Recursos do Fundo Clima serão destinados à modernização de uma unidade de processamento de soja, com foco na redução de emissões de gases de efeito estufa, eficiência energética e transição para uma economia de baixo carbono
A modernização da agroindústria com tecnologias de menor impacto ambiental contará com um limite de financiamento de R$ 150 milhões no Rio Grande do Sul. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a operação para a Soli3 União Central Cooperativa, localizada em Cruz Alta, destinada à aquisição de máquinas e equipamentos voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa e à adaptação às mudanças climáticas.
Os recursos são provenientes do Fundo Clima, instrumento federal de financiamento de projetos relacionados à sustentabilidade ambiental e à transição para uma economia de baixo carbono.
Os equipamentos serão instalados na unidade industrial de processamento de soja da cooperativa, que também contempla a produção de biodiesel, combustível renovável fabricado a partir de matérias-primas como os óleos vegetais.
O financiamento foi aprovado no âmbito do programa Fundo Clima – Máquinas Verdes. O limite de crédito terá prazo de utilização de dois anos, com possibilidade de prorrogação por mais 12 meses.
A iniciativa foi anunciada pelo BNDES na terça-feira (13) e está relacionada à estratégia de modernização da agroindústria, com investimentos em equipamentos que contribuam para tornar os processos produtivos mais eficientes e ambientalmente sustentáveis.
Redução de emissões é um dos objetivos do investimento
A aquisição de máquinas e equipamentos busca melhorar o desempenho ambiental das operações industriais da Soli3, especialmente em relação ao consumo de energia e às emissões de gases de efeito estufa.
O investimento está alinhado às políticas de incentivo à modernização tecnológica e à redução da intensidade de carbono das atividades econômicas.
Segundo o diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, José Luis Gordon, o financiamento poderá contribuir para reduzir o impacto ambiental da operação industrial.
“Essa operação vai permitir à cooperativa reduzir a pegada de carbono de suas atividades e aumentar sua eficiência energética. O projeto está vinculado a um modelo de desenvolvimento mais sustentável e alinhado às metas de transição para uma economia de baixo carbono”, afirmou.
A modernização de instalações industriais é uma das estratégias utilizadas para melhorar o aproveitamento de energia e recursos durante os processos produtivos.
No entanto, o comunicado do BNDES não apresenta estimativas quantitativas sobre a redução de emissões ou a economia de energia que poderá ser alcançada com os novos equipamentos.
Esses resultados dependerão das tecnologias efetivamente adquiridas, de sua instalação e do desempenho durante a operação.
Fundo Clima apoia transição para uma economia de baixo carbono
O Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, conhecido como Fundo Clima, é um instrumento de financiamento vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
O BNDES atua como agente operador dos recursos reembolsáveis, apoiando investimentos associados à mitigação das mudanças climáticas e à adaptação aos seus efeitos.
Entre os objetivos do fundo estão estimular a adoção de tecnologias de menor impacto ambiental, promover a eficiência energética e apoiar a transformação de atividades econômicas para padrões produtivos menos intensivos em carbono.
A operação destinada à Soli3 foi enquadrada na modalidade Máquinas Verdes, voltada ao financiamento de equipamentos que atendam aos critérios ambientais do programa.
A aprovação de um limite de crédito não significa que os R$ 150 milhões já tenham sido integralmente desembolsados.
A utilização ocorrerá conforme as condições estabelecidas na contratação e o cronograma de investimentos da cooperativa.
Produção de biodiesel integra estratégia de sustentabilidade
A unidade industrial da Soli3 foi estruturada para processar soja e produzir diferentes derivados, incluindo óleo vegetal, farelo, biodiesel e glicerina.
O biodiesel é um biocombustível produzido a partir de matérias-primas renováveis e utilizado na mistura obrigatória ao óleo diesel comercializado no Brasil, conforme as regras do setor.
Sua produção integra a estratégia brasileira de diversificação das fontes energéticas e ampliação da participação dos biocombustíveis na matriz de transportes.
O uso de matérias-primas renováveis oferece alternativas aos combustíveis de origem fóssil, embora os benefícios climáticos dependam de fatores como a origem da matéria-prima, o consumo de energia e as emissões ao longo da cadeia produtiva.
No caso da Soli3, a produção de biodiesel está associada ao processamento industrial da soja, permitindo o aproveitamento de diferentes produtos derivados da oleaginosa.
O óleo obtido durante o processamento pode ser utilizado como matéria-prima para o biocombustível, enquanto o farelo possui aplicações importantes na alimentação animal.
A glicerina, gerada como coproduto da fabricação de biodiesel, também pode ser destinada a diferentes atividades industriais.
Essa integração amplia as possibilidades de aproveitamento econômico da soja e contribui para a diversificação das atividades do empreendimento.
Cooperativa tem capacidade para processar 1 milhão de toneladas de soja por ano
A unidade industrial da Soli3 possui capacidade de processamento de 1 milhão de toneladas de soja por ano.
A estrutura foi desenvolvida para agregar valor à produção agrícola por meio da transformação dos grãos em produtos destinados a diferentes mercados.
Além das instalações industriais, o empreendimento conta com um terminal ferroviário interno, destinado à expedição de soja, farelo, óleo degomado e biodiesel.
A utilização da ferrovia permite transportar grandes volumes de mercadorias e pode contribuir para a eficiência logística, dependendo das distâncias percorridas, da infraestrutura disponível e das condições operacionais.
O transporte ferroviário também apresenta potencial de redução das emissões por tonelada transportada em determinadas operações, especialmente quando comparado ao transporte exclusivamente rodoviário.
