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Política

Cartilha do PT orienta militantes a dizer que Lula é católico em meio a fake news da padroeira

Estadão Conteúdo 28/09/2026 18:57

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição produziu uma cartilha com orientações para que militantes do PT convençam eleitores indecisos a votar no presidente. O manual traz o "passo a passo da conversa perfeita" e destaca a religião como um dos assuntos que devem ser abordados, mesmo sem citar as notícias falsas que ligaram o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, a um movimento para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A cartilha orienta os petistas a "como puxar papo" nas ruas, nos pontos de ônibus e até na fila do pão para "mostrar o que está em jogo" e conquistar quem ainda não sabe em quem votar no próximo domingo, 4. Com 19 páginas e linguagem didática, o guia traz até mesmo exemplos concretos do que aliados de Flávio podem dizer e como rebater os seus argumentos.

O que está em jogo, segundo o manual, é o "avanço com Lula" e o "risco com Flávio Bolsonaro". Um dos trechos do manual preparado para "virar votos" nesta última semana antes do primeiro turno da disputa trata como "mentira do adversário" afirmações de que "Lula nem deve ter religião".

Em seguida vem o que o PT chama de "resposta pé no chão" para retrucar as críticas. "Lula é católico e sempre guiado por valores cristãos de amor ao próximo e cuidado com quem mais precisa. Foi do governo dele a Lei de Liberdade Religiosa, que permite a todas as igrejas e comunidades de fé funcionarem em paz sem o governo se meter", diz a resposta ideal a ser usada por aliados do presidente. "Hoje, o ataque a qualquer local sagrado ou culto é crime severamente punido. Liberdade religiosa de verdade é garantir que todo mundo possa expressar sua fé com respeito e sem manipulação política!"

SESC PICASSO

Desde quinta-feira, 24 uma fake news envolvendo Nossa Senhora Aparecida viralizou nas redes sociais e, ao lado do fim das bets, anunciado por Lula, se transformou em um dos principais assuntos da campanha. Levantamento do Instituto Democracia em Xeque, divulgado neste sábado, 26, por exemplo, mostrou que o assunto teve quase 1 milhão de publicações nas redes sociais em menos de três dias.

O próprio Lula passou a explorar o tema. Neste domingo, 27, ele disse que "mexer com a Nossa Senhora Aparecida não é aceitável" e que "já teve gente da religião evangélica chutando" a santa. As declarações foram feitas em entrevista ao Canal Livre, da Band.

De acordo com a pesquisa do Democracia em Xeque, a fake news sobre a padroeira do Brasil só não teve mais repercussão do que as publicações a respeito do embate entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e André Mendonça e do áudio de uma conversa na qual Flávio pede dinheiro a Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, para o filme "Dark Horse", que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Intitulado "Guia da Conversa", o manual da campanha de Lula para conquistar indecisos está sendo distribuído por grupos de WhatsApp, como o "Pode Espalhar". Ao replicar o conteúdo, um outro grupo - o do evangélicos com Lula - faz uma introdução em linguagem direcionada para o segmento.

"Paz do Senhor, igreja!", diz a mensagem, logo na introdução. "Lembrem-se: pregar a verdade é libertar os cativos!"

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Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, 28, mostra crescimento das intenções de voto em Lula entre eleitores católicos e evangélicos após o anúncio do fim das bets e da polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida. O presidente pulou de 43% para 48% entre católicos e de 23% para 27% no segmento evangélico. Na outra ponta, Flávio passou de 49% para 46% entre evangélicos e oscilou de 27% para 29% no eleitorado católico.

Convencidos de que Lula está encontrando um rumo para a campanha, após uma crise atrás da outra, integrantes da equipe petista avaliam agora que o presidente pode vencer no primeiro turno da disputa e já prepara até mesmo uma comemoração na Avenida Paulista.

Lula votará na manhã de domingo em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e acompanhará a apuração dos votos em São Paulo, ao lado do candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes, Fernando Haddad.

Em uma ofensiva de contenção de danos, Flávio Bolsonaro acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e até o STF para proibir publicações sobre Nossa Senhora Aparecida e o caso virou outro embate entre magistrados. Nesta segunda-feira, 28, o senador ergueu a imagem da padroeira ao lado do governador de são Paulo, Tarcísio de Freitas, que é candidato à reeleição.

Além de citar a religião como um dos assuntos que devem ser abordados na campanha, a cartilha petista também destaca outros temas importantes para convencer indecisos a votar em Lula. No "passo a passo da conversa perfeita", o Q.G de Lula afirma que os militantes não devem brigar nem desdenhar dos indecisos.

"Não finja que tá tudo perfeito! Diga: 'Você tem razão, a vida tá difícil mesmo'", recomenda o manual. Logo depois, no entanto, o petista deve fazer a 'pergunta do futuro': "Quem tem proposta real pra fazer a vida melhorar no ano que vem e garantir nossos direitos?""

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Duas páginas da cartilha são dedicadas à "Economia Real: Mitos e Respostas". "Para conquistar um voto, você precisa saber o que aperta no calo de cada pessoa", afirma o Guia da Conversa. "Não adianta falar de macroeconomia para quem 'tá' preocupado com o preço do arroz!"

O "papo certo" para falar com jovens que estudam, trabalham e estão na correria, por exemplo, é destacar projetos como o fim da escala 6x1 e o aumento do teto do Microeempreendedor Individual (MEI) para R$ 140 mil, em tramitação no Congresso. Além disso, é necessário destacar a Medida Provisória que Lula enviou ao Congresso para acabar com as bets, definida na cartilha como "armadilha digital que 'tá' sugando o dinheiro da galera" e o programa Pé-de Meia, com incentivo financeiro para a juventude não largar os estudos.

Há também na cartilha três páginas sobre mulheres, público que corresponde a 52,8% do eleitorado do País. "As mulheres sabem o que a família Bolsonaro representa: um histórico comprovado de declarações agressivas contra as mulheres, ausência de políticas públicas femininas e oposição às leis de proteção à mulher", assinala o manual.

O "desafio" lançado pela campanha petista para atrair indecisos prevê que os militantes compartilhem o texto com cinco pessoas de rede: 1 jovem, 1 trabalhador (a), 1 mãe de família, 1 colega de trabalho e 1 parente. "A eleição não é decidida em gabinetes ou algoritmos: ela é ganha na rua, na feira e no WhatsApp com quem ainda 'tá' em dúvida", sustenta a cartilha do PT.

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