Centrais sindicais francesas uniram forças nesta quinta-feira, 5, para uma jornada nacional de greves e manifestações por salários mais altos e em apoio ao movimento de protesto de estudantes do ensino médio, ampliando a pressão sobre o governo do presidente da França, Emmanuel Macron.
Após mais de um mês de atos regulares e de grande porte pelo país, novas grandes mobilizações ocorriam em Paris, Lyon e Marselha, com expectativa de participação de centenas de milhares de pessoas. Os sindicatos disseram que cerca de 260 manifestações contra o aumento do custo de vida estavam previstas em toda a França.
Centenas de escolas de ensino médio foram fechadas ou não conseguiram operar, algumas por causa de protestos e outras porque professores aderiram à paralisação. O transporte público foi fortemente afetado.
A polícia em Estrasburgo, no nordeste, alertou a população para redobrar a cautela nas imediações de algumas escolas.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que 70 mil policiais seriam mobilizados, com apoio de veículos blindados, drones e helicópteros. As forças de segurança têm sido criticadas por ferirem manifestantes e pelo uso de táticas consideradas excessivamente duras.
Diversas manifestações foram marcadas por episódios de violência, grande parte atribuída a vândalos mascarados que não apoiam as reivindicações de estudantes ou trabalhadores.
Autoridades na Bretanha, no oeste do país, disseram que "indivíduos mascarados" tentaram bloquear estradas na cidade de Rennes.
Segundo o governo regional, jovens, frequentemente acompanhados por adultos, cometeram "graves atos de violência", incluindo o arremesso de esferas de aço contra policiais.
Em nota conjunta, os principais sindicatos da França afirmaram que o país está à beira de uma recessão e que planos de demissão estão se multiplicando. "Combustível, alimentos, aluguel, gás, eletricidade... tudo sobe, exceto salários e aposentadorias", disseram.
A França tem elevado endividamento e figura entre os piores desempenhos econômicos da Europa, ao lado de Itália e Bélgica. Os sindicatos disseram que o recado é dirigido ao governo e aos empregadores. "A raiva é imensa. A situação no país é frágil. Os desafios sociais e ambientais urgentes precisam ser enfrentados sem demora", afirmaram.
Antes da paralisação, o governo vinha negociando com as centrais sindicais, numa tentativa de conter distúrbios que, segundo autoridades, configuram a pior onda de agitação civil no país em anos.
O movimento teve início em setembro, com um protesto contra a falta de funcionários em uma escola de ensino médio ao sudeste de Paris, e se espalhou nacionalmente. A mobilização passou a reunir estudantes que pedem mais recursos para a educação e trabalhadores que buscam alívio diante da disparada dos combustíveis e de outros custos, além de reivindicar melhores aposentadorias.
Os atos ocorrem em meio ao aquecimento da campanha para a eleição presidencial de maio do próximo ano, que escolherá o sucessor de Macron. Partidos têm tentado capitalizar politicamente a mobilização. Macron é impedido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato consecutivo, e a candidata de extrema direita Marine Le Pen é apontada como favorita.
Alguns candidatos, incluindo o veterano líder de esquerda radical e anticapitalista Jean-Luc Mélenchon, defendem soluções consideradas radicais, mas difíceis de implementar, segundo Paul Smith, professor associado de história e política francesa na Universidade de Nottingham, na Inglaterra.
"Há uma sensação de frustração absoluta com a incapacidade do governo de funcionar", disse Smith à Associated Press. "Quem vencer a eleição presidencial vai ter uma pilha de problemas para enfrentar."
"É muito difícil ver exatamente para onde as coisas vão", afirmou. Fonte: Associated Press.
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