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Bets movimentaram R$ 397 milhões em um mês no Espírito Santo, aponta Fecomércio-ES

Pesquisa mostra avanço das apostas on-line no Estado, pressão sobre o orçamento das famílias e registros de atendimentos relacionados a problemas com jogos

Vitória News 02/10/2026 10:48
Bets movimentaram R$ 397 milhões em um mês no Espírito Santo, aponta Fecomércio-ES
A pesquisa foi apresentada durante o Connect Talk Fecomércio-ES. Foto: Divulgação

As apostas on-line movimentaram aproximadamente R$ 397 milhões no Espírito Santo somente em junho de 2026, segundo o estudo “Bets, Consumo e Saúde Mental no Espírito Santo”, elaborado pelo Connect Fecomércio-ES.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

No período, foram registradas 7,34 milhões de apostas no Estado. Na comparação com janeiro de 2025, houve crescimento de 47,5% no número de apostas e de 48,5% no volume financeiro movimentado.

A pesquisa foi apresentada durante o Connect Talk Fecomércio-ES e reúne dados sobre o tamanho desse mercado, o perfil dos apostadores e os possíveis impactos sobre consumo, renda familiar e saúde.

O evento reuniu jornalistas, psicólogos, representantes de sindicatos, empresas e profissionais de Recursos Humanos. A apresentação da pesquisa foi feita pelo coordenador do Connect, André Spalenza. 

Também participaram da agenda Aderjânio Pedroni, presidente do Sindilojistas de Aracruz; Wagner Corrêa, superintendente da Fecomércio-ES; José Carlos Bergamin, vice-presidente do Sistema Fecomércio-ES; e João Alberto do Carmo, secretário executivo do Sindmat-ES.

O levantamento foi desenvolvido pelo Observatório de Pesquisa da Fecomércio-ES Connect, criado em parceria com a Faesa Centro Universitário, Sesc, Senac, Mobilização Capixaba pela Inovação, Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo e Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional.

380 mil capixabas fizeram apostas

Dados referentes a 2024 indicam que aproximadamente 380 mil capixabas com 16 anos ou mais fizeram apostas em aplicativos ou sites nos 30 dias anteriores à pesquisa, o equivalente a 12% dessa população.

SESC PICASSO

Entre os apostadores, a faixa de gasto mais frequente ficou entre R$ 100 e R$ 499,99, concentrando aproximadamente 33% dos participantes.

Segundo André Spalenza, o gasto médio mensal dos capixabas que realizaram apostas esportivas chegou a R$ 212,31 em 2024.

“Considerando o rendimento médio mensal de R$ 3.320 no Espírito Santo, esse valor corresponde a aproximadamente 6,1% da renda mensal”, apontou o coordenador do Connect.

Grande Vitória concentra mais da metade das apostas

A Região Metropolitana aparece com forte participação no mercado de apostas.

Serra, Vila Velha, Vitória e Cariacica responderam juntas por 54% das apostas realizadas no Espírito Santo em junho de 2026, correspondendo a aproximadamente 3,95 milhões de operações.

Serra concentrou 16,7% do total, seguida por Vila Velha, com 14,5%, Vitória, com 13,3%, e Cariacica, com 9,3%.

Quando a análise considera o valor apostado por habitante, municípios do interior também aparecem em destaque.

Ibatiba apresentou o maior resultado entre os municípios analisados, com R$ 279 por habitante. Marechal Floriano aparece com R$ 201,48 e Vitória com R$ 155,38. A média estadual ficou em R$ 95,81 por morador.

Apostas pesam mais entre famílias de menor renda

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O estudo também chama atenção para a participação das apostas no orçamento doméstico.

Em 2024, cerca de 31 mil capixabas pertencentes a famílias com renda de até dois salários mínimos comprometeram mais de 15% da renda familiar com apostas esportivas.

Dentro desse grupo, 59% dos apostadores realizavam apostas de R$ 100 ou mais.

A análise aponta que, para famílias com menor margem financeira, gastos frequentes com apostas podem disputar recursos destinados a outras despesas e reduzir a renda disponível para a aquisição de bens e serviços.

Para o comércio, a questão merece acompanhamento porque parte dos recursos direcionados às plataformas pode alterar a composição do orçamento familiar destinado ao consumo.

Saúde registra 564 atendimentos no Estado

Outro eixo da pesquisa envolve os impactos relacionados à saúde.

Entre janeiro e julho de 2026, foram registrados no Espírito Santo 564 atendimentos relacionados a problemas decorrentes de jogos e apostas digitais, envolvendo 247 pessoas.

A diferença entre o número de atendimentos e o de pessoas indica que parte dos usuários precisou procurar acompanhamento mais de uma vez.

Entre os cidadãos atendidos, 72,9% eram homens e 27,1% mulheres. A faixa de 25 a 34 anos concentrou 38% dos casos.

Também houve predominância de pessoas pardas, que corresponderam a 57,1% dos atendidos. Outros 50,2% tinham ensino médio completo e 31,6% estavam sem renda individual.

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No cenário nacional, registros do Ministério da Saúde relacionados a jogo patológico e mania de jogo e aposta somaram 10.553 atendimentos pelo SUS entre janeiro de 2018 e maio de 2025.

A própria pesquisa ressalta que esses registros não podem ser atribuídos automaticamente às bets, já que os códigos abrangem diferentes situações relacionadas ao comportamento de jogo.

Perfil nacional dos apostadores

Dados nacionais utilizados no levantamento apontam predominância masculina entre os apostadores. Os homens representam 64,8% do total, enquanto a faixa etária entre 25 e 49 anos concentra 50,6%.

O estudo também estima que 7,3% dos brasileiros com 14 anos ou mais, aproximadamente 10,9 milhões de pessoas, apresentam comportamento classificado como jogo de risco ou problemático segundo a escala Problem Gambling Severity Index.

Cerca de 1,4 milhão apresentaria pontuação compatível com provável diagnóstico de Transtorno do Jogo.

Fenômeno vai além do entretenimento

Para a Fecomércio-ES, a expansão das apostas precisa ser analisada sob diferentes perspectivas, já que seus efeitos alcançam o comportamento do consumidor, a distribuição da renda familiar e situações relacionadas à saúde.

A pesquisa conclui que o crescimento desse mercado exige acompanhamento integrado, envolvendo aspectos econômicos, sociais e de saúde.

O estudo reúne informações do Banco Central, DataSenado, LENAD III, Sistema de Gestão de Apostas, Ministério da Saúde e IBGE.

Fonte: Connect Fecomércio-ES

Confira a pesquisa completa no LINK

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