Departamento de Justiça tentou separar votos na Califórnia e suspender certificação no Alasca; tribunais rejeitaram pedidos

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos adotou uma atuação direta em disputas eleitorais antes da votação desta terça-feira (3), afastando-se da prática histórica de cautela para evitar que investigações federais interfiram nas campanhas ou favoreçam candidatos.
A mudança aparece em ações sobre votos pelo correio na Califórnia e sobre a disputa pelo Senado no Alasca. O governo Trump afirma que busca proteger a integridade eleitoral, enquanto críticos apontam risco de uso político da estrutura federal.
Na Califórnia, o departamento pediu que fossem separadas, antes da contagem, cédulas vinculadas a aproximadamente 20 mil eleitores que considera possivelmente estrangeiros sem direito a voto. A alegação não equivale à comprovação de irregularidade em todos esses registros. O próprio pedido federal previa verificar a cidadania das pessoas identificadas.
Na segunda-feira (2), a Suprema Corte rejeitou o pedido emergencial do governo, após decisões desfavoráveis nas instâncias inferiores. Autoridades californianas contestaram a precisão da lista e alertaram para o risco de impedir a contagem de votos de cidadãos habilitados. A decisão emergencial não representa julgamento definitivo de todas as questões do processo. apnews.com
No Alasca, o departamento tentou impedir a certificação do resultado caso a margem da disputa sugerisse que a presença de um candidato com nome semelhante ao do senador republicano Dan Sullivan tivesse confundido eleitores. Uma juíza rejeitou a ação no domingo (1º), e o governo recorreu. O outro candidato, Daniel J. Sullivan, nega ter tentado enganar o eleitorado.
A tradição de cautela não significa ausência de fiscalização federal. O Departamento de Justiça atua historicamente na proteção do direito ao voto e no combate à discriminação. A diferença está na tentativa de influenciar procedimentos de contagem e certificação enquanto o processo eleitoral ainda está em andamento.
O manual do próprio departamento reconhece que os estados são responsáveis pela administração das eleições, pela validação dos votos e pela apuração. Também alerta que intervenções criminais podem inibir atividades eleitorais legítimas e inserir a investigação na disputa política.
Em resposta às críticas, o departamento sustenta que suas iniciativas são legais e não têm o objetivo de ajudar campanhas. As decisões judiciais contrárias aos pedidos mostram, porém, que os limites dessa atuação federal se tornaram parte da disputa institucional que acompanha as eleições.