Levantamento de 8 a 15 de outubro mostra valorização do açúcar, do trigo e da soja no interior do Paraná; confira as cotações do Cepea
O mercado agropecuário brasileiro encerrou a semana com valorização de importantes produtos, especialmente café, boi gordo, frango, carne suína e açúcar. O milho apresentou a maior queda percentual entre os indicadores analisados, enquanto a soja registrou movimentos diferentes no interior do Paraná e no Porto de Paranaguá.
O levantamento do Agro Brasil Semanal, com base nos indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), compara as cotações de 8 e 15 de outubro de 2026, últimos valores disponíveis nas informações desta edição, divulgada nesta sexta-feira (16).
Entre os destaques estão a alta de 2,09% do café arábica, a valorização de 6,86% da carcaça suína especial e o avanço de 4,05% do açúcar cristal negociado em Santos. Na direção contrária, o milho acumulou desvalorização de 3,53% no período.
Café arábica sobe 2,09% e robusta também encerra semana em alta
O café apresentou valorização nas duas variedades acompanhadas pelo Cepea, embora tenha registrado oscilações ao longo dos pregões.
O café arábica, negociado pelo indicador Cepea/Esalq, encerrou a quinta-feira (15) cotado a R$ 1.577,21 por saca de 60 quilos. No dia 8 de outubro, o valor era de R$ 1.544,99, o que representa uma alta semanal de R$ 32,22, equivalente a 2,09%.
Somente na última apuração, o arábica apresentou valorização de 0,38%. Com esse movimento, o indicador passou a acumular pequena alta de 0,02% em outubro.
O café robusta, grupo ao qual pertence o conilon produzido no Espírito Santo, também registrou recuperação durante a semana.
A saca de 60 quilos passou de R$ 955,89, em 8 de outubro, para R$ 968,10 no dia 15. A diferença representa um aumento de R$ 12,21, ou 1,28%.
Apesar da recuperação semanal, o robusta ainda acumulava queda de 1,76% no mês de outubro, conforme o último indicador.
A distinção entre as variedades é importante para os produtores capixabas. O café arábica e o conilon pertencem a espécies diferentes, apresentam características próprias de produção e qualidade e são acompanhados por indicadores específicos de mercado.
No Espírito Santo, principal referência nacional na produção de conilon, as cotações do robusta são especialmente relevantes para acompanhar o comportamento geral desse segmento. Os valores efetivamente pagos aos produtores, entretanto, podem variar conforme classificação, qualidade e condições comerciais.
Boi gordo acumula valorização de 1,04% na semana
O indicador do boi gordo Cepea/Esalq, referente ao mercado paulista, encerrou a quinta-feira (15) em R$ 380,20 por arroba.
Em 8 de outubro, a cotação estava em R$ 376,30. A valorização acumulada no período foi de R$ 3,90 por arroba, equivalente a 1,04%.
O movimento de alta ocorreu ao longo das sessões analisadas, com o indicador avançando de R$ 377,80 no dia 9 para R$ 378,00 no dia 13, R$ 379,40 no dia 14 e R$ 380,20 no encerramento do levantamento.
Na comparação diária mais recente, a valorização foi de 0,21%, enquanto o ganho acumulado em outubro chegou a 4,36%.
O resultado demonstra a manutenção de uma trajetória positiva nas cotações do boi gordo durante o período acompanhado.
A arroba corresponde a 15 quilos e é a unidade tradicionalmente utilizada como referência para a negociação de bovinos destinados ao abate.
Frango congelado e resfriado apresentam alta de 1,31%
O mercado de carne de frango também registrou valorização semanal nos indicadores referentes ao estado de São Paulo.
O frango congelado passou de R$ 8,38 por quilo, em 8 de outubro, para R$ 8,49 no dia 15. O aumento foi de R$ 0,11 por quilo, equivalente a 1,31%.
Na última apuração, a alta diária foi de 1,19%, elevando a valorização acumulada em outubro para 2,29%.
O frango resfriado apresentou comportamento semelhante. O preço passou de R$ 8,40 para R$ 8,51 por quilo entre os dois dias de referência, também com avanço semanal de 1,31%.
