A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve usar seu discurso na COP31, na Turquia, também para falar sobre o momento das democracias liberais ao redor do mundo. Segundo a ministra, "a onda de direita a nível mundial está refluindo" e a vitória de Lula tem um significado nesse contexto.
"Vimos muito o que a reeleição de Lula representava do prisma nacional, aqui dentro do Brasil. Nas últimas duas semanas, foi caindo a ficha para nós do que isso representa internacionalmente. A repercussão disso no mundo e como parece que a onda de direita está refluindo e o que isso vitória de Lula representa para a democracia mundial. Suponho que isso também acabe sendo abordado, por ser o primeiro evento internacional", afirmou a ministra.
A fala foi em entrevista coletiva à imprensa no início da tarde desta sexta-feira, 6, no Ministério de Minas e Energia, após reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou da reunião, mas foi embora antes da entrevista coletiva dos ministros.
Miriam disse que o presidente "vai apresentar os resultados e seguir sendo um dos principais porta-vozes do mundo em relação à necessidade de enfrentarmos os efeitos do clima".
"Estamos levando resultados e não apenas propostas. Demonstramos que é possível sim fazer e vamos, como dizia a ministra Marina, liderar pelo exemplo (...) Estamos muito perto disso (do desmatamento zero). Estamos alcançando as metas das NDCs e compromisso brasileiro é com a redução das emissões. Queremos qualificar o que significa a redução de 560 milhões de toneladas", declarou.
"O centro da fala do presidente lá é a redução das emissões e do desmatamento e que no próximo ano teremos um mapa do caminho para afastamento dos combustíveis fósseis", afirmou a ministra.
Miriam reclamou que alguns veículos de imprensa informaram que o Brasil entregaria o "mapa do caminho" do fim do uso dos combustíveis fósseis.
"Ontem colocaram na boca do presidente um compromisso que ele não fez. Não houve compromisso do presidente do Brasil ou do governo brasileiro de que nós entregaríamos agora nessa COP a nossa proposta de caminho. Nos comprometemos a estabelecer critérios, prioridades, parâmetros, para a gente poder montar isso. É uma meta de longo prazo, não de curto prazo. É complexa e tem de ser tratada com muito cuidado", afirmou a ministra.