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Governo investiga possível ação organizada por trás dos incêndios florestais no Amazonas

Força-tarefa já instaurou 120 procedimentos para apurar possíveis crimes ambientais; operações mobilizam aeronaves e centenas de brigadistas, enquanto fumaça compromete a qualidade do ar e provoca suspensão de aulas em Manaus

Vitória News 14/10/2026 22:38
Governo investiga possível ação organizada por trás dos incêndios florestais no Amazonas
Foto: Divulgação/Ibama

O governo federal investiga a possibilidade de uma ação organizada estar por trás dos incêndios florestais que atingem o Amazonas e provocam uma grave crise ambiental no estado. Até esta quarta-feira (14), equipes da força-tarefa responsável pelas operações já haviam registrado 120 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) para apurar possíveis condutas criminosas relacionadas às queimadas.

A informação foi apresentada pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, durante entrevista coletiva realizada em Manaus.

Segundo o ministro, há indícios de que os incêndios tenham sido provocados por ação humana. As autoridades trabalham para identificar os responsáveis e verificar se existe articulação entre diferentes ocorrências registradas no estado.

A investigação envolve a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Civil do Amazonas e outros órgãos de segurança. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também participa dos trabalhos, diante da suspeita de possíveis ações coordenadas.

Os incêndios provocaram extensas nuvens de fumaça, comprometeram a qualidade do ar e afetaram o funcionamento de instituições de ensino na capital amazonense.

Governo suspeita de ação coordenada para provocar incêndios

Durante a entrevista coletiva, Capobianco afirmou que o governo pretende intensificar as investigações para identificar a origem dos incêndios e responsabilizar os envolvidos.

“Vamos iniciar uma ação forte de investigação para identificar quem está operando esse conjunto enorme de incêndios e verificar se há uma organização por trás disso. E vamos punir aqueles que forem identificados de forma exemplar para que não fique na região uma sensação de impunidade”, declarou.

A suspeita de atuação coordenada levou à participação da Abin, que deverá contribuir com informações de inteligência para as investigações.

O ministro mencionou episódios anteriores de incêndios associados a possíveis ações criminosas, incluindo ocorrências registradas em 2024, quando houve grande concentração de focos de fogo em diferentes regiões do país.

“Existe uma suspeita de ação organizada. Por isso, além de todos os que estão aqui, todas as investigações, também temos a participação da Abin, a Agência Brasileira de Inteligência, para verificar se está se repetindo aqui o que ocorreu em outro momento no chamado ‘Dia do Fogo’”, afirmou.

Apesar das suspeitas, a existência de uma organização responsável pelos incêndios ainda não foi confirmada pelas autoridades.

Os procedimentos de investigação deverão buscar elementos que permitam identificar autores, circunstâncias e eventuais vínculos entre as ocorrências.

Incêndios criminosos podem resultar em multas e prisão

A legislação ambiental brasileira prevê sanções administrativas e criminais para quem provoca incêndios florestais de maneira ilegal.

Segundo as informações divulgadas pelo governo federal, as multas administrativas podem variar de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hectare ou fração de área atingida, conforme o enquadramento da infração.

Além das multas, os responsáveis podem sofrer outras medidas administrativas, incluindo embargo de áreas e apreensão de equipamentos utilizados nas práticas ilegais.

A responsabilização criminal dependerá da apuração dos fatos e da identificação das condutas previstas na legislação.

Em determinadas circunstâncias, os envolvidos poderão responder a processos judiciais que resultem em penas de prisão.

Os 120 Termos Circunstanciados de Ocorrência registrados até quarta-feira representam procedimentos relacionados à apuração de possíveis infrações. O número não corresponde necessariamente à quantidade de pessoas identificadas ou condenadas.

Fumaça prejudica população e suspende aulas em Manaus

Os incêndios florestais também provocaram consequências para a população, especialmente em Manaus, onde a concentração de fumaça comprometeu a qualidade do ar.

A situação levou à suspensão de aulas presenciais na rede municipal de ensino e em unidades de instituições públicas de educação.

Entre os estabelecimentos afetados estão unidades da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o campus Manaus Zona Leste do Instituto Federal do Amazonas (Ifam).

A fumaça proveniente das queimadas contém partículas e gases que podem afetar a saúde, principalmente de crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.

A exposição à poluição atmosférica pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, tosse e dificuldades para respirar, além de agravar condições de saúde preexistentes.

Durante a coletiva, Capobianco destacou os prejuízos enfrentados pela população da capital amazonense.

“A população de Manaus foi tremendamente prejudicada e está sendo tremendamente prejudicada. Há uma destruição ambiental em curso e nós precisamos punir os responsáveis porque são incêndios criminosos”, afirmou.

Redução de focos traz expectativa de melhora

Apesar da gravidade da situação, o Ministério do Meio Ambiente informou que houve uma redução perceptível na ocorrência de novos incêndios.

O ministro destacou que os dados recentes indicam uma tendência positiva, mas ressaltou que a emergência ainda exige atenção.

“Nós temos dados positivos. Não podemos comemorar, porque ainda temos uma situação grave, ainda tem muita fumaça, mas houve uma redução nos eventos de queimadas e de incêndios. Portanto, nós temos um movimento positivo e há um indicativo de redução de novos focos”, declarou.

A redução dos incêndios mais próximos de Manaus não significa necessariamente uma melhora imediata da qualidade do ar.

Isso ocorre porque a fumaça também pode ser transportada de áreas distantes, dependendo das condições meteorológicas.

Segundo Capobianco, a circulação dos ventos na região tem contribuído para levar fumaça de outros pontos do estado em direção à capital.

