Grupo que opera a usina de Tubarão, na Serra, registrou perda global de US$ 391 milhões após paralisação de unidade na Ucrânia

A ArcelorMittal, que mantém a usina de Tubarão, na Serra, apresentou melhora em seu desempenho financeiro no terceiro trimestre de 2026, mas encerrou o período com prejuízo líquido global de US$ 391 milhões. O resultado foi afetado por despesas extraordinárias relacionadas à paralisação de uma usina na Ucrânia, atingida por ataques com mísseis.
Ao mesmo tempo, as medidas europeias de proteção contra importações de aço ajudaram a companhia a ampliar as vendas na região e a enfrentar os custos elevados de energia. O balanço foi divulgado nesta quinta-feira (5).
O grupo registrou US$ 2,02 bilhões em Ebitda, indicador que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização. O valor cresceu cerca de 34% em relação ao mesmo trimestre de 2025.
Esse indicador ajuda a acompanhar o desempenho do negócio, mas não equivale ao lucro final. Por isso, pode crescer mesmo quando a empresa registra prejuízo após contabilizar outras despesas e ajustes.
No trimestre, a ArcelorMittal reconheceu encargos superiores a US$ 1 bilhão relacionados à interrupção das operações em Kryvyi Rih, na Ucrânia. Segundo a companhia, ataques causaram mortes de trabalhadores e danos extensos às instalações.
Excluindo os efeitos extraordinários considerados no cálculo da empresa, o lucro líquido ajustado foi de US$ 868 milhões.
Na Europa, as entregas de aço plano aumentaram em relação ao trimestre anterior, contrariando a redução normalmente observada nessa época do ano. A companhia atribuiu parte desse movimento às novas barreiras comerciais da União Europeia.
As regras elevaram para 50% a tarifa cobrada sobre importações que ultrapassam as cotas estabelecidas. Na prática, a cobrança torna o aço importado acima desses limites mais caro, favorecendo os produtores instalados no bloco.
Outra medida é o mecanismo de ajuste de carbono na fronteira, conhecido como CBAM. Ele busca reduzir a vantagem de produtos fabricados em países com exigências menores sobre emissões de gases de efeito estufa.
Segundo a ArcelorMittal, a redução das importações ajudou os preços do aço europeu a acompanhar o aumento dos custos de produção. A empresa informou ter retomado a operação de todos os seus altos-fornos na Europa e espera efeitos mais completos das medidas comerciais a partir de 2027.
Para os próximos meses, o grupo prevê que as entregas de aço do segundo semestre superem as do primeiro. Os números divulgados são consolidados mundiais e não permitem concluir, isoladamente, qual foi o resultado da unidade de Tubarão.