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Mulheres chegam a 49% dos financiamentos no Minha Casa, Minha Vida

Participação feminina cresce no crédito imobiliário e 35,7% das compradoras já utilizam principalmente recursos próprios para adquirir imóveis

Vitória News 14/08/2026 10:36
Mulheres chegam a 49% dos financiamentos no Minha Casa, Minha Vida
Foto: Inês Magalhães, Elisangela Perussi, Dora Swarc e Elisa Rosenthal. Foto: Rui Sabino Fotografia/Divulgação

As mulheres ampliaram a participação no mercado imobiliário brasileiro e passaram a ocupar posição cada vez mais relevante na contratação de financiamentos e na compra de imóveis com recursos próprios. O movimento acompanha o avanço da autonomia financeira feminina e já influencia estratégias de bancos, incorporadoras e empresas do setor.

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No Minha Casa, Minha Vida, considerando as operações da Caixa Econômica Federal realizadas com recursos do FGTS, a participação feminina nos financiamentos passou de 33% para 49%.

Na carteira geral de crédito habitacional da Caixa, aproximadamente 30% dos contratos têm mulheres como titulares.

Outro levantamento mostra que 35,7% das mulheres que adquirem imóveis utilizam principalmente recursos próprios para realizar a compra, sinalizando maior participação feminina na formação de patrimônio.

Os números foram apresentados durante um debate promovido pelo Instituto Mulheres do Imobiliário (IMI), em São Paulo, que reuniu executivas da Caixa, Santander e BTG Pactual para discutir as mudanças no perfil das consumidoras.

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A vice-presidente de Habitação da Caixa, Inês Magalhães, relaciona esse avanço a transformações observadas nas últimas décadas, como aumento da escolaridade, maior presença feminina no mercado de trabalho, crescimento de famílias chefiadas por mulheres e busca por independência financeira.

Políticas habitacionais que priorizaram ou fortaleceram a titularidade feminina dos imóveis também contribuíram para ampliar a presença das mulheres entre proprietárias e contratantes de crédito.

No Santander, as mulheres já correspondem a cerca de 40% dos tomadores de financiamento imobiliário.

O perfil financeiro desse público também mudou. Entre 2021 e 2025, a renda média das mulheres que contrataram crédito imobiliário na instituição passou de aproximadamente R$ 13 mil para R$ 22 mil.

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No mesmo período, o valor médio financiado cresceu de cerca de R$ 320 mil para R$ 450 mil.

Segundo Elisangela Perussi, responsável pelos negócios imobiliários do Santander, os dados mostram que as mulheres deixaram de atuar apenas como participantes na composição da renda familiar e passaram a assumir diretamente decisões relacionadas à compra e à construção de patrimônio.

A transformação também alcança o mercado de imóveis de alto padrão. Incorporadoras passaram a considerar mudanças na configuração das famílias e nas prioridades das compradoras no desenvolvimento dos empreendimentos.

Entre as demandas que ganharam espaço estão ambientes destinados ao trabalho remoto, áreas integradas, espaços para receber convidados e maior atenção ao conforto e ao bem-estar.

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Segundo Dora Swarc, do BTG Pactual, a participação feminina deixou de ficar concentrada na escolha de acabamentos ou detalhes internos. As mulheres passaram a influenciar decisões que envolvem localização, conceito do empreendimento, estrutura e características gerais do imóvel.

Mudanças na composição familiar também aparecem entre os fatores que estimulam novas aquisições.

Dados reunidos pelo IMI indicam que, entre pessoas que compraram um imóvel após o divórcio, 45% utilizaram recursos provenientes da divisão de bens para viabilizar a aquisição.

Para Elisa Rosenthal, fundadora e presidente do Instituto Mulheres do Imobiliário, a maior presença feminina no crédito e na aquisição de imóveis representa uma mudança estrutural que alcança diferentes etapas do setor.

O avanço modifica tanto a relação dos bancos com o público feminino quanto o planejamento de novos empreendimentos, à medida que as mulheres passam a exercer maior influência sobre decisões de financiamento, investimento e construção do próprio patrimônio.

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