China concentra a maior parte da produção mundial, enquanto outros países ampliam investimentos para reduzir a dependência e reforçar a segurança de abastecimento
Os ímãs de terras raras estão entre os componentes mais importantes para setores de alta tecnologia. Materiais como neodímio-ferro-boro (NdFeB) e samário-cobalto (SmCo) são utilizados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica industrial, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.
A importância estratégica desses materiais cresceu com a forte concentração da cadeia produtiva na China, que responde pela maior parte da fabricação mundial de ímãs de alto desempenho. Esse domínio passou a preocupar governos e empresas diante de restrições à exportação e da maior volatilidade no fornecimento internacional.
A resposta tem sido acelerar investimentos em novas cadeias produtivas fora do território chinês. Estados Unidos, Europa e outros mercados buscam ampliar a capacidade de mineração, processamento de terras raras e fabricação de ímãs, reduzindo a dependência de um único fornecedor.
Nos Estados Unidos, o movimento ganhou força com investimentos públicos e privados voltados à criação de uma cadeia integrada, da extração mineral à produção final dos ímãs. Empresas do setor também ampliam projetos na América do Norte, Austrália, Brasil e Europa.
A estratégia norte-americana está ligada, entre outros fatores, à necessidade de garantir o fornecimento de materiais considerados críticos para os setores de defesa, aeroespacial, energia e tecnologia.
A reciclagem também passou a fazer parte dessa política. Resíduos de fabricação, equipamentos eletrônicos descartados e ímãs usados podem se tornar fontes secundárias de terras raras, reduzindo a necessidade de novas extrações e ampliando o aproveitamento doméstico desses materiais.
Segundo projeções da IDTechEx, a participação chinesa na capacidade global de produção deverá diminuir ao longo da próxima década com a entrada de novos produtores. A consultoria estima que os Estados Unidos poderão se consolidar como um dos principais polos mundiais do setor.
Ao mesmo tempo, a rápida expansão da capacidade produtiva pode provocar um novo desafio. Caso a oferta cresça mais rapidamente que a demanda, o mercado poderá enfrentar excesso de capacidade e maior pressão sobre os preços.
A procura por ímãs de terras raras, porém, tende a continuar crescendo. Entre os principais vetores estão veículos elétricos, robôs humanoides, energia eólica, equipamentos industriais e a expansão de data centers ligados à inteligência artificial.
O cenário indica uma cadeia global cada vez mais fragmentada, com a China mantendo posição dominante, mas enfrentando a expansão de novos centros de produção apoiados por políticas industriais e investimentos estratégicos
Fonte: IDTechEx e Brasil 61