Estudo reúne análises sobre tarifas, energia, tecnologia e novos mercados para orientar decisões de empresas brasileiras

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou um levantamento com 17 riscos e oportunidades para os negócios brasileiros no cenário internacional até 2027. O Radar Geopolítico da Indústria aborda temas como tarifas comerciais, custos de transporte, concorrência chinesa, inteligência artificial e investimentos ligados à transição energética.
A publicação busca ajudar empresas a antecipar dificuldades, diversificar mercados e identificar possibilidades de expansão. Os temas são classificados por grau de urgência e pelos efeitos sobre comércio, investimentos, cadeias produtivas e competitividade.
O relatório combina análises da CNI com estudos do Fórum Econômico Mundial, da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), do McKinsey Global Institute e do Centro de Estudos Globais da Universidade de Brasília.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, as mudanças nas relações entre países passaram a influenciar diretamente as decisões empresariais.
“A geopolítica global vive um momento de profundas reconfigurações que passaram a orientar o ritmo do comércio internacional. O Radar Geopolítico da Indústria nasce para entregar aos empresários brasileiros inteligência antecipatória, permitindo transformar incertezas em estratégias concretas de negócios, diversificação de mercados e atração de investimentos para o Brasil”, afirmou.
Entre os riscos apontados estão as tarifas adicionais dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e o mecanismo de ajuste de carbono na fronteira da União Europeia, conhecido como CBAM. A análise destaca possíveis efeitos sobre exportadores de ferro-gusa, aço e alumínio, conforme as emissões associadas à produção.
O levantamento também chama atenção para a alta dos fretes marítimos, o excesso de capacidade mundial de produção de aço e outros manufaturados e a ampliação de medidas de defesa comercial. Segundo a CNI, esses fatores podem encarecer insumos, reduzir margens e aumentar a concorrência no mercado brasileiro.
No ambiente financeiro, o custo elevado do crédito aparece como obstáculo ao capital de giro, aos investimentos e à expansão produtiva.
A segurança do fornecimento de componentes e matérias-primas é outra preocupação. O radar analisa as restrições chinesas às terras raras e os riscos de interrupção das cadeias de semicondutores diante das tensões no Estreito de Taiwan.
Também integram o estudo as mudanças nas relações comerciais entre Brasil e Argentina, os ataques cibernéticos, os efeitos de sanções internacionais e as exigências relacionadas à inteligência artificial.
O assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência da CNI, Frederico Lamego, explicou que a proposta é compreender como esses fatores se conectam.
“Não se trata apenas de entender que existe, por exemplo, uma crise no Irã que está aumentando o preço do petróleo, mas, sobretudo, para que as empresas e os empresários entendam que existe uma correlação entre diversas variáveis e que, se essas variáveis forem previamente entendidas, é possível antecipar riscos e isso vai possibilitar para as empresas navegar num cenário de menos incerteza”, afirmou.
Entre as oportunidades, a publicação destaca minerais críticos e hidrogênio verde. A avaliação é que a demanda por esses produtos e a reorganização das cadeias internacionais podem favorecer a atração de investimentos e parcerias tecnológicas.
O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões também aparece como uma possibilidade de apoiar a competitividade dos exportadores. Segundo o estudo, a precificação do carbono no país poderá contribuir para reduzir custos associados ao mecanismo europeu.
Acordos comerciais do Mercosul, maior integração entre países latino-americanos e corredores bioceânicos completam as oportunidades identificadas. Essas iniciativas podem ampliar destinos de exportação e melhorar o acesso aos mercados asiáticos, conforme avancem sua implementação e as negociações.
O lançamento ocorreu durante o Fórum da Diplomacia Industrial, que reuniu cerca de 180 participantes, entre representantes diplomáticos, empresários, integrantes do governo e pesquisadores.
A CNI pretende aprofundar as análises por setor e manter um diálogo contínuo entre empresas e o corpo diplomático para desenvolver negócios e projetos de cooperação.
“Temas como minerais críticos, transição energética, defesa, começam a entrar na pauta e aqueles países que souberem aproveitar essa onda buscando projetos e parcerias de transferência de tecnologia e de cooperação vão ser aqueles que vão se projetar melhor nesse cenário de incerteza”, disse Lamego.
Com informações da Confederação Nacional da Indústria.