O apresentador Thiago Souza, que participa dos programas eleitorais de TV da campanha de Luciano Zucco (PL) ao governo do Rio Grande do Sul, registrou nesta segunda-feira, 21, uma notícia-crime na Justiça Eleitoral após ser alvo de centenas de comentários de cunho racista e discriminatório nas redes sociais. O caso foi distribuído à 1ª Zona Eleitoral de Porto Alegre.
Segundo a defesa, os ataques ocorreram após a participação de Thiago em uma peça da propaganda eleitoral da coligação O Rio Grande Pode Mais. Cerca de 800 comentários ofensivos foram identificados e reunidos na notícia-crime.
Entre as manifestações apresentadas à Justiça estão referências ao período da escravidão, associações depreciativas a animais e ataques às características físicas e ao cabelo do apresentador. Também foram registrados termos como "capitão do mato" e referências a "Casa Grande", "chibata" e "chicote".
A notícia-crime pede que o caso seja encaminhado à Polícia Federal para abertura de inquérito e solicita a preservação de registros de conexão, dados cadastrais e endereços de IP dos perfis responsáveis pelas publicações, para permitir a identificação dos autores. A defesa também requer que, caso sejam encontrados indícios suficientes de autoria e materialidade, o caso seja enviado ao Ministério Público Eleitoral para eventual oferecimento de denúncia.
A coordenação dos programas de rádio e TV da campanha de Zucco repudiou os ataques. "Ideologia ou divergência partidária jamais podem estar acima da decência, do respeito e, principalmente, da lei", afirmou Tânia Moreira, responsável pela área.
O plano de governo de Zucco aborda a questão racial de forma pontual. No documento apresentado pelo candidato à Justiça Eleitoral, a referência específica à população negra aparece no eixo de diversidade cultural, que prevê apoio às comunidades quilombolas e às culturas negras.
Além disso, em seu histórico como parlamentar, Zucco já se posicionou contra mecanismos de ações afirmativas. Em 2021, quando era deputado estadual pelo então PSL, votou contra a reserva de 20% das vagas em concursos do Judiciário gaúcho para pessoas negras. Em 2024, já na Câmara, assinou emenda que buscava proibir bancas de heteroidentificação em concursos federais e instituições de ensino. No ano seguinte, também criticou a criação do Fundo Nacional de Reparação Econômica e de Promoção da Igualdade Racial, sob o argumento de que a estrutura poderia resultar em "aparelhamento" e desperdício de recursos.