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Protesto contra Milei reúne milhares e termina em confronto na Argentina

Estudantes, professores e sindicatos cobram mais recursos para universidades públicas; polícia usa gás lacrimogêneo e jatos de água em Buenos Aires

Vitória News 16/10/2026 07:11

Milhares de argentinos foram às ruas de Buenos Aires, na quinta-feira (15), para protestar contra as políticas de austeridade do presidente Javier Milei e exigir o cumprimento da legislação que estabelece mais recursos para as universidades públicas. A manifestação, realizada nas proximidades do Congresso Nacional, terminou em confrontos entre parte dos participantes e as forças de segurança.

A mobilização integrou a quinta Marcha Federal Universitária, organizada por estudantes, professores, funcionários de instituições de ensino superior e entidades acadêmicas. O movimento recebeu o apoio de sindicatos, organizações sociais, aposentados e partidos de oposição.

Durante os incidentes, policiais utilizaram gás lacrimogêneo e caminhões com jatos de água para dispersar manifestantes. Houve registro de feridos, e os confrontos interromperam a programação prevista para o ato.

Além da capital argentina, manifestações foram realizadas em outras cidades, incluindo Córdoba e Rosário, ampliando a pressão sobre o governo por mudanças no financiamento da educação pública.

Universidades cobram cumprimento de lei aprovada pelo Congresso

A principal reivindicação dos manifestantes foi a aplicação da Lei de Financiamento Universitário, aprovada pelo Congresso argentino em agosto de 2025.

A legislação estabelece mecanismos de recomposição dos recursos destinados às universidades públicas, incluindo reajustes salariais para professores e funcionários e atualização de bolsas estudantis.

O presidente Javier Milei vetou a medida, mas o Congresso derrubou o veto em outubro de 2025, mantendo a legislação.

Apesar da decisão parlamentar, representantes das instituições de ensino afirmam que o governo não implementou integralmente as determinações previstas.

A questão também chegou à Justiça argentina, que proferiu decisões relacionadas ao cumprimento da lei. O governo recorreu judicialmente.

Os manifestantes defendem que a legislação seja aplicada e que as universidades recebam recursos suficientes para manter suas atividades acadêmicas, científicas e administrativas.

Professores relatam perda salarial de aproximadamente 30%

A situação financeira das universidades públicas argentinas foi um dos principais temas da mobilização.

Representantes da Universidade de Buenos Aires (UBA), uma das principais instituições de ensino superior da América Latina, estimam que os salários de seus professores tenham perdido aproximadamente 30% do poder de compra durante o governo Milei.

As entidades acadêmicas afirmam que a deterioração salarial e as restrições orçamentárias prejudicam as condições de trabalho e dificultam o funcionamento das instituições.

A UBA, que possui mais de 300 mil estudantes, participou da convocação da marcha e defendeu o cumprimento da legislação aprovada pelo Congresso.

Durante o protesto, professores e estudantes exibiram bandeiras e cartazes em defesa do ensino público, gratuito e de qualidade.

Juan Sgró, professor da Faculdade de Artes da Universidade Nacional de Córdoba, afirmou à agência Reuters que a mobilização continuará enquanto o financiamento previsto em lei não for efetivamente aplicado.

O movimento também reivindica a recomposição de bolsas estudantis e condições adequadas para o desenvolvimento das atividades de pesquisa e extensão universitária.

Polícia utiliza gás lacrimogêneo e jatos de água

Os confrontos começaram nas proximidades do Congresso argentino, onde milhares de pessoas estavam concentradas.

Segundo a agência EFE, os primeiros incidentes envolveram um pequeno grupo de pessoas encapuzadas que danificou estruturas urbanas e lançou objetos contra as barreiras instaladas ao redor do Parlamento.

As forças de segurança responderam com gás lacrimogêneo e jatos de água de alta pressão.

A ação policial atingiu também estudantes, professores, trabalhadores universitários e famílias que participavam pacificamente da manifestação.

Imagens divulgadas pela imprensa internacional mostraram manifestantes tentando se proteger dos gases enquanto caminhões da polícia lançavam água sobre a multidão.

A agência Reuters também registrou confrontos entre policiais e manifestantes que arremessaram pedras nas proximidades do Congresso.

Os episódios de violência ocorreram antes da realização do ato principal e provocaram a interrupção antecipada da mobilização em Buenos Aires.

Entre as ocorrências registradas pela imprensa argentina, uma manifestante foi atingida na cabeça por um artefato de gás lacrimogêneo, enquanto um cinegrafista de televisão sofreu uma agressão ao se aproximar de um dos envolvidos nos tumultos.

Sindicatos também realizaram paralisação nacional

A manifestação universitária coincidiu com uma greve nacional de 24 horas convocada pela Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE).

