Terça-feira, 6 de Outubro de 2026 | 19h11m
Vitória News — Um jornal de verdade
Torre de Papel
Política

Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro reformulam estratégias para o segundo turno

Candidatos voltam às urnas em 25 de outubro separados por cerca de 2,2 milhões de votos e buscam ampliar apoios após o primeiro turno

Vitória News 06/10/2026 06:21
Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro reformulam estratégias para o segundo turno
Foto: Pierre Triboli/Câmara dos Deputados

A disputa pela Presidência da República será definida no segundo turno, marcado para 25 de outubro, entre Flávio Bolsonaro, do PL, e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

No primeiro turno, Flávio terminou na liderança com 47,03% dos votos válidos, somando 56.102.126 votos. Lula recebeu 53.866.947 votos, equivalentes a 45,16%. A diferença entre os dois foi de 1,87 ponto percentual, pouco mais de 2,2 milhões de votos.

Flávio liderou em grande parte dos estados das regiões Norte, Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Lula venceu em todos os estados do Nordeste e também entre os brasileiros que votaram no exterior.

Com o início da nova etapa da campanha, as duas candidaturas passaram a discutir mudanças de estratégia, alianças políticas e formas de conquistar os eleitores que votaram em outros candidatos ou não compareceram às urnas.

Lula discute mudanças na campanha

Após o resultado do primeiro turno, integrantes da campanha de Lula iniciaram uma avaliação da estratégia adotada até agora. O presidente convocou aliados e integrantes do conselho político para uma reunião em Brasília.

Entre as mudanças discutidas estão uma comunicação mais simples, maior confronto direto com o adversário e participação mais frequente de Lula nos debates do segundo turno.

Para o cientista político Leandro Gabiati, a campanha petista deverá buscar uma comparação direta entre os dois candidatos.

SESC PICASSO

“Lula precisa transformar o segundo turno em uma eleição plebiscitária de comparação de candidatos, com o objetivo de aumentar a rejeição contra Flávio”, afirmou.

A campanha também avalia incorporar experiências de estados onde o PT obteve desempenho considerado positivo no primeiro turno, como Ceará e Piauí.

Outro ponto analisado é a necessidade de ampliar a votação para além da base tradicional do partido.

Segundo o cientista político Bruno Rizzi, a abstenção pode ter peso importante nessa estratégia.

“É fato que a abstenção é muito mais prejudicial ao presidente Lula, pois isso envolve eleitores de classes mais baixas, de escolaridade mais baixa, moradores em regiões mais remotas, e esses perfis se encaixam mais com eleitores historicamente apoiadores do presidente Lula”, avaliou.

PL organiza campanha de Flávio

Do outro lado, dirigentes do PL também iniciaram reuniões para definir as funções e o tom da campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno.

A tendência é manter a estrutura utilizada na primeira etapa da eleição, com participação do senador Rogério Marinho, da coordenadora econômica Daniella Marques e do candidato a vice, deputado Alfredo Gaspar.

CONTADOR - BONUS

A equipe também avalia ampliar a participação do empresário e influenciador Pablo Marçal na campanha.

Na avaliação de Bruno Rizzi, a candidatura deverá priorizar a continuidade da estratégia adotada no primeiro turno.

“O principal ponto para a campanha de Flávio é a manutenção das boas estratégias que foram conduzidas até o momento, a manutenção do patamar de votos obtidos no primeiro turno”, disse.

Flávio também se reuniu em Brasília com o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para discutir a articulação política para a segunda etapa da disputa.

Entre os candidatos derrotados no primeiro turno, Ronaldo Caiado e Michel Temer declararam apoio a Flávio. Romeu Zema reafirmou oposição ao PT, enquanto Augusto Cury e Renan Santos optaram pela neutralidade.

Votos dos demais candidatos entram na disputa

A diferença de pouco mais de 2,2 milhões de votos entre Flávio e Lula é inferior à soma dos votos recebidos por alguns dos candidatos eliminados no primeiro turno.

Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado, juntos, receberam mais de 8,7 milhões de votos.

Para Leandro Gabiati, entretanto, uma declaração formal de apoio não significa que os eleitores seguirão automaticamente a orientação do candidato derrotado.

Anuncio - Raimundo - Bonus

“O apoio político formal de um candidato derrotado a outro candidato que disputa o segundo turno não quer dizer que há uma transferência mecânica, natural ou automática de votos a partir desse endosso”, afirmou.

A mesma avaliação é feita por Bruno Rizzi, que cita eleições anteriores para destacar que o comportamento dos eleitores no segundo turno nem sempre acompanha as alianças estabelecidas pelas lideranças partidárias.

Abstenção também entra na estratégia

Outro grupo considerado decisivo pelas campanhas é formado pelos eleitores que não votaram no primeiro turno.

Mais de 33 milhões de brasileiros deixaram de comparecer às urnas. Além deles, quase 6 milhões votaram em branco ou anularam o voto.

As duas campanhas agora têm pouco menos de três semanas para reorganizar estratégias, buscar novos apoios e tentar ampliar suas respectivas bases eleitorais antes da votação de 25 de outubro.

Desde a redemocratização, o comportamento do eleitorado entre os dois turnos tem sido acompanhado de perto pelos estrategistas das campanhas, principalmente diante da possibilidade de migração de votos dos candidatos eliminados, do peso da abstenção e da mobilização de eleitores que participaram da primeira etapa da eleição.

Compartilhe esta notícia
Feliz Automóveis

Notícias Relacionadas