Documento apoiado por associações do Espírito Santo propõe união política, liberdade econômica e preparação de propostas para o próximo governo
Entidades ligadas ao associativismo empresarial lançaram um manifesto em defesa da redução da polarização política e da construção de um governo que dialogue com diferentes setores da sociedade.
O documento é liderado pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e pode receber adesões de pessoas físicas e empresas. Entre as entidades que apoiam a iniciativa estão a Associação Comercial e Empresarial do Espírito Santo (ACE-ES) e a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Espírito Santo (Faciapes).
Também participam organizações empresariais de diferentes estados, como Maranhão, Rio Grande do Sul, Amapá, Goiás, Santa Catarina, Alagoas, Acre e Minas Gerais.
O manifesto afirma que as divisões políticas não têm contribuído para resolver problemas relacionados ao custo de vida, emprego, educação e segurança e defende maior diálogo entre diferentes grupos da sociedade.
Entre os princípios apresentados estão a valorização do trabalho, do empreendedorismo, da liberdade econômica, da propriedade privada e da geração de empregos. O documento também destaca a importância de trabalhadores, pequenos empresários, produtores rurais e profissionais liberais para o desenvolvimento econômico.
Outro ponto é a defesa da independência entre os Poderes da República. Segundo o manifesto, Executivo, Legislativo e Judiciário devem atuar dentro de suas atribuições constitucionais, como forma de fortalecer as instituições e ampliar a confiança da sociedade e dos investidores.
A proposta ainda defende que o próximo governo represente diferentes regiões, classes sociais e grupos políticos, além de buscar convergência em torno de pautas consideradas comuns.
Entidades buscam ampliar adesões
O presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, afirmou que a intenção é aumentar o número de adesões para fortalecer a representação do sistema associativista nas futuras discussões com o governo.
“Queremos o maior número de adesões para mostrar representatividade do nosso sistema. Vamos dar as mãos e somar esse esforço. Quanto mais entidades assinarem o manifesto, mais força ganhamos para o futuro diálogo com o governo”, afirmou.
O presidente emérito da CACB, Guilherme Afif Domingos, classificou o manifesto como uma carta de princípios do associativismo empresarial.
“O sistema de associativismo e as entidades que participam dele pensam desta forma. São os princípios que norteiam a nossa ação”, declarou.
Reforma Tributária entra no debate
Durante a mobilização das entidades, representantes do setor também discutiram os efeitos da implementação da Reforma Tributária, principalmente para micro e pequenas empresas.
O vice-presidente da CACB e presidente da Federaminas, Valmir Rodrigues, defendeu o adiamento da implementação para os pequenos negócios. Segundo ele, ainda existem indefinições relacionadas a sistemas, alíquotas e condições de transição.
“É impossível as micro e pequenas empresas aplicarem a Reforma Tributária a partir de janeiro. Ou essa reforma vai ter que ser prorrogada no mínimo um ano ou nós vamos ver um número enorme de micro e pequenas empresas sendo fechadas”, afirmou.
Já o presidente da Federacre, Rubenir Nogueira Guerra, apresentou posição diferente e defendeu a continuidade da implementação, com eventuais ajustes realizados posteriormente.
“Essa mudança pode não ser a melhor, mas tá aí e vamos fazer. Tudo no começo vai trazer um trauma, mas depois vai se ajustando. Vamos colocar essa reforma tributária para funcionar”, disse.
Propostas serão apresentadas ao próximo governo
Após o segundo turno das eleições, as entidades pretendem preparar um documento com propostas para diferentes áreas consideradas prioritárias pelo setor empresarial.
A intenção é apresentar as sugestões ao próximo presidente da República e utilizar a articulação das associações junto ao Congresso Nacional para defender reformas e medidas relacionadas ao ambiente de negócios.
Segundo Afif Domingos, o início do próximo mandato será considerado estratégico para a apresentação das propostas.
“Utilizaremos a nossa força e influência perante os parlamentares, para facilitar o processo de reformas. E reformas se fazem no primeiro ano de governo. Se passar um ano de governo, as coisas ficam mais difíceis. Então, nós precisamos saber o que queremos logo de saída, para que a gente possa ter as modificações”, concluiu.