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Programa da CNI e Sebrae prepara nova fase para pequenas indústrias

Procompi já investiu quase R$ 104 milhões em 8,9 mil empresas e prepara ações de inovação, produtividade e sustentabilidade

Vitória News 16/10/2026 06:31
Programa da CNI e Sebrae prepara nova fase para pequenas indústrias
Imagem criada por IA/VN

As micro e pequenas indústrias brasileiras deverão contar com uma nova fase do Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias (Procompi), iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), desenvolvida em parceria com federações estaduais da indústria.

A reformulação pretende aproximar as ações do programa das necessidades atuais das empresas, com prioridade para produtividade, transformação digital, inovação, sustentabilidade e acesso a mercados.

As diretrizes foram discutidas durante o Encontro Nacional de Gestores do Procompi, que reuniu representantes de 21 estados brasileiros. A reunião ocorreu em um momento de transição, marcado pelo encerramento do ciclo vigente e pelo planejamento das próximas iniciativas.

Desde sua criação, nos anos 2000, o programa já destinou quase R$ 104 milhões a projetos de apoio à competitividade, alcançando aproximadamente 8,9 mil empresas.

A prestação de contas da etapa atual está prevista para março de 2027. Paralelamente, CNI, Sebrae e federações industriais trabalham na estruturação de um modelo que considere as transformações tecnológicas e produtivas ocorridas nos pequenos negócios.

Pequenas indústrias enfrentam novos desafios de competitividade

Um dos principais pontos discutidos no encontro foi a necessidade de adaptar as iniciativas de apoio às mudanças enfrentadas pelas empresas ao longo dos anos.

Negócios que começaram com estruturas reduzidas ampliaram a produção, incorporaram tecnologias e passaram a enfrentar desafios relacionados à gestão, aos fornecedores, à qualificação profissional e à conquista de novos mercados.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Ricardo Cavalcante, defendeu que as instituições responsáveis pelo programa mantenham atenção às demandas concretas do setor produtivo.

Como exemplo, apresentou a trajetória de uma pequena indústria cearense de sorvetes que participou do Procompi e, posteriormente, alcançou posição de destaque no mercado regional e nacional.

Segundo Cavalcante, o crescimento dessa empresa criou novas necessidades, incluindo o fortalecimento de seus fornecedores para acompanhar a expansão do negócio.

O exemplo demonstra a importância de atualizar as estratégias de apoio empresarial conforme a evolução das cadeias produtivas.

Para a CNI, a nova fase deverá permitir que as soluções oferecidas acompanhem diferentes estágios de desenvolvimento das empresas, sem limitar o atendimento a um conjunto único de necessidades.

Projetos terão foco nas características econômicas de cada região

A próxima etapa do Procompi prevê a elaboração de planos setoriais e territoriais, combinando diretrizes nacionais com diagnósticos específicos das economias locais.

A proposta é identificar os principais obstáculos enfrentados pelas indústrias em cada região e direcionar os projetos para necessidades concretas.

Entre os aspectos considerados estão o perfil das empresas, as características das cadeias produtivas, o nível de utilização de tecnologias e as oportunidades de expansão comercial.

O superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, destacou a importância de integrar as demandas apresentadas por sindicatos e territórios à estrutura de atendimento do Sistema Indústria.

A estratégia prevê a articulação com instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e o Sebrae.

A intenção é aproximar serviços de capacitação, consultoria, inovação e desenvolvimento empresarial, permitindo que os projetos sejam organizados conforme as prioridades identificadas em cada localidade.

Para estados com estruturas industriais diversificadas, como o Espírito Santo, a abordagem territorial pode ser relevante para setores que apresentam necessidades distintas de modernização e competitividade.

O material divulgado sobre o encontro não apresenta, porém, projetos específicos já definidos para a nova etapa no território capixaba.

Nova fase terá cinco prioridades para a indústria

A reformulação será desenvolvida em sintonia com o movimento Juntos pela Indústria, uma aliança entre Sebrae e Sistema Indústria voltada ao fortalecimento das empresas brasileiras.

A estratégia está organizada em cinco áreas: produtividade, transformação digital e inovação; sustentabilidade; desenvolvimento humano e bem-estar; acesso a mercados; e ambiente de negócios e econômico.

Essas frentes abrangem desafios que afetam diretamente a competitividade das pequenas indústrias, desde a modernização dos processos produtivos até a qualificação dos trabalhadores e a ampliação da presença comercial.

Fábio Krieger, representante do Sebrae Nacional, destacou que o diferencial do Procompi está na capacidade de desenvolver soluções específicas para cada cadeia produtiva.

Segundo ele, o programa deve concentrar esforços nos gargalos identificados pelas empresas, pelos sindicatos industriais e pelos territórios, complementando outras iniciativas de alcance nacional já existentes.

A proposta também pretende aproveitar experiências bem-sucedidas desenvolvidas nos estados, permitindo sua adaptação a diferentes setores industriais.

Plataforma digital amplia oportunidades para pequenas indústrias alimentícias

Entre os projetos apresentados durante o encontro, uma das experiências envolveu a utilização da tecnologia para ampliar as oportunidades comerciais de pequenas empresas do setor alimentício.

A plataforma Conecta Alimentos foi desenvolvida para facilitar a presença digital dos negócios e aproximar produtores de potenciais compradores.

O projeto foi apresentado por André Siqueira e reúne vitrines virtuais de empresas que atuam em segmentos como rações, temperos, proteínas animais e polpas de frutas.