Entretanto, o BNDES não divulgou estimativas de redução de emissões relacionadas à utilização do terminal ferroviário da cooperativa.
Soli3 reúne três cooperativas e aproximadamente 35 mil produtores associados
A Soli3 União Central Cooperativa foi fundada em 2024, reunindo três importantes cooperativas agropecuárias do Rio Grande do Sul: Cotrijal, Cotripal e Cotrisal.
As organizações possuem, juntas, aproximadamente 35 mil associados distribuídos por 112 municípios gaúchos.
Também empregam mais de 7,4 mil colaboradores, segundo os dados apresentados pelo BNDES.
A união das cooperativas teve como objetivo estruturar um empreendimento industrial compartilhado, capaz de ampliar o aproveitamento da produção agrícola de seus cooperados.
A proposta envolve o processamento de soja e a fabricação de derivados, permitindo que parte da produção seja destinada a etapas industriais de maior valor agregado.
O modelo busca fortalecer o cooperativismo agroindustrial e ampliar as oportunidades comerciais dos associados.
A integração entre produção agrícola e industrialização também pode contribuir para ampliar a competitividade das cooperativas, embora os resultados dependam das condições de mercado e da gestão do empreendimento.
Investimentos buscam agregar valor à produção dos cooperados
Para o presidente da Cotripal e da Soli3, Germano Döwich, a aquisição de máquinas verdes integra a estratégia de desenvolvimento industrial da cooperativa.
Segundo ele, os investimentos procuram associar eficiência produtiva, modernização tecnológica e sustentabilidade.
“Os investimentos em máquinas verdes reforçam a construção de um empreendimento moderno, eficiente e sustentável. Também evidenciam a força do cooperativismo e o que pode ser alcançado quando três cooperativas unem experiência, capacidade e visão de futuro”, destacou.
Döwich também informou que existem outros projetos em análise, voltados à ampliação das atividades industriais e à agregação de valor à produção dos associados.
A estratégia busca ampliar a participação das cooperativas na industrialização da soja, fortalecendo sua atuação além da produção e comercialização dos grãos.
Sustentabilidade na agroindústria envolve toda a cadeia produtiva
A redução do impacto ambiental da agroindústria depende de diferentes fatores, que vão desde a produção agrícola até o processamento industrial e a distribuição dos produtos.
Entre os aspectos relevantes estão o consumo de energia, a utilização de matérias-primas, a eficiência dos equipamentos, a gestão dos resíduos e as emissões associadas às operações.
No setor de biocombustíveis, a avaliação ambiental também envolve a origem das matérias-primas e o desempenho de toda a cadeia de produção.
A adoção de equipamentos mais eficientes pode contribuir para reduzir desperdícios e melhorar o aproveitamento dos recursos utilizados nas instalações industriais.
Entretanto, os benefícios precisam ser avaliados a partir de indicadores técnicos e resultados efetivamente alcançados.
No financiamento aprovado para a Soli3, o objetivo declarado é apoiar tecnologias relacionadas à redução das emissões de gases de efeito estufa e à adaptação às mudanças climáticas.
O comunicado não detalha quais equipamentos serão adquiridos nem apresenta metas específicas de desempenho ambiental.
Por esse motivo, os impactos climáticos do investimento ainda não podem ser quantificados.
Crédito climático amplia possibilidades de modernização industrial
A aprovação do limite de R$ 150 milhões demonstra a utilização de mecanismos públicos de financiamento para estimular investimentos associados à sustentabilidade na agroindústria.
O Fundo Clima busca apoiar projetos capazes de contribuir para a transição econômica e energética, conciliando atividades produtivas com medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
No Rio Grande do Sul, o financiamento destinado à Soli3 será aplicado em uma estrutura que reúne processamento de soja, produção de biocombustíveis e logística ferroviária.
A expectativa apresentada pelo BNDES é que a incorporação de novos equipamentos contribua para aumentar a eficiência energética e reduzir a pegada de carbono das atividades industriais.
A concretização desses benefícios dependerá da execução do projeto e da utilização das tecnologias financiadas.
O investimento também está relacionado à estratégia das cooperativas de agregar valor à produção agrícola, ampliando a integração entre o campo e a indústria.
Principais informações do financiamento
Valor do limite de crédito aprovado: R$ 150 milhões
Instituição financiadora: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
Programa: Fundo Clima – Máquinas Verdes
Beneficiária: Soli3 União Central Cooperativa
Localização: Cruz Alta, Rio Grande do Sul
Finalidade: aquisição de máquinas e equipamentos relacionados à redução de emissões de gases de efeito estufa e à adaptação às mudanças climáticas
Prazo de utilização do crédito: dois anos, com possibilidade de prorrogação por mais 12 meses
Cooperativas integrantes: Cotrijal, Cotripal e Cotrisal
Número de associados: aproximadamente 35 mil
Municípios de atuação das cooperativas: 112
Número de colaboradores: mais de 7,4 mil
Capacidade de processamento industrial: 1 milhão de toneladas de soja por ano
Produtos previstos na unidade: farelo de soja, óleo de soja, biodiesel e glicerina
A operação reforça a participação do financiamento climático na modernização de atividades agroindustriais, com foco na incorporação de tecnologias voltadas à eficiência energética e à redução de emissões. No caso da Soli3, os resultados ambientais deverão ser avaliados conforme os investimentos forem realizados e os novos equipamentos entrarem em operação.
Fonte: Agência BNDES de Notícias.