Domingo, 1 de Novembro de 2026 | 09h32m
Vitória News — Um jornal de verdade
Torre de Papel
Economia

Reforma tributária reforça debate sobre revisão fiscal nas empresas

Especialistas defendem análise do enquadramento conforme mudanças no negócio, sem garantia de redução de impostos

Vitória News 01/11/2026 07:52
Reforma tributária reforça debate sobre revisão fiscal nas empresas
Foto: Iano Andrade/CNI

A transição para o novo sistema de tributação sobre o consumo amplia a necessidade de as empresas acompanharem seus custos e obrigações fiscais. Nesse cenário, revisar o enquadramento tributário pode ajudar a identificar se as escolhas adotadas continuam adequadas ao faturamento, às atividades e à estrutura operacional de cada negócio.

Feliz Automóveis

A análise, porém, não significa que toda empresa esteja pagando impostos além do necessário. Também não garante economia: o resultado depende das características da operação, das possibilidades previstas na legislação e dos efeitos de uma eventual mudança.

Para Alexandre Campos, advogado tributarista e sócio-diretor jurídico da Tributo Certo, a falta de revisões periódicas pode fazer com que empresas mantenham estruturas que deixaram de acompanhar sua evolução.

“Muitas empresas escolhem um enquadramento tributário quando iniciam suas atividades e permanecem nele por anos sem qualquer reavaliação. O problema é que a empresa muda. O faturamento cresce, a operação se transforma, novos produtos são incorporados e a estrutura de custos evolui. Quando isso acontece, o regime tributário que fazia sentido no passado pode deixar de ser a melhor opção”, afirma.

SESC 20 DE OUTUBRO

A reforma tributária do consumo foi estabelecida pela Emenda Constitucional 132, promulgada em dezembro de 2023, e tem entre seus marcos de regulamentação a Lei Complementar 214/2025. A implementação é gradual, com adaptações nos sistemas fiscais e nas rotinas das empresas.

O planejamento precisa distinguir a tributação sobre o consumo da escolha dos regimes de apuração de outros tributos. A comparação entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real exige uma avaliação mais ampla do que a análise isolada das novas cobranças.

Segundo Márcio Lopes, especialista em gestão tributária, empresário e CEO da Tributo Certo, a mudança tem estimulado a revisão de processos internos.

CONTADOR - BONUS

“A reforma tributária trouxe uma preocupação legítima sobre como as empresas estarão posicionadas nos próximos anos. Esse movimento tem levado muitos empresários a revisarem processos que ficaram sem atualização por muito tempo, incluindo o enquadramento tributário e a forma como os tributos impactam a rentabilidade da operação”, afirma.

Entre os fatores que justificam uma nova análise estão o crescimento do faturamento, a abertura de unidades, a expansão para outros mercados, a alteração dos produtos ou serviços oferecidos e mudanças nas atividades econômicas. A evolução da folha de pagamento e da estrutura societária também pode influenciar a avaliação.

“Quando a empresa vende mais, mas a rentabilidade não acompanha esse crescimento, é importante investigar se existe uma questão tributária impactando o resultado. Em muitos casos, a revisão permite identificar oportunidades previstas na legislação que estavam sendo ignoradas”, explica Campos.

Anuncio - Raimundo - Bonus

A queda da rentabilidade, entretanto, não comprova por si só um problema tributário. Custos operacionais, despesas financeiras, preços de venda e produtividade também precisam ser considerados para identificar as causas do desempenho.

Outro cuidado é diferenciar uma estrutura legalmente válida, mas menos vantajosa, de um recolhimento indevido. A possibilidade de pagar menos em outro regime não significa, automaticamente, que os valores anteriores possam ser recuperados.

Na avaliação de Campos, o acompanhamento técnico deve integrar a gestão do negócio.

“A carga tributária representa uma parcela significativa dos custos de muitas empresas. Quando existe acompanhamento técnico, planejamento e revisão periódica, o empresário ganha previsibilidade, melhora o fluxo de caixa e reduz riscos. A revisão tributária não deve ser vista apenas como uma medida de economia, mas como uma ferramenta de gestão empresarial”, afirma.

Compartilhe esta notícia