcado por trocas de acusações, divergências sobre políticas públicas e um pedido de desculpas do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

SESC 20 DE OUTUBRO

Os candidatos discutiram endividamento das famílias, segurança pública, Sistema Único de Saúde (SUS), programas sociais e medidas para estimular a economia. O encontro ocorreu a dois dias da votação de domingo, 25 de outubro.

Um dos momentos de maior tensão aconteceu depois que Flávio utilizou a expressão "nove dedos" para se referir ao adversário. Lula reagiu, lembrou o acidente de trabalho em que perdeu parte de um dedo da mão esquerda e exigiu uma retratação.

Flávio Bolsonaro pede desculpas após comentário sobre Lula

Durante uma crítica à política econômica do governo, Flávio afirmou que Lula dava benefícios com uma mão e retirava com "nove dedos".

O presidente demonstrou indignação e lembrou que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em 1964, aos 17 anos, enquanto trabalhava como torneiro mecânico.

Lula relacionou o episódio à realidade dos trabalhadores brasileiros que sofrem acidentes profissionais e cobrou respeito à sua trajetória.

Na resposta, também chamou Flávio de miliciano, acusação rejeitada pelo senador.

Diante da reação, Flávio pediu desculpas pela referência à condição física do presidente.

"Lula, se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender", afirmou.

O senador, entretanto, manteve as críticas ao governo e cobrou explicações sobre problemas sociais, especialmente o crescimento da população em situação de rua.

Ao tratar desse assunto, Flávio afirmou que o número de moradores de rua havia dobrado durante o governo Lula. Dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua indicam crescimento de 55% entre 2022 e dezembro de 2025, percentual inferior ao mencionado pelo candidato.

Pesquisadores também observam que mudanças nos registros e na identificação de pessoas vulneráveis podem influenciar os números.

CONTADOR - BONUS

Licença-maternidade e Bolsa Família entram no confronto

Outro momento do debate envolveu a atuação de Flávio Bolsonaro como deputado estadual no Rio de Janeiro.

Lula questionou o adversário sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade.

Flávio reconheceu o posicionamento anterior e declarou que mudou de opinião.

Segundo o senador, na época ele acreditava que a ampliação do benefício poderia dificultar a contratação de mulheres pelas empresas. Atualmente, afirmou considerar importante que as mães tenham mais tempo de convivência com os filhos.

Os candidatos também discutiram o Bolsa Família.

Lula mencionou publicações antigas em que Flávio utilizou a expressão "bolsa-farelo" para se referir ao programa social e criticou o tratamento dado aos beneficiários.

O senador respondeu que, caso seja eleito, pretende manter e ampliar os benefícios destinados às famílias de baixa renda.

Endividamento das famílias divide candidatos

Na área econômica, Flávio Bolsonaro responsabilizou a gestão federal pelos juros elevados e pelas dificuldades financeiras enfrentadas por parte da população.

O candidato também mencionou o crescimento da dívida pública brasileira, citando um montante próximo de R$ 11 trilhões, em referência à Dívida Bruta do Governo Geral.

Como proposta, defendeu a utilização da Caixa Econômica Federal para adquirir dívidas de consumidores junto aos bancos e oferecer condições de refinanciamento.

Lula respondeu que seu governo já havia adotado programas de renegociação, incluindo o Desenrola, e encaminhado novas medidas para reduzir o endividamento.

Feliz Automóveis

O presidente também atribuiu parte das dificuldades financeiras à política de juros do Banco Central e defendeu o crescimento da economia e da renda como caminhos para melhorar a situação das famílias.

As propostas apresentadas pelos candidatos dependem de condições operacionais e, conforme o caso, de medidas legislativas ou administrativas para serem implementadas.

SUS e pandemia provocam novas divergências

O financiamento da saúde pública também esteve entre os principais assuntos discutidos.

Lula questionou Flávio sobre declarações atribuídas a integrantes de sua equipe econômica e cobrou garantias de continuidade dos investimentos no Sistema Único de Saúde.

O presidente também criticou a condução da pandemia de covid-19 durante o governo de Jair Bolsonaro, pai do senador.

Em resposta, Flávio afirmou que pretende preservar e ampliar os investimentos no SUS.

O candidato do PL defendeu a atualização da tabela de remuneração dos procedimentos realizados por hospitais e prestadores de serviços conveniados ao sistema público.

Também criticou filas de atendimento e dificuldades financeiras enfrentadas por unidades hospitalares, incluindo as Santas Casas.

Flávio afirmou que pretende concentrar cortes de gastos no combate à corrupção e na redução da burocracia, sem detalhar durante esse trecho do confronto como essas medidas financiariam a expansão dos serviços de saúde.

Segurança pública e combate ao crime organizado

Os candidatos apresentaram posições diferentes sobre o enfrentamento da criminalidade.

Flávio Bolsonaro defendeu penas mais rigorosas para determinados crimes, mudanças nas regras de responsabilização penal e medidas mais duras contra organizações criminosas.

Entre suas propostas está a classificação de facções como organizações narcoterroristas.

Lula, por sua vez, destacou a proposta de criação de um Ministério da Segurança Pública, condicionada à aprovação de mudanças legislativas, e defendeu o fortalecimento das instituições federais de investigação e policiamento.

Anuncio - Raimundo - Bonus

O debate também incluiu críticas e acusações relacionadas à atuação de grupos criminosos e à segurança no Rio de Janeiro.

As referências pessoais feitas pelos candidatos foram contestadas durante o confronto e não equivalem, por si só, à comprovação de responsabilidade criminal.

Salário mínimo, apostas e acusações pessoais

Os adversários também divergiram sobre a política de valorização do salário mínimo.

Lula defendeu a manutenção dos reajustes acima da inflação, enquanto Flávio afirmou que pretende preservar ganhos reais para trabalhadores e aposentados.

As apostas eletrônicas, conhecidas como bets, provocaram outra troca de críticas. Os candidatos discutiram a expansão desse mercado e seus impactos sobre o orçamento das famílias.

No bloco de tema livre, também surgiram questionamentos relacionados ao empresário Daniel Vorcaro, ao Banco Master e a supostas relações financeiras envolvendo pessoas próximas aos candidatos.

As declarações foram apresentadas em tom de acusação e receberam contestações dos adversários. Não é possível considerar essas afirmações comprovadas apenas com base no debate.

Último confronto antecede votação de domingo

O debate da TV Globo encerrou a série de confrontos televisivos entre Lula e Flávio Bolsonaro antes do segundo turno.

Ao longo da transmissão, os dois procuraram defender suas propostas e questionar a trajetória política e administrativa do adversário.

Lula enfatizou políticas sociais, investimentos públicos e a atuação de seu governo. Flávio concentrou parte das críticas no endividamento, no custo de vida e na segurança, além de apresentar propostas para a administração federal.

Os eleitores decidirão neste domingo (25) quem ocupará a Presidência da República no mandato de 2027 a 2030.

A votação ocorrerá das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.

Compartilhe esta notícia
Senac 16 de julho — Notícias (lateral)