No mês, o indicador do frango resfriado acumulava valorização de 2,41%.
Os preços consideram as regiões da Grande São Paulo, São José do Rio Preto e Descalvado, importantes referências para o acompanhamento do mercado atacadista de carne de frango.
Carcaça suína registra uma das maiores altas da semana
A carcaça suína especial apresentou valorização expressiva no período analisado.
O preço médio no atacado da Grande São Paulo passou de R$ 9,33 por quilo, em 8 de outubro, para R$ 9,97 no dia 15.
O aumento de R$ 0,64 por quilo representa uma alta semanal de 6,86%.
O avanço foi especialmente intenso na apuração do dia 13, quando o indicador registrou valorização diária de 5,60%.
Apesar da estabilidade observada no último levantamento, a carcaça suína acumulava alta de 17,29% em outubro.
O desempenho coloca o produto entre os principais destaques de valorização desta edição do Agro Brasil Semanal.
Suíno vivo tem preços entre R$ 5,77 e R$ 6,95 por quilo
No mercado do suíno vivo, os indicadores do Cepea apresentaram estabilidade diária em todos os cinco estados acompanhados na última apuração, em 15 de outubro.
O maior preço foi registrado em Minas Gerais, com R$ 6,95 por quilo, seguido por São Paulo, com R$ 6,63.
No Paraná, o valor ficou em R$ 5,90 por quilo. Santa Catarina registrou R$ 5,82, enquanto o Rio Grande do Sul apresentou a menor cotação entre os estados analisados, com R$ 5,77.
Os dados mostram que, apesar da estabilidade no último dia, o suíno vivo acumulava valorização durante outubro.
As altas mensais eram de 13,19% em Minas Gerais, 9,87% no Paraná, 9,49% no Rio Grande do Sul, 10,86% em Santa Catarina e 14,71% em São Paulo.
Os indicadores também apresentam condições comerciais distintas: preços postos em Minas Gerais e São Paulo e valores a retirar nos demais estados, característica importante para a interpretação das diferenças regionais.
Soja sobe no interior do Paraná, mas recua em Paranaguá
O mercado de soja apresentou resultados distintos nas duas referências paranaenses acompanhadas pelo Cepea.
No interior do Paraná, a saca de 60 quilos passou de R$ 148,14, em 8 de outubro, para R$ 148,71 no dia 15.
A valorização semanal foi de R$ 0,57, equivalente a 0,38%.
Apesar da recuperação na comparação semanal, o indicador apresentou ligeira queda de 0,03% na última apuração e acumulava desvalorização de 4% em outubro.
No Porto de Paranaguá, importante referência para a comercialização e exportação de soja, o comportamento foi diferente.
A cotação passou de R$ 154,91 para R$ 154,70 por saca entre 8 e 15 de outubro, representando recuo de 0,14%.
Na comparação com o dia anterior, entretanto, Paranaguá apresentou alta de 0,27%.
O indicador portuário encerrou o período com preço R$ 5,99 superior ao registrado no interior paranaense.
Essa diferença reflete cotações de mercados distintos, influenciados por condições comerciais próprias. Não representa, isoladamente, a margem de lucro de produtores ou empresas que comercializam o grão.
Trigo apresenta valorização no Paraná e no Rio Grande do Sul
O trigo encerrou a semana com alta nas duas principais referências regionais apresentadas pelo Cepea.
No Paraná, a tonelada passou de R$ 1.560,92, em 8 de outubro, para R$ 1.574,15 no dia 15.
O avanço de R$ 13,23 por tonelada equivale a uma valorização semanal de 0,85%.
Na última apuração, o indicador paranaense apresentou alta de 0,24%, acumulando ganho de 1,93% no mês.
No Rio Grande do Sul, a tonelada passou de R$ 1.455,60 para R$ 1.459,99 durante o mesmo período.
A diferença corresponde a uma valorização semanal de 0,30%.
Embora tenha encerrado a última apuração com recuo diário de 0,39%, o trigo gaúcho ainda acumulava valorização de 0,65% em outubro.
A diferença de preços entre os dois estados chegou a R$ 114,16 por tonelada no encerramento da semana.