“Há uma certa convergência de forças de ventos para a região de Manaus. É um fenômeno meteorológico sobre o qual nós não temos controle. Nós estamos combatendo intensamente, reduzimos muito os incêndios mais próximos da capital. Mas nós ainda temos incêndios mais distantes, que estão trazendo fumaça para Manaus. Nós esperamos que isso possa reduzir”, explicou.

A expectativa do governo é que a diminuição dos focos ativos contribua para a melhora das condições atmosféricas nos próximos dias, embora o resultado também dependa do comportamento dos ventos.

Amazonas registra 292 incêndios extintos e oito ainda ativos

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, desde o início da temporada de incêndios florestais, as equipes de combate conseguiram extinguir 292 incêndios no Amazonas.

Até o balanço divulgado nesta quarta-feira, outros oito incêndios permaneciam ativos.

Os dados representam o acompanhamento das ocorrências combatidas pelas equipes mobilizadas e não devem ser confundidos com o total de focos de calor detectados por satélites.

A distinção é importante porque um incêndio florestal pode produzir diferentes registros de calor ao longo de sua extensão e duração.

As operações enfrentam dificuldades adicionais em razão das características geográficas da Amazônia, onde existem áreas de floresta de difícil acesso terrestre.

Em algumas localidades, o deslocamento de brigadistas e equipamentos depende de apoio aéreo e logístico especializado.

Onze aeronaves reforçam combate às queimadas

O governo federal disponibilizou 11 aeronaves para apoiar as operações de combate aos incêndios florestais no Amazonas.

Desse total, seis são empregadas no combate direto ao fogo, com capacidade para realizar lançamentos rápidos de água sobre as áreas atingidas.

A estrutura mobilizada também inclui um avião KC-390, utilizado em operações de lançamento de grandes volumes de água.

Três helicópteros participam das atividades, contribuindo para o transporte de brigadistas, equipamentos e operações de combate, especialmente em locais de difícil acesso.

Uma aeronave Caravan foi destinada ao apoio logístico das equipes.

A utilização desses equipamentos busca ampliar a capacidade de resposta às ocorrências e permitir que os profissionais alcancem regiões onde o deslocamento terrestre é limitado.

A mobilização aérea atua em conjunto com o trabalho realizado pelas equipes em solo, responsáveis pelo combate direto, monitoramento e controle dos incêndios.

Mais de 300 brigadistas deverão atuar nas operações

Segundo o balanço apresentado pelo Ministério do Meio Ambiente, 290 brigadistas já estavam mobilizados em campo até quarta-feira.

Outros 40 brigadistas federais estavam em deslocamento para reforçar as operações.

Com a chegada desses profissionais, o efetivo informado poderá alcançar 330 brigadistas.

O trabalho envolve atividades de combate às chamas, monitoramento de áreas atingidas e ações para impedir a propagação do fogo.

O reforço das equipes ocorre diante da necessidade de manter o atendimento simultâneo a diferentes ocorrências e ampliar a capacidade operacional nas regiões mais afetadas.

A atuação em ambientes florestais exige planejamento e medidas específicas de segurança, especialmente em locais onde a vegetação, as condições climáticas e as dificuldades de acesso tornam o combate mais complexo.

Ministros sobrevoaram áreas atingidas

No domingo (11), o ministro João Paulo Capobianco e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, realizaram um sobrevoo em áreas afetadas pelos incêndios.

Durante a operação, foram identificadas ocorrências de fogo em regiões florestais de difícil acesso.

A visita permitiu acompanhar parte da situação enfrentada pelas equipes e as condições das áreas atingidas.

O deslocamento também ocorreu no contexto das medidas federais de apoio ao Amazonas, que enfrenta uma emergência ambiental associada à intensificação das queimadas e à deterioração da qualidade do ar.

Investigação e prevenção são essenciais para evitar novos incêndios

Além do combate às ocorrências em andamento, o governo federal pretende intensificar a investigação das possíveis causas criminosas dos incêndios.

A identificação dos responsáveis é considerada importante para impedir a repetição de práticas ilegais que contribuem para a destruição da vegetação e para a poluição atmosférica.

Os incêndios florestais podem provocar perda de biodiversidade, degradação do solo, emissão de gases de efeito estufa e prejuízos às comunidades que dependem dos recursos naturais.

A fumaça também pode atingir municípios distantes das áreas diretamente afetadas pelo fogo, ampliando os impactos sobre a saúde pública e as atividades econômicas.

No Amazonas, a situação atual demonstra a importância de integrar fiscalização ambiental, inteligência policial, prevenção e resposta rápida às emergências.

Embora o governo tenha identificado uma redução nos incêndios mais recentes, a permanência de focos ativos e a concentração de fumaça indicam que a emergência ainda não foi superada.

Principais números da operação no Amazonas

Procedimentos instaurados para apurar possíveis crimes: 120

Incêndios extintos desde o início da temporada: 292

Incêndios ainda ativos: oito

Aeronaves federais disponibilizadas: 11

Brigadistas em campo: 290

Brigadistas federais em deslocamento: 40

Efetivo previsto após o reforço: 330 brigadistas

Multas administrativas por incêndios ilegais: de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hectare ou fração, conforme a infração

Órgãos envolvidos nas investigações: Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil do Amazonas e Agência Brasileira de Inteligência, em articulação com outras forças de segurança

O governo federal mantém as operações de combate aos incêndios e a apuração das possíveis responsabilidades criminais. A suspeita de ação organizada continua sob investigação, enquanto as autoridades buscam reduzir os focos ativos e os impactos da fumaça sobre a população amazonense.

Fonte: Agência Brasil, com informações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

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