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Fosfato natural reativo exige avaliação do solo e da cultura antes do uso

Fonte de fósforo pode integrar a adubação, mas eficiência depende da composição do material, das condições da área e do tempo de resposta esperado

Vitória News 26/10/2026 11:07
Fosfato natural reativo exige avaliação do solo e da cultura antes do uso
Crédito: Ilustração gerada por inteligência artificial

A escolha de um fertilizante fosfatado exige mais do que comparar o teor de fósforo informado no produto. A disponibilidade do nutriente para as plantas, as características do solo e as necessidades da cultura influenciam o resultado da adubação. Nesse planejamento, o fosfato natural reativo pode ser uma alternativa ou um complemento às fontes solúveis, desde que sua utilização seja tecnicamente avaliada.

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O fósforo participa de processos essenciais ao desenvolvimento vegetal, como a transferência de energia. Em muitos solos brasileiros, sua baixa disponibilidade para as plantas torna a adubação uma etapa importante do manejo.

Diferentemente dos fertilizantes de maior solubilidade em água, os fosfatos naturais reativos dependem da dissolução de seus minerais no solo para liberar o nutriente. A velocidade desse processo interfere na capacidade de atender à demanda das plantas, especialmente nas fases iniciais de desenvolvimento.

Para Sérgio Ailton Saurin, CEO da Massari Fértil e da Morro Verde, a decisão precisa considerar as condições específicas de cada lavoura.

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“O fosfato natural reativo precisa ser avaliado caso a caso. Fatores como o pH e a acidez do solo, a umidade, o tipo de cultura e o horizonte de manejo influenciam diretamente a liberação do fósforo. Por isso, conhecer a reatividade do fertilizante e as características da área é fundamental para entender em quais situações ele pode contribuir para a estratégia de adubação, inclusive como fonte de efeito residual ao longo das safras”, afirma Saurin.

Uma pesquisa publicada pela Embrapa Solos em 2025 avaliou dez fontes de fósforo e identificou diferenças de eficiência entre os materiais. O experimento foi realizado com milho em vasos, em casa de vegetação, durante dois cultivos sucessivos de 45 dias.

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Nas condições avaliadas, os fosfatos de Bayóvar e da Argélia apresentaram eficiência agronômica semelhante à do superfosfato triplo, utilizado como referência solúvel. Algumas fontes brasileiras, por outro lado, tiveram desempenho próximo ao tratamento sem adubação fosfatada.

Os resultados mostram que materiais agrupados como fosfatos naturais podem ter comportamentos distintos. Por se tratar de um ensaio em ambiente controlado, as conclusões não devem ser generalizadas para todas as culturas ou condições de campo. O trabalho também não representa uma validação dos produtos das empresas mencionadas nesta matéria.

A acidez é outro ponto que exige interpretação cuidadosa. Ela pode favorecer a dissolução dos fosfatos naturais, mas isso não significa que o produtor deva manter o solo inadequadamente ácido ou dispensar a calagem. O manejo precisa conciliar a liberação do fósforo com as condições necessárias ao desenvolvimento da cultura.

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Quando a lavoura exige disponibilidade imediata do nutriente, fontes de maior solubilidade podem ser mais adequadas. Em outras situações, o fosfato natural reativo pode integrar uma estratégia que considere o aproveitamento ao longo de mais de uma safra.

A avaliação econômica também deve levar em conta a eficiência agronômica, os custos de aquisição, transporte e aplicação e o período esperado para a resposta da cultura.

“Mais do que escolher uma fonte isoladamente, o produtor precisa considerar as necessidades da lavoura e as condições da área. Uma avaliação técnica bem-feita permite entender como cada fertilizante pode contribuir para o manejo da fertilidade e para os objetivos de produção”, acrescenta Saurin.

A análise do solo, o histórico de adubação e as exigências da cultura são os pontos de partida para definir a fonte, a dose e a forma de aplicação, com orientação técnica.

Fonte: Embrapa Solos e Sérgio Ailton Saurin (CEO da Massari Fértil e da Morro Verde)

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