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Exploração madeireira no Pará atinge maior área em cinco anos

Monitoramento identificou 60,6 mil hectares explorados entre agosto de 2024 e julho de 2025; quase um terço não tinha autorização

Vitória News 05/11/2026 06:49
Exploração madeireira no Pará atinge maior área em cinco anos
Divulgação/ Exército Brasileiro

A exploração madeireira no Pará alcançou 60.664 hectares entre agosto de 2024 e julho de 2025, a maior área desde o ciclo 2019–2020. O resultado representa crescimento superior a 40% em relação ao período anterior, segundo levantamento da Rede Simex divulgado na quarta-feira (4).

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O avanço foi puxado pela atividade autorizada, que cresceu mais de 83%. A exploração sem autorização diminuiu cerca de 6%, mas ainda atingiu 19.126 hectares, equivalentes a aproximadamente 32% da área mapeada. Outros 41.538 hectares, ou 68%, estavam em áreas autorizadas.

Os dados são do Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex). Para identificar a situação das áreas, os pesquisadores cruzaram imagens de satélite com autorizações emitidas pelos órgãos competentes.

A Rede Simex reúne o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o Instituto Centro de Vida (ICV) e o Imaflora.

Para a pesquisadora do Imazon Camila Damasceno, a redução da atividade ilegal é positiva, mas a extensão afetada exige continuidade das ações de fiscalização.

“Os números mostram que há muito a avançar. Precisamos fortalecer a fiscalização, ampliar as ações de combate e responsabilização dos infratores e criar mecanismos de incentivo ao manejo florestal, principalmente o comunitário”, afirmou.

O coordenador do programa de monitoramento da Amazônia do Imazon, Carlos Souza Jr., destacou que a queda percentual não elimina o impacto da retirada irregular de árvores.

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“Considerando um cenário conservador de extração de duas a três árvores por hectare, foram derrubadas e inseridas no fluxo comercial entre 38 mil e 57 mil árvores, sem plano de manejo, vistoria ou rastreabilidade de sua procedência”, explicou.

Segundo ele, a entrada de madeira sem garantia de origem no mercado também prejudica empresas e produtores que operam regularmente, enfraquecendo iniciativas de transparência e rastreabilidade.

Nas terras indígenas do Pará, o monitoramento identificou 424 hectares de exploração ilegal, cerca de 2% do total sem autorização detectado no estado.

Foi a segunda menor área registrada nesses territórios na série histórica. O menor resultado ocorreu entre agosto de 2019 e julho de 2020, com 158 hectares.

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Toda a exploração ilegal identificada em terras indígenas no ciclo mais recente ficou concentrada na Terra Indígena Amanayé. Segundo Camila, o território aparece nos boletins da Rede Simex pelo quinto ciclo consecutivo, indicando persistência das invasões.

“A redução da extensão afetada não significa que o problema esteja resolvido. A ocorrência de exploração ilegal em uma área protegida é extremamente sensível e exige atenção urgente”, alertou.

A pesquisadora ressaltou que os impactos vão além da floresta e atingem os direitos e a segurança das comunidades.

“Expõe as comunidades a conflitos, ameaças e restrições ao direito de circular livremente em sua própria terra, com possíveis impactos sobre a saúde e os modos de vida tradicionais.”

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