A ferramenta permite divulgar produtos e ampliar a visibilidade das indústrias participantes, contribuindo para sua aproximação com novos mercados.

A experiência exemplifica como soluções digitais podem auxiliar empreendimentos que ainda enfrentam dificuldades para utilizar canais eletrônicos de divulgação e comercialização.

Para empresas menores, a presença digital pode representar uma oportunidade de diversificar clientes e reduzir a dependência de canais tradicionais de vendas.

Participação dos trabalhadores melhora processos e resultados

Outro exemplo apresentado no encontro destacou a contribuição dos trabalhadores para a inovação dentro das fábricas.

Paulo Rabelo Pinheiro, presidente do SindRoupas e diretor de Inovação da FIEC, relatou os resultados de um projeto que estimulou a criação de comitês internos de melhoria dos processos produtivos.

A iniciativa envolveu profissionais diretamente ligados à produção, como costureiras, cortadores e operadores.

Com a participação dessas equipes, as empresas passaram a identificar dificuldades operacionais e desenvolver soluções baseadas na experiência dos próprios trabalhadores.

Em uma das indústrias participantes, uma costureira que havia trabalhado em Portugal apresentou sugestões de melhorias que ainda não tinham sido identificadas pela administração.

Os resultados relatados também alcançaram a área financeira. Uma das empresas dobrou o faturamento, enquanto outra conseguiu reequilibrar as contas depois de operar com resultados negativos.

As experiências mostram como a gestão da inovação pode envolver não apenas investimentos em equipamentos, mas também mudanças na organização do trabalho e no aproveitamento dos conhecimentos das equipes.

Sustentabilidade e governança ganham espaço nas pequenas indústrias

A incorporação de práticas ambientais, sociais e de governança também integrou as discussões do encontro.

Dani Tavares, fundadora da We Seed, apresentou uma experiência de estruturação dessas práticas com apoio do Procompi.

O trabalho destacou a importância de organizar informações, estabelecer procedimentos de acompanhamento e medir os resultados das iniciativas adotadas pelas empresas.

A proposta é transformar compromissos relacionados à sustentabilidade e à governança em ações que possam ser acompanhadas por indicadores concretos.

Para pequenos negócios industriais, esse processo pode contribuir para melhorar a organização interna, a transparência e o planejamento das atividades.

A adoção dessas práticas também pode ter relação com exigências de clientes, fornecedores e mercados que valorizam informações sobre a origem dos produtos e os processos produtivos.

Indústria de jeans reduz consumo de água em 83%

Um dos exemplos mais concretos de inovação apresentados durante o encontro foi o da Benatêxtil, empresa do setor têxtil localizada em Fortaleza, no Ceará.

Durante visita técnica realizada em 8 de outubro, os gestores conheceram tecnologias adotadas pela fábrica para reduzir o consumo de água e de produtos químicos no beneficiamento de jeans.

Uma das soluções utiliza espuma no tratamento das peças, substituindo parte de um processo que anteriormente exigia grande volume de água.

Antes da mudança, o processamento de uma carga de 60 quilos de roupas consumia aproximadamente 1.800 litros de água.

Com a adoção da tecnologia, o volume foi reduzido para 300 litros por carga, uma economia de 1.500 litros, equivalente a aproximadamente 83%.

A solução foi proposta pela gerente da fábrica, que identificou a possibilidade de adaptar ao processo industrial uma técnica de limpeza utilizada em veículos.

O resultado demonstra como mudanças específicas nos processos produtivos podem gerar ganhos expressivos de eficiência no uso dos recursos naturais.

Laser e ozônio também são utilizados na produção

Além da tecnologia de espuma, a Benatêxtil utiliza equipamentos a laser para produzir desenhos e efeitos de desgaste nas peças de jeans.

O recurso substitui o uso de produtos químicos em determinadas etapas do acabamento, incluindo a criação de marcas que reproduzem as dobras formadas pelo uso das calças.

A empresa também utiliza ozônio em processos de lavagem, buscando reduzir a necessidade de agentes químicos.

Na área energética, a indústria emprega resíduos de madeira e briquetes de algodão como combustíveis e estuda alternativas para diminuir sua dependência da lenha.

As iniciativas demonstram diferentes possibilidades de modernização industrial voltadas à economia de insumos, à melhoria dos processos e à redução de impactos ambientais.

Troca de experiências entre estados orienta próxima etapa

O Encontro Nacional de Gestores do Procompi ocorreu nos dias 7 e 8 de outubro, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, em Fortaleza.

Além da apresentação de projetos, a programação incluiu debates sobre desenvolvimento industrial, digitalização, sustentabilidade e oportunidades de acesso a mercados.

A especialista de Política Industrial da CNI, Suzana Peixoto, destacou a importância de compartilhar as experiências desenvolvidas em diferentes regiões do Brasil.

A troca de conhecimentos permite identificar soluções que podem ser adaptadas a outros setores e localidades, reduzindo o tempo necessário para desenvolver projetos semelhantes.

Essa integração será importante para a construção da próxima fase do Procompi, que deverá considerar tanto os desafios nacionais da indústria quanto as particularidades econômicas de cada região.

O ciclo atual seguirá em processo de encerramento, com prestação de contas prevista até março de 2027.

Com a reformulação, CNI, Sebrae e federações industriais pretendem direcionar o apoio às necessidades atuais das micro e pequenas indústrias, fortalecendo a produtividade, a inovação e a capacidade de competir em diferentes mercados.

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