Açúcar cristal registra alta em São Paulo e Santos
O açúcar cristal apresentou valorização nas duas referências acompanhadas pelo levantamento.
Na capital paulista, o indicador do açúcar cristal branco passou de R$ 122,60 para R$ 124,68 por saca de 50 quilos entre 8 e 15 de outubro.
O aumento de R$ 2,08 representa uma alta semanal de 1,70%.
Na comparação diária mais recente, a valorização foi de 0,60%, elevando o ganho acumulado em outubro para 2,94%.
Em Santos, no litoral paulista, o indicador do açúcar cristal na modalidade FOB apresentou crescimento mais intenso.
O valor passou de R$ 133,25 para R$ 138,64, com avanço de R$ 5,39, equivalente a 4,05% na semana.
O indicador de Santos acumulava alta de 10,36% em outubro, após valorização diária de 0,89% no último levantamento.
As duas referências correspondem a condições comerciais diferentes, razão pela qual os preços não devem ser interpretados como equivalentes.
Milho registra queda de 3,53% na semana
O milho apresentou o principal movimento de baixa entre os produtos acompanhados nesta edição.
A saca de 60 quilos passou de R$ 67,18, em 8 de outubro, para R$ 64,81 no dia 15.
A redução foi de R$ 2,37 por saca, equivalente a uma desvalorização semanal de 3,53%.
O recuo ocorreu principalmente nas apurações mais recentes. No dia 9, o indicador estava em R$ 67,35, mas caiu para R$ 65,59 no dia 13, R$ 65,43 no dia 14 e R$ 64,81 no dia 15.
A última queda diária foi de 0,95%, enquanto a desvalorização acumulada em outubro alcançou 5,62%.
O comportamento do milho contrasta com a valorização semanal registrada em produtos como trigo, café, açúcar e carnes.
Por sua utilização na alimentação animal, especialmente na produção de rações, o milho também constitui uma referência importante para o acompanhamento dos custos das cadeias de aves e suínos. Entretanto, a redução das cotações do grão não significa necessariamente queda imediata nos custos de produção ou nos preços das carnes.
Agro Brasil Semanal: balanço das cotações de 8 a 15 de outubro
Confira os preços de encerramento e as variações semanais calculadas a partir dos indicadores do Cepea:
Soja no Paraná: R$ 148,71 por saca de 60 kg — alta de 0,38%
Soja em Paranaguá: R$ 154,70 por saca de 60 kg — queda de 0,14%
Trigo no Paraná: R$ 1.574,15 por tonelada — alta de 0,85%
Trigo no Rio Grande do Sul: R$ 1.459,99 por tonelada — alta de 0,30%
Boi gordo: R$ 380,20 por arroba — alta de 1,04%
Frango congelado: R$ 8,49 por quilo — alta de 1,31%
Frango resfriado: R$ 8,51 por quilo — alta de 1,31%
Carcaça suína especial: R$ 9,97 por quilo — alta de 6,86%
Café arábica: R$ 1.577,21 por saca de 60 kg — alta de 2,09%
Café robusta: R$ 968,10 por saca de 60 kg — alta de 1,28%
Açúcar cristal em São Paulo: R$ 124,68 por saca de 50 kg — alta de 1,70%
Açúcar cristal em Santos: R$ 138,64 por saca de 50 kg — alta de 4,05%
Milho: R$ 64,81 por saca de 60 kg — queda de 3,53%
Os percentuais semanais foram calculados pela comparação entre os valores de 8 e 15 de outubro de 2026 e, por isso, são diferentes das variações diárias e mensais divulgadas nos indicadores.
As cotações refletem mercados e regiões de referência específicos, não representando necessariamente os preços praticados em todas as localidades brasileiras.
O levantamento semanal mostra um cenário de valorização predominante entre os produtos acompanhados, com destaque para a carcaça suína, o açúcar negociado em Santos e o café arábica. Já o milho apresentou pressão de baixa, enquanto a soja permaneceu com oscilações distintas entre o mercado do interior paranaense e a região portuária.
Dados: Cepea/Esalq-USP, com informações de mercado divulgadas pelo Br61 em 16 de outubro de 2026.