A entidade organizou paralisações e mobilizações para protestar contra o Decreto de Necessidade e Urgência 70/2023, editado por Milei no início de seu governo.

O decreto reúne medidas de desregulamentação econômica e mudanças em diferentes áreas da legislação argentina.

Os sindicatos reivindicam a revogação da norma e criticam os efeitos das políticas econômicas sobre trabalhadores e serviços públicos.

A mobilização também contou com o apoio da Confederação Geral do Trabalho (CGT) e das duas principais centrais de trabalhadores da Argentina, conhecidas como CTA.

Além das demandas relacionadas às universidades, participaram da manifestação organizações que defendem políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência, aposentados e outros setores sociais.

A convergência de diferentes reivindicações transformou o protesto em uma mobilização mais ampla contra medidas adotadas pelo governo argentino.

Financiamento universitário gera disputa sobre orçamento de 2027

Outro ponto importante da discussão envolve o orçamento das universidades para o próximo ano.

Segundo informações divulgadas pela imprensa argentina, a proposta orçamentária do governo Milei prevê aproximadamente 7,3 trilhões de pesos argentinos para o financiamento universitário em 2027.

O Conselho Interuniversitário Nacional (CIN), que reúne representantes das universidades públicas, considera o valor insuficiente e reivindica recursos superiores a 11 trilhões de pesos.

A diferença entre as duas propostas reflete o impasse entre a política de controle de despesas do governo e as necessidades financeiras apresentadas pelas instituições de ensino.

As universidades argumentam que os recursos são necessários para recompor salários, financiar bolsas e manter atividades acadêmicas.

O governo Milei, por sua vez, tem adotado uma política econômica voltada ao equilíbrio das contas públicas, com redução de despesas e controle do déficit fiscal.

As medidas são defendidas pela administração como parte de sua estratégia de estabilização econômica, mas enfrentam resistência de setores afetados pelas restrições orçamentárias.

Congresso também discute decreto econômico de Milei

A manifestação ocorreu no mesmo dia em que parlamentares da oposição tentavam avançar na discussão sobre a revogação do Decreto 70/2023.

A norma foi editada em dezembro de 2023, pouco depois da posse de Javier Milei, e integra o conjunto de medidas utilizadas pelo governo para modificar regras econômicas e administrativas.

O decreto tornou-se um dos principais pontos de divergência entre o governo e setores da oposição, sindicatos e organizações sociais.

A sessão parlamentar e as manifestações foram articuladas para ocorrer simultaneamente, aumentando a visibilidade das reivindicações apresentadas.

O movimento também incluiu discussões relacionadas à proteção de pessoas com deficiência e à legislação sobre aquisição de terras por estrangeiros.

Esses temas ampliaram o alcance político da mobilização, que reuniu diferentes grupos com demandas próprias.

Quinta marcha universitária amplia pressão sobre governo

O protesto de quinta-feira foi a quinta grande mobilização nacional em defesa das universidades públicas desde o início do governo Milei, em dezembro de 2023.

As manifestações anteriores também tiveram como principais reivindicações a recomposição do orçamento universitário e a preservação do ensino superior público.

A repetição dos atos demonstra a continuidade do conflito entre a administração federal e representantes do sistema universitário argentino.

As instituições defendem a atualização dos recursos diante das mudanças nos preços e nos custos de funcionamento.

O governo, por outro lado, mantém sua orientação de contenção de gastos como parte da política econômica nacional.

A disputa envolve decisões orçamentárias, a aplicação de legislação aprovada pelo Parlamento e o papel do Estado no financiamento do ensino superior.

Protestos também ocorreram em Córdoba e Rosário

A mobilização não ficou restrita a Buenos Aires.

Cidades como Córdoba e Rosário também registraram manifestações em defesa das universidades públicas, reunindo integrantes da comunidade acadêmica e representantes de organizações sociais.

A participação de diferentes regiões reforçou o caráter nacional da quinta Marcha Federal Universitária.

As universidades argentinas possuem tradição de participação em debates políticos e sociais, especialmente em questões relacionadas ao financiamento público da educação.

A atual mobilização reúne reivindicações salariais, demandas por recursos para manutenção das instituições e cobranças pela aplicação da legislação universitária.

Com os confrontos registrados em Buenos Aires, o episódio ganhou repercussão internacional e recolocou em evidência a disputa entre o governo Milei e o setor educacional.

O principal impasse permanece relacionado ao cumprimento da Lei de Financiamento Universitário e à definição dos recursos necessários para o funcionamento das instituições públicas.

A manifestação terminou com episódios de violência na capital argentina, enquanto estudantes, professores e sindicatos mantêm suas reivindicações por financiamento, recomposição salarial e cumprimento das decisões legislativas.

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