A governadora Celina Leão (PP) foi reeleita para administrar o Distrito Federal, neste domingo, 25. Com 90% das urnas apuradas, Celina registrou 57,22% dos votos válidos. Leandro Grass (PT) ficou com 42,78%. Considerando os dados da Justiça Eleitoral, o resultado está matematicamente definido.
Celina Leão tem 49 anos, é bacharel em Direito e graduada em Administração de Empresas. É a primeira vez que uma mulher é eleita diretamente para governar o Distrito Federal.
Celina foi deputada distrital e presidiu a Câmara Legislativa do DF entre 2011 e 2016. Em 2018, ela foi eleita deputada federal e comandou a bancada feminina na Casa.
Em 2022, Celina venceu as eleições como vice-governadora na chapa encabeçada por Ibaneis Rocha (MDB). Celina assumiu o Palácio do Buriti em abril deste ano, com o afastamento de Ibaneis, que deixou o cargo para concorrer ao Senado mas desistiu da eleição.
No primeiro turno, Celina Leão teve 825.540 votos e ficou a apenas 168 votos de distância para liquidar a disputa na primeira etapa.
Eleição marcada por crise do BRB e rombo no orçamento
Celina ganhou a eleição com a promessa de solucionar a crise do Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo distrital. A instituição sofreu um rombo bilionário após as fraudes praticadas com o Banco Master, que pertencia ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A governadora havia prometido cobrir o prejuízo do Master no BRB até junho, o que não ocorreu. O governo do Distrito Federal pediu um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas não conseguiu a garantia de bancos nem da União para finalizar a operação.
Celina entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar a União a dar garantia no financiamento, e o processo está nas mãos do ministro Luiz Fux.
O BRB não publicou o balanço financeiro de 2025, mas o prejuízo é calculado pelo menos R$ 8,8 bilhões. O rombo pode ser maior, a depender da auditoria feita nas carteiras do Master que foram parar no Banco de Brasília e do patrimônio final da instituição.
Conforme o Estadão mostrou, a falta de balanço esvaziou os planos dos principais candidatos para o BRB, que temem o fim do banco após as eleições, com uma privatização ou liquidação.
Na semana anterior ao primeiro turno, Celina disse ao Estadão que, com o fim das eleições, o problema do BRB também acabaria e destacou o plano A era manter o banco público. No segundo turno, durante toda a campanha, ela reforçou o discurso de manter o BRB público.
Celina também assumiu o compromisso de reverter o rombo no Orçamento do Distrito Federal. O Tribunal de Contas do DF identificou um rombo de R$ 5,5 bilhões nas contas relativas a 2025. Celina chegou a anunciar que teria um superávit de R$ 3 bilhões em 2026, mas as contas ainda não se efetivaram.
No primeiro semestre, o governo do Distrito Federal registrou um superávit de R$ 1,7 bilhão, mas isso só foi possível com a arrecadação extraordinária após a venda de parcelas da dívida ativa do DF - a chamada securitização que antecipou receitas para os cofres -, e com uma contenção de gastos que podem se acumular no fim do ano ou serem transferidos para o ano que vem.
Na área de mobilidade urbana, Celina prometeu implantar gradualmente a tarifa zero no transporte público. Atualmente, há passe livre aos domingos e feriados.
A campanha de Celina foi marcada pelo discurso de que ela representaria um "novo governo", em uma tentativa de se descolar de Ibaneis, desgastado pela crise do Banco Master. Ibaneis foi o principal fiador político da compra do Master pelo BRB. O ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa, braço direito do ex-governador, foi preso acusado de receber propina do banqueiro Daniel Vorcaro.
Celina venceu a eleição após a saída do ex-governador José Roberto Arruda (PSD) da campanha. Ele estava em segundo lugar nas pesquisas e foi barrado pela Justiça Eleitoral em função da Lei da Ficha Limpa.
Derrotado, o ex-deputado Leandro Grass (PT) enfrentou resistências ao PT na capital do Brasil, pela influência do bolsonarismo e pelo histórico da gestão petista à frente do Executivo distrital.