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Opinião Pública

Segundo Turno: votamos movidos por quais sentimentos?

Deborah Dubner

Deborah Dubner

Psicóloga e escritora, autora de sete livros sobre autoconsciência, evolução pessoal e Psicologia. Palestrante TEDx, especialista em Neurociência, Psicologia Positiva e Ciência da Felicidade, é professora de pós-graduação em Motivação e Resiliência e conduz cursos e grupos de prática sobre amor e gratidão no cotidiano

14/10/2026

Esperança, medo, raiva e a necessidade de pertencer entram conosco na cabine eleitoral. Reconhecê-los pode ajudar a escolher com mais clareza e a preservar os vínculos depois da eleição

Vivemos mais uma vez um momento eleitoral marcado por polarizações. Cada extremo puxa a corda para o seu lado, na esperança de vencer. O problema é a corda romper diante de nós, comprometendo, nesse processo, relacionamentos, vínculos e projetos. Todos perdem.

Estamos diante do segundo turno das eleições presidenciais. No primeiro turno foram registrados cerca de 2,3 milhões de votos brancos e 3,67 milhões de votos nulos. Além disso, cerca de 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas, uma abstenção de 21,08%.

Quais emoções guiam as diferentes escolhas? Esse invisível que move nossas decisões vale ser percebido com mais clareza. Apertar a mesma tecla na urna pode representar psicologicamente coisas muito diferentes: esperança em quem escolho, medo de quem rejeito, identificação, indignação, resignação ou uma combinação de tudo isso. 

Não deixamos nossas emoções do lado de fora quando entramos na cabine eleitoral. Elas entram conosco e participam da maneira como percebemos os acontecimentos, avaliamos informações e fazemos escolhas. Razão e emoção não ocupam necessariamente lados opostos nessa decisão.

Podemos votar inspirados pela ESPERANÇA, movidos por aquilo em que acreditamos. Mas há também quem vote pela INDIGNAÇÃO ou pela RAIVA. Nesse caso, mais do que votar em alguém, podemos votar contra alguém.

Há ainda o MEDO. Tememos perder direitos, segurança, condições de vida ou valores que consideramos importantes. O medo nos alerta para ameaças, assim como a raiva pode nos mobilizar diante daquilo que percebemos como injustiça e a esperança pode nos ajudar a imaginar possibilidades.

Não se trata de dividir as emoções entre boas e ruins, mas de perceber o que acontece quando uma delas domina a maneira como enxergamos a realidade. Nossa capacidade de olhar em perspectiva pode ficar comprometida.

E existe outra força participando das nossas escolhas: a necessidade humana de PERTENCER. Na política, pode surgir um “nós” e um “eles”. É nesse terreno que aparece o que os pesquisadores chamam de polarização afetiva: quando a distância política passa também pelo campo dos sentimentos e a rejeição ao outro grupo ganha força.

No segundo turno, para algumas pessoas, nenhuma das duas candidaturas representa uma escolha desejada. Podem surgir decepção, frustração, desânimo, indignação ou rejeição. Algumas escolhem votar em branco ou anular o voto, decisões que podem nascer de motivações e emoções diferentes. 

Há também quem, mesmo sem se identificar com nenhum dos candidatos, escolha votar. A decisão pode ser movida menos pela esperança e mais pelo desejo de impedir a vitória do outro. Estou votando a favor de alguém ou, principalmente, contra alguém?

Eleições passam. Governos começam e terminam. Mas continuaremos vivendo no mesmo país, encontrando pessoas que votaram diferente de nós no trabalho, na família, entre amigos e talvez dentro da nossa própria casa.

Por isso, olhar para as emoções que nos movem diante do voto não é apenas uma questão política. É também uma questão humana.

O que está me movendo nessa escolha? Esperança? Medo? Raiva? Indignação? Confiança? Rejeição? Pertencimento?

Provavelmente não encontraremos uma única resposta. Somos mais complexos do que isso. E nossas escolhas também.

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