Estudo mostra que distância entre os recursos disponíveis e o necessário para conservar a natureza quase dobrou desde 2020
A proteção da biodiversidade mundial exige atualmente cerca de US$ 1,317 trilhão adicionais por ano, segundo levantamento elaborado pela The Nature Conservancy, pelo World Wildlife Fund e pelo Paulson Institute.
O valor representa o déficit entre o que já é investido em conservação e o montante considerado necessário para conter a perda de espécies, preservar ecossistemas e reduzir os impactos da degradação ambiental.
Em 2020, quando foi publicado o primeiro relatório da série, essa diferença era estimada em US$ 711 bilhões. Seis anos depois, o déficit quase dobrou.
O estudo também chama atenção para a diferença entre os recursos destinados à conservação e aqueles associados a atividades prejudiciais ao meio ambiente. Segundo o relatório, para cada dólar investido na proteção da natureza, cerca de US$ 30 são direcionados a subsídios e incentivos considerados danosos à biodiversidade.
Os pesquisadores apontam que a revisão dessas políticas poderia liberar parte significativa dos recursos necessários para ampliar a conservação ambiental.
Entre os mecanismos já disponíveis para financiar a proteção da natureza estão mercados de carbono e modelos de financiamento de longo prazo destinados à implantação e manutenção de áreas de conservação.
O relatório defende ainda a ampliação de iniciativas que já apresentaram resultados positivos, além da incorporação da biodiversidade às decisões econômicas de governos, empresas e instituições financeiras.
Entre as medidas propostas estão a reforma de subsídios prejudiciais ao meio ambiente, a ampliação do crédito e dos investimentos voltados à conservação e o reconhecimento da natureza como um ativo essencial para a atividade econômica.
O estudo também recomenda maior participação de bancos multilaterais e instituições financeiras de desenvolvimento na mobilização de recursos destinados à biodiversidade.
Outro ponto destacado é a necessidade de tratar as crises climática e da biodiversidade de maneira integrada, com políticas e investimentos capazes de enfrentar simultaneamente a perda de espécies, a degradação dos ecossistemas e os efeitos das mudanças climáticas.