Reconhecimento internacional permitirá ampliar pesquisas, transferência de tecnologia e cooperação em manejo sustentável, carbono e bioeconomia florestal
A Embrapa Florestas foi reconhecida como o primeiro Centro de Referência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) dedicado a florestas plantadas no mundo.
A designação amplia a participação brasileira em projetos internacionais envolvendo pesquisa, inovação e desenvolvimento de sistemas florestais produtivos, resilientes e de baixa emissão de carbono.
Como centro de referência, a Embrapa poderá fornecer à FAO e aos países participantes assessoria técnica, dados científicos, pesquisas, capacitação e transferência de tecnologias relacionadas ao setor florestal.
Entre as áreas previstas estão silvicultura e manejo florestal sustentável, sistemas integrados de produção, melhoramento genético, sanidade florestal, controle biológico de pragas, métricas de carbono, redução das emissões de gases de efeito estufa e bioeconomia.
Florestas plantadas ocupam 304 milhões de hectares
As florestas plantadas ocupam aproximadamente 304 milhões de hectares em todo o mundo. Desse total, cerca de 157 milhões de hectares correspondem a plantações florestais intensivas, destinadas principalmente à produção.
A China possui a maior área de florestas plantadas, seguida por Estados Unidos, Rússia, Canadá, Índia, Brasil, Japão e Suécia.
No Brasil, são cerca de 10,4 milhões de hectares. Eucalipto e pinus predominam nas áreas cultivadas, mas o país também possui plantios de espécies como araucária, acácia, seringueira, erva-mate, teca, paricá, mogno-africano, castanha-do-brasil e cedro-australiano.
Pesquisa brasileira ganha projeção internacional
A atuação como Centro de Referência ocorrerá de acordo com as demandas de cooperação e dependerá da captação conjunta de recursos para os projetos.
A intenção é utilizar a experiência científica acumulada no Brasil para apoiar outros países no desenvolvimento de florestas plantadas mais produtivas e sustentáveis, ao mesmo tempo em que novas redes internacionais de pesquisa poderão fortalecer os trabalhos desenvolvidos no território brasileiro.
Segundo o diretor-geral adjunto da FAO e diretor da Divisão Florestal, Zhimin Wu, a criação dos centros de referência permite aproximar o conhecimento científico dos desafios enfrentados pelos países.
“Ao conectar conhecimentos especializados às necessidades dos países, podemos acelerar o intercâmbio de conhecimento e a inovação, além de ajudar a transformar a ciência em soluções práticas”, afirmou.
Para a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, o reconhecimento reforça quase cinco décadas de pesquisa voltadas ao desenvolvimento florestal.
“São quase 50 anos de pesquisas e de ciência para o desenvolvimento florestal, que hoje se traduzem neste reconhecimento, em que a Embrapa poderá tanto ajudar outros países como também fortalecer trabalhos e redes de cooperação dentro do Brasil”, destacou.