Sexta-feira, 2 de Outubro de 2026 | 13h09m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Eleição segura o apetite por risco e Ibovespa fica no zero a zero, após alta de 1%

Estadão Conteúdo 02/10/2026 12:04

O Ibovespa começou a sexta-feira, 2, com ganho firme e chegou a avançar mais de 1%, embalado pelo apetite por risco no exterior, mas perdeu tração no fim da manhã, com investidores reduzindo posições às vésperas do primeiro turno das eleições no Brasil, no domingo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O impulso inicial veio principalmente do cenário externo. O recuo do petróleo e a queda dos juros dos Treasuries sustentaram o movimento de alta das bolsas em Nova York após o payroll indicar desaceleração do mercado de trabalho americano - combinação que reforçou apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) pode manter os juros na reunião deste mês. "O Ibovespa subiu com a queda do petróleo e dos juros dos Treasuries", disse Luiz Roberto Monteiro, operador independente.

No Brasil, a produção industrial de agosto, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), recuou 0,6% ante julho e veio abaixo do consenso do mercado, reforçando a leitura de perda de fôlego da atividade.

SESC PICASSO

Para a Terra Investimentos, o dado mantém sinais de desaceleração com queda generalizada e piora da difusão, isto é, do espalhamento do crescimento entre os segmentos.

Já Carlos Lopes, economista do banco BV, afirma que o resultado da produção industrial contribui para a queda dos juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), mas avalia que o impacto sobre a política monetária pode ser limitado. "O cenário inflacionário e o resultado eleitoral têm peso muito maior", afirmou Lopes.

Com o passar das horas, porém, o Índice Bovespa arrefeceu mesmo com Nova York em alta, em meio à intensificação da queda do petróleo para cerca de 3%. A perda de fôlego coincidiu com a redução do ganho de ações de peso, como Vale e Petrobras, e com a virada ou enfraquecimento de papéis de bancos, o que aumentou a sensibilidade do indicador a ajustes de posição.

CONTADOR - BONUS

O ambiente político segue no centro das atenções. Pesquisa Datafolha mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente no primeiro turno, com empate técnico na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e também no cenário de segundo turno.

Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra, parte do mercado opera posicionada na expectativa de alternância de poder, o que pode ampliar a volatilidade. "Vejo algumas pessoas se posicionando no sentido de que haverá mudança, o que sugeriria uma forte realização de lucros em caso de derrota e, portanto, de não alternância de poder", disse.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Às vésperas do primeiro turno das eleições no Brasil, Gabriel Cecco, da Valor Investimentos, afirma que é natural o investidor redobrar a cautela para carregar posições no fim de semana. "Há uma combinação interessante. O exterior traz um alívio importante, principalmente pelos juros americanos, em decorrência do payroll, mas o componente eleitoral doméstico deve continuar adicionando volatilidade aos mercados brasileiros ao longo do dia",

Monteiro avalia que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia destravar uma rodada adicional de otimismo na Bolsa. "Se Flávio ganhar, até pode ir para 200 mil pontos", afirmou. O cancelamento do debate da TV Globo, na véspera, foi interpretado por analistas como "zero a zero" e não trouxe impacto relevante para os negócios.

Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 0,46%, aos 187.197,46 pontos.

Às 11h38 desta sexta, subia 0,16%, aos 187.495,69 pontos, ante avanço de 1,40%, na máxima em 189.821,50 pontos, abertura na de 187.436,94 pontos (+0,13%) e mínima em 186.556,30 pontos (-0,34%).

Não houve negociações com minério de ferro em Dalian, devido a feriado.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas