Relatório atribuído à Abin aponta risco de interferência externa, enquanto governos mantêm negociações comerciais; Lula e Trump discursam nesta terça-feira
As relações entre Brasil e Estados Unidos chegam à 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em meio a divergências comerciais, episódios de tensão diplomática e um alerta sobre possível interferência externa nas eleições brasileiras deste ano.
Segundo reportagem da Agência Brasil, um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro e indica possibilidade de aumento da pressão norte-americana sobre o país. O documento teria sido encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Ministério da Justiça.
O conteúdo integral do relatório não foi divulgado publicamente. Por isso, as conclusões atribuídas à Abin permanecem baseadas nas informações confirmadas pela Empresa Brasil de Comunicação.
O alerta surge em um momento de atritos entre Brasília e Washington, especialmente na área comercial. Em julho, o governo dos Estados Unidos adotou duas medidas tarifárias com base na Seção 301 da legislação norte-americana.
Uma delas estabeleceu sobretaxa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros. A outra aplicou tarifa adicional de 12,5% no âmbito de uma investigação envolvendo 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos e medidas relacionadas ao combate ao trabalho forçado.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as duas cobranças podem ser acumuladas quando atingem o mesmo produto. Nesse caso, a tarifa adicional pode chegar a 37,5%. Dados do governo brasileiro indicam que as novas medidas alcançam 23,1% das exportações do Brasil para o mercado norte-americano. (Serviços e Informações do Brasil)
O Brasil contestou as medidas e levou o caso à Organização Mundial do Comércio. O governo brasileiro considera as tarifas injustificadas e incompatíveis com compromissos assumidos pelos Estados Unidos no sistema multilateral de comércio. Essa é a posição oficial apresentada pelo Itamaraty no pedido de consultas à OMC. (Serviços e Informações do Brasil)
Apesar das divergências, os dois governos mantêm canais de negociação. Lula e Trump se reuniram em Washington em 7 de maio e determinaram a criação de um grupo de trabalho para tratar das questões comerciais. No fim de agosto, representantes dos dois países voltaram a se reunir para discutir as tarifas e tentar avançar nas negociações. (Serviços e Informações do Brasil)
Agora, Lula e Trump voltam a participar do mesmo evento internacional.
O presidente brasileiro já está em Nova York e fará nesta terça-feira (22) o tradicional discurso de abertura do Debate Geral da Assembleia Geral da ONU. O presidente dos Estados Unidos falará na sequência.
Até esta segunda-feira (21), não havia reunião bilateral confirmada entre os dois presidentes durante a passagem por Nova York. Um eventual contato informal nos bastidores também não estava confirmado. (CNN Brasil)
A participação dos dois líderes na ONU ocorre, portanto, enquanto Brasil e Estados Unidos tentam preservar canais diplomáticos e comerciais apesar das divergências acumuladas nos últimos meses.
A relação entre os dois países combina atualmente cooperação em áreas específicas, negociações econômicas e diferenças sobre temas políticos, comerciais e diplomáticos, que devem continuar no centro das conversas entre Brasília e Washington.
Aqui também já apliquei integralmente a nova regra do Vitória News: sem negritos e sem subtítulos no corpo. Para a publicação, as marcações de fonte acima podem ser retiradas na edição final; mantive-as aqui apenas para deixar a checagem desta pauta política documentada.