Nordeste concentra a maior parte das cidades em risco alto ou muito alto, com impactos sobre cultivos de milho e feijão
A seca coloca em risco lavouras da agricultura familiar em 197 municípios brasileiros, segundo o monitoramento referente a setembro. O levantamento considera principalmente áreas onde o plantio começou em julho e o ciclo das culturas terminou em setembro.
Ao todo, 170 municípios foram classificados com risco alto de seca. Desse total, 131 estão no Nordeste, 34 no Norte e cinco no Centro-Oeste. Outros 27 municípios aparecem em condição de risco muito alto, sendo 26 no Nordeste e um na Região Norte.
O cenário preocupa principalmente as lavouras de sequeiro, que dependem diretamente das chuvas, com destaque para as plantações de milho e feijão.
Na comparação com o mesmo período de 2025, houve forte aumento da gravidade para as lavouras iniciadas em julho. Naquele momento, 32 municípios estavam em risco alto e nenhum havia sido enquadrado em risco muito alto.
Para os cultivos iniciados mais recentemente, em agosto e setembro, a situação mostrou melhora em parte do país, com redução de municípios em risco alto e moderado nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. No Norte, porém, houve aumento da severidade, especialmente no Amazonas.
Nordeste concentra maior vulnerabilidade
A Região Nordeste reúne 157 municípios nos dois níveis mais graves de risco. São 131 cidades em condição alta e outras 26 em risco muito alto de perdas agrícolas.
Os efeitos já aparecem em culturas como feijão-caupi, feijão-cores e milho. Estados como Paraíba, Bahia, Piauí, Alagoas e Pernambuco registraram impactos provocados pelo estresse hídrico em fases decisivas do desenvolvimento das plantas, como floração e enchimento dos grãos.
Na Bahia, a produtividade da segunda safra de milho terminou 38,5% abaixo da estimativa inicial. No Piauí e em Pernambuco, a estiagem prejudicou principalmente o feijão-caupi de plantio tardio.
Em Alagoas, lavouras de milho chegaram a ser destinadas à produção de silagem e ao pastejo diante das perdas provocadas pela seca. Em Sergipe, os baixos volumes de chuva reduziram o ciclo da cultura e contribuíram para produtividades menores.
Amazonas também enfrenta agravamento
Na Região Norte, o Amazonas aparece entre os estados com piora das condições. Dois municípios estavam em situação de seca severa e outros 27 em seca moderada em setembro.
Em Roraima, a irregularidade das chuvas entre junho e julho provocou impactos significativos na terceira safra de milho.
No Sudeste, Minas Gerais registrou restrição hídrica e estimativa de produção de milho 9,4% inferior à safra anterior.
No Sul, Paraná e Rio Grande do Sul tiveram lavouras de feijão afetadas pela estiagem e pela baixa umidade do solo, com prejuízos ao desenvolvimento das plantas e à qualidade dos grãos.
Como o risco é calculado
O monitoramento considera diferentes indicadores relacionados à chuva, à umidade do solo e às condições da vegetação.
Quando a seca ocorre no início do plantio, pode provocar atraso no calendário agrícola. Quando atinge as culturas durante o desenvolvimento, especialmente nas fases reprodutivas, aumenta o risco de perda de produtividade e quebra de safra.
Os dados ajudam a identificar as áreas mais vulneráveis e podem orientar medidas preventivas, planejamento agrícola e ações de apoio às comunidades rurais afetadas pela estiagem.